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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 22:37:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ela vinha com uma urgência impossível. Rapidamente retirava o vestido, numa destreza difícil de reproduzir. E, então, vestida de colar, brincos, bracelete e anéis&#8230; Completamente despida de pudores, abaixava a minha calça. Sem delicadezas. Se encaixava em meu corpo. Mirava meus olhos fixamente. Enquanto iniciava uma dança cuja coreografia só ela sabia. De quando em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela vinha com uma urgência impossível. Rapidamente retirava o vestido, numa destreza difícil de reproduzir. E, então, vestida de colar, brincos, bracelete e anéis&#8230; Completamente despida de pudores, abaixava a minha calça. Sem delicadezas. Se encaixava em meu corpo. Mirava meus olhos fixamente. Enquanto iniciava uma dança cuja coreografia só ela sabia. De quando em quando me sorria, cínica, inocente e atrevida. Indecente. E me olhava, sempre. Nos olhos. Continuava. E continuava, avidamente. Até fazer meu corpo dar-lhe o prazer que tanto buscava. Era insana. Apertava-me fortemente. Podia sentir cada uma de suas contrações. Descabelada, demente, louca. Em espasmos. Gritava. Ria. Chorava. (Uma mulher chorando de prazer. Como era isso possível? De tudo que já vi em minha vida, ela, gozando, é o que vi de mais lindo.) Então caía sobre mim. Um beijo doce em meus lábios. Seus cabelos em meus ombros. Seu rosto em meu pescoço. Ofegante, permanecia. Suada, entregue&#8230; Por um tempo. Até inventar uma outra dança. Depois outra. Múltiplas. Quantas quisesse. Para só depois decidir que seria, quando seria, a minha vez.</p>
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		<title>Adeline</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jun 2011 01:57:33 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Do outro lado da mesa, Virginia Woolf. Ali, à minha frente. Distante ouvia-se cantando uma voz feminina, muito rouca, quase áspera de tão sutil. Conversávamos&#8230; Ou melhor, eu falava. Ela, eu não sei se escutava. Apenas a via olhando para o nada. Longe. Não podia dize-la triste. Seria sentimento demais. Via uma pessoa vazia, completamente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do outro lado da mesa, Virginia Woolf. Ali, à minha frente. Distante ouvia-se cantando uma voz feminina, muito rouca, quase áspera de tão sutil. Conversávamos&#8230; Ou melhor, eu falava. Ela, eu não sei se escutava. Apenas a via olhando para o nada. Longe. Não podia dize-la triste. Seria sentimento demais. Via uma pessoa vazia, completamente, onde nem a tristeza se atreveria entrar. Não havia diálogo. Era como fazer amor com uma frígida. Sem reação. Mas eu continuava. A falar coisas que nem sei se tinham sentido. Tentava provocar. Um gesto. Uma palavra. Um olhar. E nada. Muito tempo depois, eu, cansado, também me calei. Fiquei apenas ouvindo a música, tomando minha bebida e vendo aqueles olhos que não estavam ali. Então ela torna o rosto e finalmente me encara. Firmemente. Muito seriamente, trazendo no semblante uma amargura de destruir, devastar e corroer por dentro qualquer pessoa. Sua boca se abre. E diz: “Existe algo mais real que um fantasma?”</p>
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		<title>Ritual</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 06:17:28 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por, gentilmente, o colar em seu pescoço; o brinco, atentamente, em sua orelha; fechar, delicadamente, seu sutiã; abotoar, vagarosamente, os botões de seu vestido; beijar-lhe, afetuosamente, os olhos e a testa&#8230; Vestir uma mulher sempre me ensinou muito mais o que é ser homem que despi-la.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por, gentilmente, o colar em seu pescoço; o brinco, atentamente, em sua orelha; fechar, delicadamente, seu sutiã; abotoar, vagarosamente, os botões de seu vestido; beijar-lhe, afetuosamente, os olhos e a testa&#8230; Vestir uma mulher sempre me ensinou muito mais o que é ser homem que despi-la.</p>
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		<title>Miragem?</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 04:37:58 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[As pessoas andam tão desconfiadas, tão secas, tão fechadas, sei lá&#8230; Chegamos a um ponto em que um “bom dia” é recebido com um olhar de soslaio. Um sorriso provoca um certo ar de repugnância. A gentileza é recebida com espanto. A delicadeza é tida como inconveniente. O interesse sincero é visto com desdém. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As pessoas andam tão desconfiadas, tão secas, tão fechadas, sei lá&#8230; Chegamos a um ponto em que um “bom dia” é recebido com um olhar de soslaio. Um sorriso provoca um certo ar de repugnância. A gentileza é recebida com espanto. A delicadeza é tida como inconveniente. O interesse sincero é visto com desdém. A entrega franca tem como volta a arrogância.</p>
<p>As pessoas&#8230; Como foi que chegaram a isso? Claro, há todo um verniz. Uma fachada. Mas o que está lá dentro? E citam tantas coisas lindas no Facebook, no Twitter, no blog, sei lá onde&#8230; E fica por isso. Palavras e palavras. Mas, as vivem? Realmente? Alguém ainda vive? Alguém ainda sente? Alguém ainda se apaixona? Alguém ainda ama? Alguém ainda se importa? De verdade?</p>
<p>Devo pedir desculpas por me apaixonar? Desde quando isso virou ofensa? Desculpe, não posso me desculpar. Por me apaixonar. Por ser como sou. Não quero, não preciso e nem posso mudar. Amo ser assim. Ser quem eu sou custou-me muito. E eu sei o meu valor. Não careço que me enxergue para que eu seja. Sei quem eu sou.</p>
<p>Quanto a você, recuso-me a acreditar que o que vi seja miragem. Sei que é melhor que isso. Sei do seu tamanho. Sei como é imensa. E bela. Mas, aja como quiser. Faça como lhe convier. Seja como acha melhor ser. Não quero nem preciso que me prove nada. Apenas que saiba, se lhe interessa saber: havia um grande amor para você aqui.</p>
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		<title>O beijo</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jun 2011 03:13:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Ela chegou perto, muito perto&#8230; Rosto rente ao meu rosto. Instantes infinitos. Senti o calor da sua pele, da sua respiração. Tão próxima que era impossível não acontecer. Com o coração disparado ainda olhei profundamente seus olhos, antes de fechar os meus. Um abrir delicado de lábios que queimavam de vontade. Rápido, muito rápido. Apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela chegou perto, muito perto&#8230; Rosto rente ao meu rosto. Instantes infinitos. Senti o calor da sua pele, da sua respiração. Tão próxima que era impossível não acontecer. Com o coração disparado ainda olhei profundamente seus olhos, antes de fechar os meus. Um abrir delicado de lábios que queimavam de vontade. Rápido, muito rápido. Apenas os lábios. E, neste momento, foram mais que nossas bocas se tocando, as almas é que se beijaram. Em um segundo eu vivi a eternidade. De súbito, se afasta. Olha-me profundamente. Acena com a cabeça, ainda me olhando fixamente, que sim: somos nós! Nos encontramos. Levantou impetuosamente suas asas, e se foi. Tão rapidamente quanto chegou. Levando consigo a certeza do que também sentiu. E de que ainda voltaria. Para, dessa vez, ficar.</p>
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		<title>Em primeira pessoa</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jun 2011 05:01:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[As portas e janelas estão fechadas. Não consigo respirar direito. Há fumaça por todos os lados. Tusso muito. Ouço os estalos das madeiras. Cada vez mais altos. Tudo caindo. Queimando, queimando&#8230; O fogo se alastra muito rápido, aumenta demasiado, não consigo mais fugir. Nem me proteger. As labaredas atingem meu corpo. A dor me dilacera. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As portas e janelas estão fechadas. Não consigo respirar direito. Há fumaça por todos os lados. Tusso muito. Ouço os estalos das madeiras. Cada vez mais altos. Tudo caindo. Queimando, queimando&#8230; O fogo se alastra muito rápido, aumenta demasiado, não consigo mais fugir. Nem me proteger. As labaredas atingem meu corpo. A dor me dilacera. O cheiro é horrível. O calor insuportável. Peço a Deus que acabe logo. Passo as mãos em meu rosto. Não tenho mais orelhas. Vejo meu corpo se definhando, minha pele derretendo. Estou desesperada. E não há mais o que fazer. Então fecho meus olhos. Se é que ainda existem. E tudo parece uma eternidade. Paro de gritar. De me esconder. Já não estou mais aqui. Vejo seus olhos. Encontro paz e alívio neles. Estou incrivelmente serena agora. Já não sinto dor. E caminho em direção ao seu olhar. Cada vez mais perto. Mais perto. Meus sentidos vão se perdendo. Enquanto eu me encontro. Com ele. E adormeço tranqüila em seus braços. Agora somos um. Para sempre.</p>
<p><em>Rascunhos de &#8220;Eiffel&#8221;, trecho que provavelmente não entrará no livro.</em></p>
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		<title>A minha morte</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2011 03:47:11 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Na praia, ao mar, ao vento; nos braços da tão amada: assim sonho minha morte. Desde que triste sorte, ao pó: morrerei só. Eu, e a liberdade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na praia, ao mar, ao vento; nos braços da tão amada: assim sonho minha morte. Desde que triste sorte, ao pó: morrerei só. Eu, e a liberdade.</p>
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		<title>Protegido: Amor e outras coisas impossíveis</title>
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		<pubDate>Tue, 24 May 2011 22:27:41 +0000</pubDate>
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		<title>Reencarnação</title>
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		<pubDate>Tue, 24 May 2011 01:25:32 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Antigamente o amor morria de velhice. Depois começaram a abreviar sua vida. Matavam-no em idade adulta. Então jovem. Então criança. Agora simplesmente o abortam.</p>
<p>(Mas eu acredito em reencarnação.)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Contagioso</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2011 22:27:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Não entendo. Trago na alma, na pele e nos olhos essa paixão, essa singela vontade de compartilhar a beleza, o encanto, o assombro&#8230; A alegria. A necessidade louca, ingênua e ridícula de acreditar, criar e viver milagres, juntos. E, ao mínimo esboço de aproximação, as pessoas fogem. Sem mais nem menos. Cheguei a essa conclusão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não entendo. Trago na alma, na pele e nos olhos essa paixão, essa singela vontade de compartilhar a beleza, o encanto, o assombro&#8230; A alegria. A necessidade louca, ingênua e ridícula de acreditar, criar e viver milagres, juntos. E, ao mínimo esboço de aproximação, as pessoas fogem. Sem mais nem menos. Cheguei a essa conclusão hoje: amor é doença grave e eu sou perigosamente contagioso.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mendigo</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Apr 2011 03:57:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cansado de estender a mão, assim, tentando tocar um coração. Uma vida. Uma pessoa. Sei de tanta coisa. Dos milagres que acontecem quando duas mãos se tocam. Quando dois corações se permitem ser trocados. Quando o sorriso se abre junto do abraço. E alguém lhe recebe para dentro de sua vida. Sim, eu sei de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cansado de estender a mão, assim, tentando tocar um coração. Uma vida. Uma pessoa. Sei de tanta coisa. Dos milagres que acontecem quando duas mãos se tocam. Quando dois corações se permitem ser trocados. Quando o sorriso se abre junto do abraço. E alguém lhe recebe para dentro de sua vida. Sim, eu sei de todos os milagres que não sei como serão, mas sei que serão, que são quando alguém se abre assim para o outro. Continuo&#8230; Não sei até quando. Porque estou mesmo cansado de estender a mão para tocar alguém. E não ter a gentileza de ser tocado de volta. De passar as noites velando, olhando por quem não me enxerga. A mão no espaço, ao vento, sem serventia. Em vão. Na multidão. Nem uma pessoa. Sim, ao menos uma pessoa. Um mendigo que não quer esmola. Mas quer dar todo o amor que aprendeu e tem. E precisa ser amado. É isso. Sou um mendigo que ninguém vê. Nem mesmo você.</p>
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		<title>À Cega</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Apr 2011 03:09:09 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[Se não entende minhas palavras, procure pelas entrelinhas da minha voz. Se não encontra o que eu sinto nelas, molhe-se nas minhas lágrimas. Se forem indecifráveis, mergulhe em minha alma, através do meu olhar, no fundo dos meus olhos. Se ainda assim não enxerga nada, e só encontra o vazio, outro homem ou puro reflexo&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se não entende minhas palavras, procure pelas entrelinhas da minha voz. Se não encontra o que eu sinto nelas, molhe-se nas minhas lágrimas. Se forem indecifráveis, mergulhe em minha alma, através do meu olhar, no fundo dos meus olhos.</p>
<p>Se ainda assim não enxerga nada, e só encontra o vazio, outro homem ou puro reflexo&#8230; É porque se perdeu. Se enganará que não há razão nenhuma para prosseguir e me descobrir, que não há nada em mim que se possa querer ou amar.</p>
<p>Meu coração, porém, continuará aberto, minha alma e meu corpo continuarão nus, sedentos e sem defesas, esperando para serem tocados.</p>
<p>(Não há nada de indecifrável.)</p>
<p>Fosse a mulher da minha vida, me veria e me reconheceria. E meus olhos&#8230; Os compreenderia desde o primeiro instante.</p>
<p>(Eu existo, mesmo que você nunca me veja.)</p>
<p>A &#8220;mulher da minha vida&#8221;?  Que disparate! Existe?</p>
<p>Pois ouse tornar-se. Seja!</p>
<p>_______________<br />
<em>(Adaptação e reedição do texto &#8220;Interior&#8221; escrito em 06/06/2006.)</em></p>
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		<title>Cora Linda</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2011 22:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Como se os olhos nascessem de um manto escuro, revelando suas cores Onde nem se escondiam mas, distraídos, outros cerravam-lhes em pudores Raro brilho, simples e enigmático, pintando as paisagens de sonhos e flores Andando, criança curiosa e encantada, levada menina, a conquistar amores Leva as palavras e a cada qual inventa uma nova sina: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como se os olhos nascessem de um manto escuro, revelando suas cores<br />
Onde nem se escondiam mas, distraídos, outros cerravam-lhes em pudores<br />
Raro brilho, simples e enigmático, pintando as paisagens de sonhos e flores<br />
Andando, criança curiosa e encantada, levada menina, a conquistar amores</p>
<p>Leva as palavras e a cada qual inventa uma nova sina: palco, voz, dançarina<br />
Ilumina pelo caminho, onde pressinto e não adivinho, um mar e tanto carinho<br />
Na ousadia, na fome, na surpresa&#8230; Na poesia, no nome, na beleza que fascina<br />
Nesse meu rosto farto de dias, na minha face que cora, o olhar que ora imagina<br />
Aonde me levarão suas mãos, anjo-passarinho, nas manhãs em que desatinas?</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A paixão, segundo eu mesmo</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Feb 2011 04:03:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Obrigada e desejo felicidades também, mas estou namorando, seja feliz. Por favor, não me escreva mais. Tudo de bom.” “Preciso me apaixonar de novo.” Disse isso para uma amiga e um amigo, ali na mesa, entre os sucos, os lanches e entre outras mesas com pessoas que pareciam tanto querer mostrar que estão felizes, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Obrigada e desejo felicidades também, mas estou namorando, seja feliz. Por favor, não me escreva mais. Tudo de bom.”</em></p>
<p>“Preciso me apaixonar de novo.” Disse isso para uma amiga e um amigo, ali na mesa, entre os sucos, os lanches e entre outras mesas com pessoas que pareciam tanto querer mostrar que estão felizes, mas sem parecer saber o que é isso de verdade. É isso: preciso me apaixonar de novo. Eu fantasio, fantasio, fantasio. Tenho inventado historinhas na minha cabeça, criado possíveis romances, mirabolantes possibilidades&#8230; (Parece coisa de criança, e é mesmo.) Depois de ter achado que isso, me apaixonar, não aconteceria nunca mais, que eu não queria mais, que não era mais possível. E talvez não aconteça mesmo nunca mais, talvez nem seja mais possível, mas tenho descoberto que eu quero. Mais que quero, preciso mesmo. Porque sou movido pela paixão. Só vivo quando apaixonado. Caso contrário, apenas sobrevivo.</p>
<p>Algumas pessoas diriam: “apaixone-se por si mesmo”. É, eu concordo. Importantíssimo é estar apaixonado por si mesmo. Se não for possível, por algum ideal. Se não, por alguma coisa. Qualquer que seja. É importante. Mas eu estou falando de me apaixonar por outra pessoa mesmo. Quero tanto e tanto que alguém me encante de novo. Quero desesperadamente ver no espelho de novo esse brilho nos meus olhos. Fazer aquelas coisas mais loucas, mais deliciosas e sem sentido, mas com todo o sentimento, por alguém. (Até que ponto a gente ama uma pessoa ou ama como se sente quando está amando aquela pessoa? Eu não sei, não tenho a resposta.)</p>
<p>Acho que as pessoas procuram muito um grande amor na vida. Parece que isso é muito importante para elas. (Eu não acho que um grande amor seja importante: para mim é imprescindível.) Então, quando a gente começa a falar das dores, da falta, do vazio&#8230; Elas chegam e dizem: “tenha esperança, um dia você ainda vai encontrar”. Acontece que eu já encontrei. Como vou lhes explicar isso? Como explicar cor para quem é cego? Eu já encontrei o amor da minha vida. Sei como é. Vivi. E foi muito mais lindo e muito melhor e muito mais mágico do que eu poderia ter imaginado ou fantasiado alguma vez antes. E foi real. Foi de verdade. Então, um dia, ela decidiu que tudo isso era demais pra ela. Que não merecia. Que não me merecia. Que não me amava do jeito que eu merecia. Ou que não se amava. Ou sei lá. A gente diz tanta coisa quando acha que é, depois descobre que era diferente, mas aí acha que já não tem como dizer ou, pior, acha que não vale mais à pena dizer. O fato é que sabíamos, ambos, como foi. Como era. E como seria. (Eu ainda sei.) E, ainda sim, não permanecemos juntos, não estamos juntos. (Quando um não quer, dois não vivem um romance.)</p>
<p>Ou, então, elas, as pessoas, dizem: “é bom ficar sozinho por um tempo, se reorganizar, por os pensamentos e sentimentos em ordem”. Eu fiz isso, juro. Fiz isso. E nem tinha como ser diferente. Foi o que me restava. A única coisa que poderia/conseguiria fazer. Antes disso, ninguém sabe o quanto foi dolorido. Imagine o grande amor da sua vida morrendo. É&#8230; Vocês estão no auge e numa bela hora a pessoa morre. Dói só de imaginar, né? Só que ela continuava (e continua) viva. Se tivesse morrido, acabava me conformando. A gente acaba sempre se conformando com a morte (destino de quem vive). Mas ela continua viva. (Lá fora, em algum lugar. E aqui, dentro de mim.) Reaprendi a estar só e razoavelmente bem. Encontrado outros interesses, coisas para aprender, lugares para ir. Reaprendi, depois de tanta dor, a me encantar com coisas simples. (Porque todas as coisas lindas, mágicas e simples me remetiam a ela.) Flor, borboleta, cão dormindo&#8230; Céu, nuvem, rio. Essas coisas. Tenho descoberto amigos, saído, me divertido. Enfim&#8230; Tenho tentado recuperar o gosto e o sabor. O tesão. E tenho conseguido. Mas, isso tudo posto, falo com uma serenidade que me espanta: preciso muito me encantar por alguém de novo. Estar apaixonado, me apaixonar. Não sei viver de outra forma.</p>
<p>Eu, que me &#8220;apaixonava&#8221; tão facilmente&#8230; Que saía de um relacionamento e já entrava em outro. Que quando não me apaixonava, inventava que estava e depois de tanto teimar que estava apaixonado acabava ficando mesmo (com ela não foi assim). Aprendi a estar só (ou aceitar que estou só, que talvez todos estejamos). Mas, sai ano e entra ano e não tem dado certo isso de ficar sozinho (tampouco as tentativas de não ficar). Não que a queira novamente, que ache possível estarmos juntos de novo. (Das últimas vezes que nos vimos ou conversamos, ela fez questão de deixar clara essa impossibilidade. Embora ela nunca tenha conseguido explicar por quê e a derradeira tentativa de &#8220;estou namorando&#8221; também não explicar nada. E eu continuo mentindo pra mim mesmo que não quero, que também não acho possível. Acho que fica mais fácil. Quem sabe um dia eu mesmo também acredite nisso?) E talvez nem fosse bom, nem para um nem para o outro, uma volta. Mesmo que ainda doa muito de vez em quando, há tanta alegria em certas lembranças&#8230; A magia, a beleza, o encanto. Talvez seja isso que precisemos guardar. Ou melhor, que eu precise. Só posso falar por mim.</p>
<p>Mas eu quero muito, preciso tanto me apaixonar novamente. Alguém por quem eu me apaixone novamente. E que chegue e me diga, sem precisar dizer nada: “Olha, tudo isso que você viveu foi lindo, importante e marcante&#8230; Mas o amor da sua vida mesmo sou eu. Aquilo era um rascunho, por mais arte-final que parecesse. Sou, ao mesmo tempo, a sua paz e seu maior desafio. E sei que você é capaz de viver plenamente este amor. Sei que somos. Porque agora a história é outra. Porque somos outros. Porque eu tenho coragem. Porque eu não vou fugir. Porque eu quero viver a história toda. Porque eu daria minha última gota de sangue por você. Porque sei que faria o mesmo por mim. Porque eu também te quero. E não tenho medo de você. Nem de mim. Porque eu quero criar com você, juntos, tudo que sonharmos. E viveremos e descobriremos coisas ainda tão mais lindas, meu amor. Porque eu te amo e serei sua parceira de agora em diante. Porque eu também sou perdidamente apaixonada por você!”</p>
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		<title>A francesa</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Feb 2011 19:29:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A rosa vermelha encontra a mão da moça. A francesa. Em seu vestido estampado. De rosas. Escuro. De longe via os olhos tristes. (Por que sempre sou atraído pelas de olhos tristes?) Ela diz que há muito que um homem não lhe dá flores assim. E abre um lindo sorriso. Desenha no ar o mapa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A rosa vermelha encontra a mão da moça. A francesa. Em seu vestido estampado. De rosas. Escuro. De longe via os olhos tristes. (Por que sempre sou atraído pelas de olhos tristes?) Ela diz que há muito que um homem não lhe dá flores assim. E abre um lindo sorriso. Desenha no ar o mapa do país, mostra-me de onde veio. Quer saber de onde vim. Para onde vou. E eu nem me lembro. Seu sotaque simplesmente me inebria. Apenas continuo a criar o diálogo à esmo para poder continuar ouvindo. E contemplando. Um rosto de traços tão singelos. E de uma dor, tão profunda, receio. Maturidade forçada e forjada sabe-se lá por quais histórias num corpo tão jovem. Ainda lhe diria que há tempos um sorriso de mulher não me encanta assim. Que criaria para mim uma nova vida e lhe daria. Dia após dia, como uma nova rosa em cada dia. Em cada noite. Sem esperar nada em troca, que não o seu amor. Ainda que não saiba, ainda que isso lhe diria, antes dela vir e se despedir. E eu ficar, à francesa.</p>
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		<title>Um barco</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 03:29:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estava aqui pensando… Parece haver um senso comum de que a maioria das pessoas está procurando (ou esperando) um grande amor em suas vidas. Pelo menos é isso que tenho ouvido aqui e acolá, de várias formas, de um jeito ou de outro. Parece-me justo. Um grande amor, viver um grande amor, dá um certo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava aqui pensando… Parece haver um senso comum de que a maioria das pessoas está procurando (ou esperando) um grande amor em suas vidas. Pelo menos é isso que tenho ouvido aqui e acolá, de várias formas, de um jeito ou de outro. Parece-me justo. Um grande amor, viver um grande amor, dá um certo sentido maior à existência, à vida… Torna possível colocar em prática o que desconfiamos na teoria. Amar… Amar e ser amado, é claro. Porque &#8220;amor&#8221; deveria rimar com &#8220;dor&#8221; e &#8220;paixão&#8221; com &#8220;solidão&#8221; apenas nas músicas (ditas) sertanejas. Amor rima com esplendor. Paixão com tesão. Tesão pela outra pessoa, por si mesmo, pela vida. Por estar vivo e viver cada momento. Poder descobrir e encantar-se. Com tudo. Cada nuança, cada detalhe.</p>
<p>Mas, de verdade, eu não vejo as pessoas procurando um grande amor. As vejo fugindo desse grande amor. De formas sutis ou exageradas, mas sempre fugindo.</p>
<p>Como um bom <em>voyeur</em>, eu adoro ver. É claro. Mas não apenas corpos. Adoro ver os olhos. Desvendar as almas. Preciso enxergá-las. Tudo que uma pessoa é, e não é, e ainda não é, mas pode vir a ser. O que será. Descobrir, construir, inventar. Quem é, quem sou, quem somos. Juntos. Porque, de certa forma, como também acreditava Caio Fernando Abreu, penso que amar é conseguir ver e desamar é não conseguir ver. Mas é preciso também que queiram ser vistas. Que não se escondam. É preciso que se mostrem. Plenamente. Que não tenham medo. Que se arrisquem. Pelo menos um pouquinho, até perceberem que não precisam ter medo.</p>
<p>Às vezes desconfio que consigo ver mesmo quando se escondem. Mas isso dá um trabalho danado. Porque elas mesmas não querem descobrir quem são. E têm um medo absurdo de quem demonstra um mínimo sinal de que está vendo mais do que elas querem que seja visto.</p>
<p>De novo, parece haver um senso comum de que a maioria das pessoas está procurando saber quem elas mesmas são. Mas não é isso que vejo. Vejo a maioria das pessoas usando de todos os artifícios imagináveis e inimagináveis para fugir dessa descoberta. Todo e qualquer método de distração é válido pra isso. Têm medo do que podem encontrar? Não sei… Elas talvez pudessem responder. Se estivessem interessadas verdadeiramente na resposta. E, principalmente, na pergunta.</p>
<p>Vamos lá… As pessoas colocam fotos no Facebook, citam textos no Twitter, preenchem lá os formulários falando quais são seus gostos, preferências. Filmes, músicas, livros… Então estão se mostrando, né? Não… Estão criando numa vitrine uma versão de si de como gostariam que os outros pensassem que elas são. Em boa parte das vezes. Como diz Humberto Gessinger: &#8220;todo mundo era poeta, todo mundo era atleta, todo mundo era tudo&#8221;. Todo mundo é tudo. O mais legal, o mais popular, o mais culto, o mais bonito, o mais descolado, o mais… Ou, pelo outro lado, o mais injustiçado, o mais carente, o mais triste, o mais incompreendido. E ninguém é mais quem mesmo é. Alguém que está no mesmo barco que todos os outros, sem respostas, frágil, querendo descobrir o que é isso de ser feliz. Por experiência, e não por ouvir falar. Querendo tão somente amar e ser amado. De verdade. Sem disfarces, sem precisar ser quem não é. Saber que ser o que é, é suficiente. Não precisa de mais nada. Ter alguém com quem deitar na grama e olhar o céu. Rir, errar, fazer palhaçadas, chorar… Viajar. Caminhar. Criar. Brincar. Aprender. Ser humano. Ser tudo que pode ser, enfim.</p>
<p>Tudo bem… Nem todo mundo está criando uma versão panfletária (e inútil, já que não pode ser tocada) de si mesmo. Alguns realmente se mostram. Como são. Ou o que é possível mostrar em tão pouco tempo e em tão pouco espaço. (Seja na Internet ou em qualquer outro lugar, &#8220;virtual&#8221; ou físico.) Mas recuam quando começam a serem mesmo vistos. É que há um problema aí. Se se mostrarem realmente pode ser que alguém se encante. Que se apaixone. Que queira ir mais adiante. Que queira ver tudo. (Mesmo que ver tudo seja eternamente impossível. Daí a graça. Tudo muda, tudo se expande.) Descobrir. Viver um grande amor. Só que… Quem estava até então se mostrando não está procurando de verdade um grande amor. Apenas quer saber se há uma possibilidade disso acontecer. Pronto, já sabe. Pode se esconder de novo. Porque, de verdade, está mesmo fugindo de um grande amor. E não procurando (ou esperando) por ele.</p>
<p>Vai que ela mesma se apaixone também? Vai que não dê certo? Vai que sofra? E eu pergunto: Vai que dê certo? Vai que sejam mesmo o amor da vida um do outro? Como saber se não tentarem? Se não permitirem? Se não se permitirem?</p>
<p>Estou com dificuldade em dizer o que realmente queria dizer. Mas fico imaginando… Quantos amores deixam de acontecer porque as pessoas simplesmente não querem ser vistas e também não querem ver. Porque preferem viver à espera do que viver realmente. Se arriscar. Dar certo, errado… Não importa. É preciso haver essa aproximação. Deixar que ela aconteça.</p>
<p>Quem sabe um primeiro passo? Que precisa de outros. Mas é um começo. E tudo sempre começa com um primeiro passo. Qualquer jornada. Uma pequena ousadia. Uma iniciativa. Simples que seja. Sim, eu faço. Mas é preciso também resposta, reciprocidade, espaço.</p>
<p>E talvez isso tudo seja mesmo pra dizer que eu vejo a moça. A enxergo. Que estou encantado… Que sei que posso amá-la e ser amado por ela. Sei que podemos viver qualquer coisa que desejarmos viver. Que parecemos ter tantos valores, gostos e sonhos semelhantes. Que seria incrível descobrir também nossas diferenças. E então aprender um com outro. E crescermos juntos. Enriquecer a vida um do outro. Encher de alegria e desafios a vida um do outro. Dizer que estou mesmo encantado pelo que sente, pelo que pensa, pelo que diz, pelo que sonha&#8230; Por seu corpo, por sua tatuagem, por seu rosto, por seu sorriso, por seu olhar. Por tudo que podemos viver. Mesmo que seja tudo diferente do que imagino. Eu quero descobrir. Se ela ao menos me deixasse entrar… Ou, pelo menos, quisesse também me enxergar. Sei que ela poderia se encantar comigo também. Mas eu não posso entrar. Ela não deixa. Porque não está procurando um grande amor. Está fugindo. Talvez o que mais queira na vida é alguém que olhe em seus olhos e, nesse momento, saiba que lá está quem a vê verdadeiramente. E ama o que vê. Quem vê. Mas ela foge&#8230; Porque acha melhor bater a porta na cara da felicidade. Depois de tanto tempo esperando. Por conta de um medo antecipado de perdê-la. De não a merecer. De não ser boa o suficiente para que a felicidade fique. Então dá uma olhadela pelo olho-mágico e pensa: &#8220;Tá vendo? Eu podia ser feliz se quisesse.&#8221; E então volta pra dentro. E se recolhe.</p>
<p>Enfim… Um amor que poderia acontecer. Que pode acontecer. Mas é preciso tocar a vida da outra pessoa e deixar-se tocar por ela.</p>
<p>Nunca tive medo disso. Pelo contrário, me arrebento inteiro achando que é de verdade que alguém quer ver e ser vista. Que quer mesmo saber quem é, quem sou e descobrir quem somos. Quem seremos. E que quer fazer isso juntos. Arrebento-me pra valer, mas continuo não tendo medo. Já me disseram que sou &#8220;único&#8221;. Não pode ser verdade. Não quero ser único. Deve haver pelo menos mais uma pessoa que não tenha medo. Quer dizer que não tenho par? Que sou eu o único alienígena por aqui? Duvido.</p>
<p>Tenho visto as pessoas ficando cada vez mais sós e reclamonas. Da vida. Do dia-a-dia. De tudo. Por não serem amadas. Por não poderem exercer plenamente sua capacidade de amar. De viver. Sem se dar conta que isso pode ser mudado num instante. Se ao menos quisessem. Ou tivessem um tiquinho de coragem. E então se lançassem. Infinitamente.</p>
<p>Se ao menos conseguissem se apaixonar por si mesmas…</p>
<p>Sei lá o que quero mesmo dizer. Estou divagando. É que me aflige tanto desperdício. Em tantos lugares. Tantas pessoas. Tanta coisa linda pra acontecer que não acontece. E tem aquele negócio, né?, &#8220;todo mundo é uma ilha&#8221;&#8230; O que quero mesmo dizer é que eu sou um barco.</p>
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		<title>As Sete Cidades</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Jan 2011 18:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Por quanto tempo&#8221;, eu perguntei, &#8220;manter-me-ão nesta prisão?&#8221; — Vim de terras longínquas e mágicas. Onde entre as mulheres há doce e delicada beleza. Entre os homens honra e dignidade. Onde a verdade e a alegria brilham nos olhos puros de cada pessoa. Onde conversamos com árvores e elas nos abraçam e nos dão de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Por quanto tempo&#8221;, eu perguntei, &#8220;manter-me-ão nesta prisão?&#8221;</p>
<p>— Vim de terras longínquas e mágicas. Onde entre as mulheres há doce e delicada beleza. Entre os homens honra e dignidade. Onde a verdade e a alegria brilham nos olhos puros de cada pessoa. Onde conversamos com árvores e elas nos abraçam e nos dão de seus frutos. Onde os animais nos são queridos irmãos. Onde nossas filhas são graciosas e nossos filhos são fortes. Onde crescem livres pois sabem que o medo é uma mentira. Que há abundância em todas as coisas e nada lhes será negado. E que tudo lhes pertence, e por isso não precisam de posses tampouco disputas. Pois tudo é de todos. Onde o alimento alimenta mais que ao corpo; à alma. Onde o trabalho é satisfação e prazer. Onde a arte é vida. Onde dançamos, em volta de fogueiras, as deleitosas músicas que nos foram presenteadas por nossos ancestrais. Onde os ventos cantam nossos nomes e a água nos guia para desafiadores aprendizados. Onde nossas mães e nossos pais nos sabem com orgulho e nos abençoam com sua sabedoria. E nós os retribuímos com nosso profundo respeito e admiração. Onde a terra nos enche de coragem e as estrelas de inspiração. Onde cada menor criação sabe quem somos. E nós as sabemos. Onde o único soberano é o Amor. E a única lei é a Liberdade.</p>
<p>Pois eu volto a perguntar: &#8220;Até quando manter-me-ão trancafiado nessa terra vazia e árida de magia e nobreza? De amor e liberdade?&#8221;</p>
<p>Então uma voz respondeu-me: &#8220;Nós existimos porque tu em teus desesperos nos criaste. Porque em tua falta de fé nos fez assim. Nunca estiveste preso. Sempre foste, és e serás livre. Seres livre, porém, é uma decisão tua, não nossa. Sim&#8230; É uma escolha. Se escolheres a prisão em pouco tempo não te lembrarás mais de onde vieste e até mesmo quem tu és. Que escolhas então a liberdade. Para que também sejamos livres e a magia possa retornar a ti, aos teus olhos e ao teu coração. E tu a ela. É esta a tua hora, meu Senhor. É tua esta decisão. E não mais poderás adiá-la. Escolhe. Confiamos em ti e em teu destemor. Acreditamos a tua essência, a tua coragem e a tua ousadia. Escolhe!&#8221;</p>
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		<title>Prece</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Dec 2010 06:35:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desejo que a sua vida inteira seja abençoada, cada pequenino trecho dela, em toda a sua extensão. Que cada bênção abrace também as pessoas que ama e seja tão vasta que leve abraço a outros tantos seres, sobretudo àqueles que mais sofrem, seja lá por que sofrem. Desejo que os nós que apertam o seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Desejo que a sua vida inteira seja abençoada, cada pequenino trecho dela, em toda a sua extensão. Que cada bênção abrace também as pessoas que ama e seja tão vasta que leve abraço a outros tantos seres, sobretudo àqueles que mais sofrem, seja lá por que sofrem. Desejo que os nós que apertam o seu coração sejam gentilmente desatados e que os sentimentos que os formaram se transformem na abertura capaz de criar belos laços de afeto. Desejo que o seu melhor sorriso, esse aí tão lindo, aconteça incontáveis vezes pelo caminho. Que cada um deles crie mais espaço em você. Que cada um deles cure um pouco mais o que ainda lhe dói. Que cada um deles cante uma luz que, mesmo que ninguém perceba, amacie um bocadinho as durezas do mundo.</p>
<p>Desejo que volte para o seu mar quantas vezes forem necessárias até encontrar o seu tesouro. Que quando encontrá-lo, não seja avarento. Que descubra maneiras para compartilhar a sua felicidade, o jeito mais gostoso para se expandir a riqueza. Desejo que quando os ventos da mudança ventarem mais forte, e sentir medo de ser carregado junto com tudo o que parecerem arrastar, você já conheça o lugar onde nada pode arrastá-lo. Que já saiba maneiras de respirar mais macio, quando as circunstâncias lhe encurtarem o fôlego. Que, com o passar do tempo, a sua alma se torne cada vez mais maleável, mas que seja firme o bastante para nunca desistir de você.</p>
<p>Desejo que tudo o que mais lhe importa floresça. Que cada florescimento seja tão risonho e amoroso que atraia os pássaros com o seu canto, as borboletas com as suas cores, o toque do sol com seu calor mais terno, e a chuva que derrama de nuvens infladas de paz. Desejo que, mais vezes, além de molhar só os pés, você possa entrar na praia da poesia da vida com o coração inteiro e brincar com a ideia que cada onda diz. Que, ao experimentar um caixote ou outro, não se arrependa por ter entrado na água, nem desista de brincar. Todo mundo experimenta um caixote ou outro, às vezes um monte deles, quando se arrisca a viver. O outro jeito é estar morto. O outro jeito é não sentir.</p>
<p>Desejo que não tenha tanta pressa que esqueça de colher estrelas com os olhos nas noites em que o céu vira jardim, e levar para plantar no seu coração as mudas daquelas mais luzentes. Que tenha sabedoria para encontrar descanso e alimento nas coisas mais simples da vida. Que a cada manhã a sua coragem acorde bem juntinho de você, sorria pra você, e o convide para viverem uma história toda nova, apesar do cenário aparentemente costumeiro. Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça.</p>
<p>Desejo que encontre maneiras para se fazer feliz no intervalo entre o instante em que cada dia acorda e o instante em que ele se deita pra dormir, porque a verdade é que a gente não sabe se tem outro dia. Que quanto mais passar a sua alma a limpo, mais descubra, mais desnude, mais partilhe, com medo cada vez menor, a beleza que desde sempre você é. Que se sinta livre e louco o bastante pra deixar a sua essência florir.</p>
<p>Não importa quanto tempo passe, não importa onde eu esteja, não importa onde esteja você, abra os olhos pra dentro e ouça: o meu coração estará dizendo esta mesma prece de amor para o seu. Amor incondicional, exatamente como neste instante. Não importa o quanto a gente mude, o quanto a distância aparente nos afastar, isto que sinto por você, eu sei, não muda nunca mais.</p></blockquote>
<p>(&#8220;Prece para quem se ama&#8221;, Ana Jácomo)</p>
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		<title>Ainda que seja de noite&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2010 21:17:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[O vento dança com as rosas, vermelhas, belamente, nos jardins que agora mais perto vejo. Brinca também com meu rosto. Traz-me os carinhos de mãos doces que, mesmo não as vendo, as sinto. Perto. Muito perto. Meus mestres que já foram, mas que de quando em quando retornam. Para me visitar. E os que me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O vento dança com as rosas, vermelhas, belamente, nos jardins que agora mais perto vejo. Brinca também com meu rosto. Traz-me os carinhos de mãos doces que, mesmo não as vendo, as sinto. Perto. Muito perto. Meus mestres que já foram, mas que de quando em quando retornam. Para me visitar. E os que me presentearam com sua vinda e aqui ainda estão. O meu caminho é simples. Despojar-me das vestes imundas do egoísmo, do orgulho e da vaidade, para que eu também retorne. Limpo. Nu. Livre. Assim como nasci.</p>
<p>Mas, antes, entre meus passos, reencontrar, reconhecer cada membro da minha família. Que se forma ao longo da jornada. Adotar novos. Ter a honra de ser também adotado por eles.  Aprender a amar. Os que me ensinam, dia após dia, o que é o amor. Tocar a vida de cada um. E ser tocado. Para que, além de aprender, eu possa ter também algo a ensinar. O respeito pela liberdade. Pela própria liberdade. Exercê-la. Para que possa aprender também a entender, a respeitar e a querer a liberdade de cada um. Pelas igualdades que nos unem. Pelas diferenças que são belas e ampliam nossos horizontes. A diversidade. Lindos jardins a se formar de tantas e tantas flores. E tantas formas. E tantas cores. A beleza que há em tudo. Que me sobrecarrega os sentidos. E me criam lágrimas e sorrisos. Que me enche de vida.</p>
<p>Aprendi a amar a escuridão, completa, porque ela me ensina o valor do dia. Aprendi a amar o dia, e o sol grandioso, imponente e humilde, que nasce e me ensina o valor da escuridão. E sabe a hora apropriada de se recolher. À sua maneira, de artista, criando belos quadros no céu. Nunca iguais. Sempre divinos. E então se vai, para que possamos admirar também a beleza da lua e de todas as estrelas. Vai iluminar a outra face. E então retorna, alegre e vivo, para nossa alegria. E para a nossa vida.</p>
<p>Não vejo mais pelo que me debater. Nem a razão de debates. Já não me incomodam as respostas. As que penso ter e as que ainda não tenho. Amo as perguntas. Não me importa mais qual o destino. Aprendi a amar o caminho. Intenso. Imenso. Diverso. Belo. Eterno e ininito.</p>
<p>A mim o ampliar de meu olhar. O perceber a abundância de amor em tudo. O expandir do meu coração. A gratidão pelo que já foi. O encanto pelo que é. A vontade pelo que há de ser.</p>
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		<title>Singeleza</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 12:17:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sei como dizer. Não haveria como dizer com palavras. Mas, se elas dissessem o que queria dizer, diriam algo de brisa a beira mar, de pés descalços na areia, de liberdade. Diriam girassóis. Diriam rosas e beija-flores. Diriam de um olhar limpo e amoroso. De sorrisos simples. De orvalho e cheiro de manhãs. De [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei como dizer. Não haveria como dizer com palavras. Mas, se elas dissessem o que queria dizer, diriam algo de brisa a beira mar, de pés descalços na areia, de liberdade. Diriam girassóis. Diriam rosas e beija-flores. Diriam de um olhar limpo e amoroso. De sorrisos simples. De orvalho e cheiro de manhãs. De carinhos na alma. De alegrias-crianças brincando leves pelos jardins. De vôos coloridos de borboletas. De noites iluminadas. Pela lua, por estrelas, por vaga-lumes. Pela abundância de boa vontade e admiração. De gratidão. De espontânea ousadia. De confiança em sentir, sem medo. Da generosidade de doar-se a quem vibra e sabe naturalmente o valor do presente que recebe. De milagre. De magia. De vida. Da saudade que sinto de você agora. De como você é bonita e bonita é essa saudade.</p>
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		<title>Ronronando…</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Oct 2010 06:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu digo que te amo. Você me pergunta, deitada em mim, sorrindo aquele sorriso que é só seu – e, em meus devaneios egocêntricos, também meu – por quê. E são tantos os motivos que eu não sou capaz organizá-los em uma lista, como pede sua apaixonante sensatez. Ainda mais quando sou desafiada por esse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Eu digo que te amo. Você me pergunta, deitada em mim, sorrindo aquele sorriso que é só seu – e, em meus devaneios egocêntricos, também meu – por quê. E são tantos os motivos que eu não sou capaz organizá-los em uma lista, como pede sua apaixonante sensatez. Ainda mais quando sou desafiada por esse tal sorriso que desarma – e, na seqüência – arma. Ainda mais quando tenho você em mim, só para mim, mais minha do que jamais alguém foi – cabelos descansando sobre o meu peito, mãos passeando pelo meu corpo, olhos vasculhando minha alma. Como raciocinar com um barulho desses? Então, para seu entretenimento, e para manter esse sorriso me olhando, vou jogando motivos no universo, sem método ou lógica. Mas, sozinha no silêncio do meu quarto, pensando em você, e nos motivos que me levam a te amar desse jeito tão puro, tão forte, tão sincero, fica muito fácil responder.</p>
<p>Eu te amo porque você chegou sorrateira, como quem não quer nada, mas vestida desse sorriso que é capaz de parar indústria e comércio. Te amo porque você me lê, me dá bola, me embala. Te amo porque você tem mãos lindas, cabelo brilhante, pele cheirosa. Porque você é alta, inteligente e sarcástica. Te amo porque você sabe meus truques, porque você tem olhos de jabuticaba, porque você gosta dos meus piores defeitos. Porque você é adoravelmente arrogante, porque você mexe a cabeça quando dança, porque você dorme com os pés para fora do cobertor. Porque você gosta de Pearl Jam, Ben Harper e Paul Van Dyke, mas também de Chico, Ivone Lara e Roberto Carlos. Porque você torce para um time que eu odeio, porque você acha que meus olhos são os mais bonitos do mundo e porque você entorta a boca de um jeito sapeca quando fala alguma coisa para me provocar. Porque você não precisa de ninguém e, ainda assim, vive rodeada por várias tribos. Porque você mudou de casa para deixar que nossa história pudesse acontecer, porque você nunca teve medo de me deixar entrar, porque você considera me deixar ficar. Porque você ouve a música da vida, e é a mesma que eu ouço, e não vê outra forma de passar por aqui que não seja com ritmo. Porque você inventou a chubby dance, tem um creme para cada ocasião e lê os livros que eu recomendo. Porque você beija como ninguém, mexe no meu cabelo e faz amor olhando nos meus olhos. Porque você me coça, coloca o despertador para tocar uma hora antes do necessário só para poder me namorar enquanto eu ainda durmo, porque você toma banho de manhã e, logo depois, volta para a cama para me beijar mais. Porque você liga várias vezes ao dia para dizer que me ama, para saber se eu estou bem, para me contar sobre sua rotina. Te amo porque você usa salto, tênis e chinelos; vestidos, bermudas e calças jeans. E porque você combina com todos esses estilos. Porque você chora quando fazemos amor, porque você pergunta sobre o meu pai, ri das besteiras que eu falo e gosta de ficar vendo fotos da minha infância deitada ao meu lado. Porque você quer ter uma casa de campo comigo, um lugar onde a gente possa passar a noite olhando o céu e bebendo vinho, porque você respeita minhas neuroses. Porque você gosta de alterar quimicamente a realidade das coisas, porque você adora experimentar, porque você não sabe viver sem flores. Porque você gosta de deitar e colocar minha cabeça no seu ombro, porque você acha que assim me protege, porque você sabe que eu preciso de proteção. Porque de manhã você adora yakult e danoninho, pão na chapa e queijo branco, Calvin e mamão. Porque você ri quando eu vou fazer café e me sujo inteira, porque você vai trabalhar muito cedo e deixa ao lado da cama meus cadernos preferidos do jornal, porque você me deu a chave da sua casa. Porque você cuida da Joaquina, é charmosamente desajeitada e volta e meia escorrega no tapete da sala. Porque quando eu chego na sua casa e você está no banho você passa a mão no vidro do box para tirar a água e me ver melhor, me chama mais perto, abre a porta e me beija molhada. Porque você acha que um dia a gente pode, quem sabe, desafiar o sistema e casar. Porque pensar nisso faz seus olhos se encherem de água, porque você também sabe que normas e padrões podem nos afastar. Porque você comprou um caderninho no qual a gente escreve as besteiras que fala e porque você se diverte muito com isso. Porque você acha que a felicidade está nos detalhes, em passar uma noite comendo peixe, bebendo vinho, colando figurinhas no álbum da Copa, que você me deu de presente, e ouvindo Tom e Elis. Porque, nessa noite, colando figurinhas, ouvindo Elis e bebendo vinho, seus olhos brilharam como nunca. E então você parou tudo, colocou a mão no meu rosto, me olhou bem fundo e me beijou do jeito mais carinhoso do mundo. Porque você entende que o sentido da vida é esse: é amar, ser amada, e criar uma doce rotina. Nossa doce rotina. E que nada mais importa. Porque você sabe que nossa história pode ser precocemente interrompida, e que, mesmo assim, ela já terá valido a pena. Porque ela talvez seja, agora e para sempre, a história mais bonita das nossas vidas.</p>
<p>Mas, se eu tivesse que pegar um motivo apenas, eu diria que te amo porque você é a mulher com quem eu sempre sonhei, mas nunca achei, de verdade, que pudesse existir. Por isso. E também, meu amor, porque você mexe a cabeça quando dança.</p></blockquote>
<p>(&#8220;Nossa doce rotina&#8221;, Milly Lacombe)</p>
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		<title>Marques</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Sep 2010 05:35:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mas, e se as manhãs falassem? As noites inquietassem? Raros são quem as ouvem. Caros quem as entendem. Ir e vir de corações. Entre eles, o teu. A quem o dará? Quem o reviverá?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas, e se as manhãs falassem?<br />
As noites inquietassem?<br />
Raros são quem as ouvem.<br />
Caros quem as entendem.<br />
Ir e vir de corações. Entre eles, o teu.<br />
A quem o dará? Quem o reviverá?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lábios</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 03:45:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma vontade louca de lhe ter. Livre entre meus braços. À vontade. Leve e urgente. A dançar, nua, por entre todos os meus abraços. E beijos. Eu, intenso e demente, em todos os seus lábios.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma vontade louca de lhe ter. Livre entre meus braços. À vontade. Leve e urgente. A dançar, nua, por entre todos os meus abraços. E beijos. Eu, intenso e demente, em todos os seus lábios.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Adeus</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 03:37:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Slow dancing&#8221; por apoetsdream Já não se encantarão meus olhos em teus olhos, já não se achará doce minha dor a teu lado. Mas por onde eu caminhe levarei teu olhar e para onde tu fores levarás minha dor. Fui teu, foste minha. Que mais? Juntos fizemos um desvio na rota por onde o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/08/Slow_dancing_by_apoetsdream.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2677" title="&quot;Slow dancing&quot; por apoetsdream" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/08/Slow_dancing_by_apoetsdream-352x470.jpg" alt="&quot;Slow dancing&quot; por apoetsdream" width="352" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Slow dancing&#8221; por <a href="http://apoetsdream.deviantart.com/" target="_blank">apoetsdream</a></p>
<blockquote><p>Já não se encantarão meus olhos em teus olhos,<br />
já não se achará doce minha dor a teu lado.</p>
<p>Mas por onde eu caminhe levarei teu olhar<br />
e para onde tu fores levarás minha dor.</p>
<p>Fui teu, foste minha. Que mais? Juntos fizemos<br />
um desvio na rota por onde o amor passou.</p>
<p>Fui teu, foste minha. Tu serás de quem te ame,<br />
do que corte em teu horto aquilo que eu plantei.</p>
<p>Eu me vou. Estou triste: mas eu sempre estou triste.<br />
Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou.</p>
<p>Desde o teu coração diz adeus um menino.<br />
E eu lhe digo adeus.</p></blockquote>
<p>(Pablo Neruda)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Atrasado</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 04:29:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Adianta dizer que morro de raiva de você? De você não querer saber se estou vivo ou morto? De você não querer saber que eu finalmente comecei a fazer aulas de dança de salão? Que continuo saltando de pára-quedas? Que lá de cima, na cidade, eu ainda te procuro? Adianta contar que arrebentaram meu carro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Adianta dizer que morro de raiva de você? De você não querer saber se estou vivo ou morto? De você não querer saber que eu finalmente comecei a fazer aulas de dança de salão? Que continuo saltando de pára-quedas? Que lá de cima, na cidade, eu ainda te procuro?</p>
<p>Adianta contar que arrebentaram meu carro na sexta pra levar o som? E levaram tudo, menos o pendrive que você me gravou? Aquele que ainda tento decifrar o porquê de cada música e tem a tua declaração de adeus, muito mais que de amor? Que só consigo dormir reinventando o som da tua voz nos meus ouvidos? E acordar recriando o brilho dos teus olhos no meu dia?</p>
<p>Adianta dizer que só consigo beijar de novo quando esqueço a tua boca inesquecível? Que revejo teus sorrisos nas flores e tuas lágrimas na chuva? Os teus carinhos no vento? Que depois da minha pele e meu corpo terem sem você morrido, castos por tanto tempo, voltei a te procurar em cada mulher que conheço, jurando para mim mesmo que um dia ainda te encontro?</p>
<p>Adianta dizer que, por &#8220;descuido&#8221;, mostro fotos nossas, juntos, para as novas pretendentes, muito mais que para provocar ciúme, mas para dizer: &#8220;você consegue ser melhor que ela? mais linda e mais despudoradamente sagrada?&#8221; Adianta dizer que nos domingos, à noite, eu ainda choro sobre essas fotos? Que quero, de alguma maneira ainda não inventada, te trazer de lá para o agora e reviver tudo que ainda não vivemos?</p>
<p>Adianta dizer que estou prestes a me casar? Que vou me mudar de cidade de novo? Que vou amar tudo de novo? Que vou ter os teus filhos com outra pessoa? Que vou viver plenamente tudo que você também queria e, covarde, estúpida e idiota, desistiu? Adianta dizer que vou ser sim muito feliz com ela? Que sem você como fantasma ela é ainda mais linda, mais despudorada e mais sagrada? Muito melhor que você?</p>
<p>Adianta dizer que eu consegui te matar? E que nem assim adianta? Que você está morta e enterrada, mas meu amor não? Adianta?</p>
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		<title>Louco</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Jul 2010 18:37:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Vai passar, tu sabes que vai passar.&#8221; Caio falava sobre a angústia, sobre a dor, sobre o desespero. Muito provavelmente após o amor. A perda de um amor. A perda da possibilidade de um grande amor. Ou a perda de um amor que realmente foi grande. E foi mesmo amor. Mas não foi eterno. Quero [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Vai passar, tu sabes que vai passar.&#8221; Caio falava sobre a angústia, sobre a dor, sobre o desespero. Muito provavelmente após o amor. A perda de um amor. A perda da possibilidade de um grande amor. Ou a perda de um amor que realmente foi grande. E foi mesmo amor. Mas não foi eterno. Quero dizer&#8230; Um grande amor sempre é eterno. Mas a sua vivência pode não sê-lo. Raramente é. Continuaria grande se fosse?</p>
<p>A quem está se apaixonando agora, talvez caberiam as mesmas palavras de Caio: vai passar, tu sabes que vai passar. Mesmo assim, iluda-se imaginando que será para sempre. Que será o grande amor da sua vida. Que envelhecerão juntos. Que a chama jamais se extinguirá. Iluda-se, sim. Pois que não há ilusão mais bela que esta em toda a vida. Um amor imenso, verdadeiro e eterno.</p>
<p>A vida&#8230; A vida é uma ilusão!</p>
<p>Sei que na vida nem tudo vale à pena ser feito. Mas que não fazer pode ser muito pior. Acreditar não é nada. Mas, não acreditar é a morte. E nada pode ser tão nada, triste e vazio quanto morrer em vida.</p>
<p>Então eu vivo. Faço. Acredito. Apaixono-me. Crio nas ilusões as minhas verdades. Das minhas verdades, as ilusões.</p>
<p>Meus sonhos são amantes das minhas realizações.</p>
<p>Jamais me apaixonei prevendo um fim. Eu vivo na eternidade. Porque, mesmo sabendo que, sim, vai passar, talvez um dia me engane. (E eu posso estar sempre enganado.)</p>
<p>E se a eternidade for tecida desses breves, loucos, passageiros e intensos momentos que em si mesmos eram pequenos pedaços de eternidades?</p>
<p>Há quem diga que amei muitas mulheres. Nada mais longe da verdade. A vida inteira amei apenas uma mulher. A amei em cada mulher pela qual me apaixonei. E continuarei amando. Até que ela chegue.</p>
<p>(Chegará? Não importa! A amo e a amarei da mesma forma.)</p>
<p>Em cada mulher a derradeira, a única, a eterna. Na minha loucura de que fosse. De que era. De que seja.</p>
<p>(Que ela mesma venha. E sem me convencer de eternidade, deixando-me eternamente na dúvida, seja ela a eterna, única e derradeira.)</p>
<p>Todos invejam os que enlouquecem por amor.</p>
<p>Eu não enlouqueço. Nasci louco.</p>
<p>_______________<br />
<em>Com citações a Antonio Abujamra. E outras citações conscientes e inconscientes.</em></p>
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		<title>Sobre encontros e despedidas</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 06:29:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ela tinha os olhos profundos. Sei, falar isso é totalmente cliché. Mas tinha. Profundamente belos e profundamente tristes. Tão belos que parecia que aquela tristeza era a minha. Tão tristes que parecia que aquela beleza era a minha. É&#8230; Sim, foram os olhos. E, por algum tempo, alguns meses, um ano, sei lá&#8230; Ela foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela tinha os olhos profundos. Sei, falar isso é totalmente cliché. Mas tinha. Profundamente belos e profundamente tristes. Tão belos que parecia que aquela tristeza era a minha. Tão tristes que parecia que aquela beleza era a minha. É&#8230; Sim, foram os olhos. E, por algum tempo, alguns meses, um ano, sei lá&#8230; Ela foi o que tinha de belo, a minha alegria e a minha tristeza. (Tomo coragem, atrevido, levanto da minha mesa e já na cadeira ao lado dela passo a conversar como se a conhecesse desde sempre. Uma ousadia tão simples para mim de ser cumprida. Mais tarde ajeitaria seus anéis. Nunca seu coração — jamais o conheci.) Orquestrado por deus, pelo universo, pelo destino, ou como queira chamar, pressenti ali, naquela noite, naquele momento, mais que o encontro de dois olhares, o encontro de duas almas, profundamente vivas e profundamente belas. Ela tinha os olhos profundos. Eu, os olhos, tão vivos. Tão desavisados e ingênuos. Ali, naquela noite, não nos achamos nem nos encontramos. Já e desde sempre nos sonhamos e nos conhecemos. E, por isso mesmo, ali, naquela mesma noite, naquele primeiro olhar, tão vivos e tão profundos, nos despedimos. E nos perdemos.</p>
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		<title>A voz dos teus olhos</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 02:47:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[nalgum lugar onde nunca estive, alegremente além de qualquer experiência, teus olhos têm seu silêncio em teu gesto mais frágil há coisas que me encerram, ou que não ouso tocar porque estão demasiado perto teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra embora eu tenha me fechado como dedos, tu me abres sempre, pétala por pétala, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>nalgum lugar onde nunca estive, alegremente além de<br />
qualquer experiência, teus olhos têm seu silêncio<br />
em teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,<br />
ou que não ouso tocar porque estão demasiado perto</p>
<p>teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra<br />
embora eu tenha me fechado como dedos,<br />
tu me abres sempre, pétala por pétala, como a primavera abre<br />
(tocando sutilmente, misteriosamente) sua primeira rosa</p>
<p>ou se quiseres ver-me fechado, eu e<br />
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,<br />
assim como o coração desta flor imagina<br />
a neve cuidadosamente descendo por toda parte;</p>
<p>nada que possamos perceber neste mundo iguala<br />
o poder da tua imensa fragilidade: cuja textura<br />
compele-me com as cores de seus continentes,<br />
restituindo a morte e o eterno em cada respiração</p>
<p>(não sei dizer o que há em ti que fecha<br />
e abre; apenas uma parte em mim compreende<br />
que na voz dos teus olhos cabem todas as rosas)<br />
ninguém, nem mesmo a chuva, possui mãos tão delicadas</p></blockquote>
<p>(&#8220;Somewhere I Have Never Travelled&#8221;, e.e.cummings)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A devolução das flores</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 22:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografias: &#8220;Suspicion&#8221; por hellolikegoodbye Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar. (Caio Fernando Abreu)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/07/Suspicion_by_hellolikegoodbye.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2622" style="border:0"  title="&quot;Suspicion&quot; por hellolikegoodbye" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/07/Suspicion_by_hellolikegoodbye-470x248.jpg" alt="&quot;Suspicion&quot; por hellolikegoodbye" width="470" height="248" /></a></p>
<p class="caption">Fotografias: &#8220;Suspicion&#8221; por <a href="http://hellolikegoodbye.deviantart.com/" target="_blank">hellolikegoodbye</a></p>
<blockquote><p>Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar.</p></blockquote>
<p>(Caio Fernando Abreu)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Seco</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Jun 2010 22:16:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele chegava de noite, entre resmungos e gritos sem nexo e batidas violentas na porta. Cada vez mais barulhentas, e eu então a abria. Não conseguia distinguir aquele homem. Entre o cheiro de conhaques, cachaças, mulheres, cigarros&#8230; Não encontrava seu cheiro. Achava que cada violência vinha de uma provocação. No que eu o provocava, meu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele chegava de noite, entre resmungos e gritos sem nexo e batidas violentas na porta. Cada vez mais barulhentas, e eu então a abria. Não conseguia distinguir aquele homem. Entre o cheiro de conhaques, cachaças, mulheres, cigarros&#8230; Não encontrava seu cheiro. Achava que cada violência vinha de uma provocação. No que eu o provocava, meu Deus? Qual era a minha culpa, que merecia tão grave punição? Tão frágil, era eu. Uma rosa sendo despetalada em cada vez que os punhos se cerravam. Caída pelo chão, ele continuava. O sangue escorrendo da boca, dos olhos. E de sei lá mais onde. Agüentava até ele se cansar. Então o levava até o quarto, o deitava na cama, retirava seus sapatos e o cobria. No banheiro, no espelho, uma imagem refletia um rosto deformado que já não era o meu. E lá eu caía, também exausta. E ficava, não sei por quanto tempo.</p>
<p>No outro dia ele saia cedo. Tinha disso, não importava que hora dormisse ou como, sempre acordava muito cedo. Antes de mim. E voltava. Trazia pão, leite. Fazia o café.  Punha a mesa. E ia me acordar. Pegava uma bacia, um pano. E limpava minhas feridas. De uma forma tão lenta, tão delicada. Com tanto cuidado. Seus olhos, lacrimosos, tinham tanto carinho. Tanta angústia. Tanta dor. Às vezes me perguntava: &#8220;Dindinha&#8230; Por que você não me deixa? Por que ainda continua comigo?&#8221; Não tinha muitas palavras para responder àquele, agora, menino. Arrependido, lindo e terno. De mãos tão macias e amorosas. Então punha minhas mãos atrás de seus cabelos e puxava sua cabeça para perto. E, após um beijo seco, quase nem beijo, engolia o vazio, o seco. E, a ele, conseguia apenas o esboço de um sussurro: &#8220;porque eu te amo&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Estrangeiro</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 02:03:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>
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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Time against Sunset&#8221; por hellolikegoodbye em qualquer parte do mundo, pertenço àquele lugar. sou nativo. ao mesmo tempo e sempre, porém, sinto-me estrangeiro. em todos os lugares. o meu lar é o coração de uma mulher, que ainda não encontrei. e talvez nunca encontre.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/06/it__s_slightly_easier_to_think_by_hellolikegoodbye.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2490" title="&quot;Time against Sunset&quot; por ~hellolikegoodbye" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/06/it__s_slightly_easier_to_think_by_hellolikegoodbye-464x470.jpg" alt="&quot;Time against Sunset&quot; por ~hellolikegoodbye" width="464" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Time against Sunset&#8221; por <a href="http://hellolikegoodbye.deviantart.com/" target="_blank">hellolikegoodbye</a></p>
<p>em qualquer parte do mundo, pertenço àquele lugar. sou nativo. ao mesmo tempo e sempre, porém, sinto-me estrangeiro. em todos os lugares. o meu lar é o coração de uma mulher, que ainda não encontrei. e talvez nunca encontre.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Gi em Paraty</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 21:41:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;your melody&#8221; por Jahblessme Para abrir o sorriso da Gi, menina diáfana, usaria metáforas, ousaria ações? Sem senões, quem sabe um olhar? Um caminhar beira-mar. E se ela sorrir para mim? Assim, sem falar nem fugir? Um pôr-do-sol em Paraty?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/06/your_melody_by_Jahblessme1.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2460" title="&quot;your melody&quot; por Jahblessme" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/06/your_melody_by_Jahblessme1-386x470.jpg" alt="&quot;your melody&quot; por Jahblessme" width="386" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;your melody&#8221; por <a href="http://jahblessme.deviantart.com/" target="_blank">Jahblessme</a></p>
<p>Para abrir o sorriso da Gi, menina diáfana, usaria metáforas, ousaria ações? Sem senões, quem sabe um olhar? Um caminhar beira-mar. E se ela sorrir para mim? Assim, sem falar nem fugir? Um pôr-do-sol em Paraty?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Nós que nos amávamos tanto</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 05:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;satellite skin&#8221; por Jahblessme Escrevi horas. Sem sentir, cheio de prazer. Quando pensava em parar, o telefone tocou. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?), uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/06/satellite_skin_by_Jahblessme.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2463" title="&quot;satellite skin&quot; por Jahblessme" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/06/satellite_skin_by_Jahblessme-470x437.jpg" alt="&quot;satellite skin&quot; por Jahblessme" width="470" height="437" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;satellite skin&#8221; por <a href="http://jahblessme.deviantart.com/" target="_blank">Jahblessme</a></p>
<blockquote><p>Escrevi horas. Sem sentir, cheio de prazer. Quando pensava em parar, o telefone tocou. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?), uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar, pediu, para irmos às ilhas gregas como tínhamos combinado naquela noite. Se podia voltar, insistiu, para sermos felizes juntos. Eu disse que sim, claro que sim, muitas vezes que sim, e aquela voz repetiu e repetia que me queria desta vez ainda mais, de um jeito melhor e para sempre agora.</p></blockquote>
<p>(Trecho de &#8220;Quando setembro vier&#8221;, Caio Fernando Abreu)</p>
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		<title>Protegido: Há tanto tempo que te amo</title>
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		<pubDate>Sat, 29 May 2010 19:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não há Resumo por ser um post protegido.]]></description>
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		<title>Querido</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 21:34:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma lua linda no céu e um amigo que se foi. Não sabia, mas combinaram se encontrar. Hoje.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma lua linda no céu e um amigo que se foi. Não sabia, mas combinaram se encontrar. Hoje.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Naquele dia</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 00:03:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografias: &#8220;Sadness- Diptych&#8221; por Demoneangelo Naquele dia eu queria que você não aceitasse. Não só para si, para dentro, muda. Implodindo. Como quem, na verdade, não quer mas já aceitou. Não. Queria que se lançasse. Numa explosão. Cruzasse a linha do esperado. Do certo. Do correto. Me provasse errado. Queria berros. Choros. Tapas. Ofensas. Violência. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/05/Sadness__Diptych_by_Demoneangelo.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2385" title="&quot;Sadness- Diptych&quot; por Demoneangelo" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/05/Sadness__Diptych_by_Demoneangelo-470x440.jpg" alt="&quot;Sadness- Diptych&quot; por Demoneangelo" width="470" height="440" /></a></p>
<p class="caption">Fotografias: &#8220;Sadness- Diptych&#8221; por <a href="http://demoneangelo.deviantart.com/" target="_blank">Demoneangelo</a></p>
<p>Naquele dia eu queria que você não aceitasse. Não só para si, para dentro, muda. Implodindo. Como quem, na verdade, não quer mas já aceitou. Não. Queria que se lançasse. Numa explosão. Cruzasse a linha do esperado. Do certo. Do correto. Me provasse errado. Queria berros. Choros. Tapas. Ofensas. Violência. Tiros. Muita gritaria. Sangue e loucura. Nem perda nem procura. O encontro. O espanto. Com o real. De nós. De tudo, o bom e o mau. Naquele dia eu queria ver: quem desconfiei aí dentro saltar para fora. Me impedindo. Abaixando o nariz e me pedindo, implorando. Xingando. Com raiva. Naquele dia eu queria que rasgasse minhas roupas. Perdesse o senso. A hora. O ridículo. A direção. Ficasse nua. Me ordenasse: “vem que vou ser sua, agora!” Mesmo sabendo que eu não iria, o inoportuno da situação. Naquele dia eu queria você sem verniz, crua. O gosto de lágrima na língua. De urgência no ato e no corpo. Naquele dia eu queria tesão, não teoria. Naquele dia queria não quem você acha que deve ser, mas quem você seria, se fosse. E não é porque não quer. Naquele dia eu queria desespero. A amargura áspera derramada sobre o que já foi doce e liso. Queria você inconformada, depravada, indignada. Naquele dia queria que tentasse tudo que fosse preciso para que eu ficasse. Queria mais que o silêncio. E o nada. O impasse. E o desenlace. Desarmada, nem pobre ou rejeitada, mais que a que dizia me amar, mais que a que me prendia, que me perdia: naquele dia eu queria de você, em você, a mulher que me amasse. Que me soltasse. Não a que achava me possuir, mas a que me ganhasse.</p>
<p>Naquele dia eu queria que algo em você não me deixasse partir.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>MANHÊ</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 10:37:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Já não há mais tempo pra dores, feridas, dilacerantes amores. Talvez não seja o exato momento para confissão, latidos, uivos, excitação. Amanhã pode sobrar só o vento e mais nada, alma escancarada no bocejo da manhã. Mas, manhê, ainda tenho você, perdida, apaixonada e demodê. Já fiz muita confusão, torturas, brigas, histerias, porém nunca traição. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<pre style="font-size:8pt;">
<blockquote style="margin:0;padding:0;border:0;">Já não há mais tempo pra dores,
                               feridas, dilacerantes amores.
Talvez não seja o exato momento para confissão,
                                               latidos, uivos, excitação.
Amanhã pode sobrar só o vento e mais nada,
                                        alma escancarada no bocejo da manhã.
Mas, manhê, ainda tenho você,
                             perdida, apaixonada e demodê.
Já fiz muita confusão,
                      torturas, brigas, histerias, porém nunca traição.
A quem amei, foi de verdade;
                            aparências ou coisas de minha idade,
                            flertes, boleros, tangos, rocks, blues,
                                       ainda que simples vaidades.
Minha alma ficou no campo. Eu vim para a cidade.
                           Trouxe tudo,
                                       coração mudo, estridente voz rouca,
                                       gemidos, inocência louca e miados.
Tudo começando. Ainda tudo parado.
Poemas de coração fissurado. Discursos inacabados.
Peite em transe, desejo ao léu:
                               serão máscaras de hipocrisia vindas do céu?
Não sou mais anjo, nem de papel.
    Já sofri bastante, já me casei e tenho anel.
E ser poeta, ser atleta do sensível, futurista do invisível,
  não é coisa adolescente; é um verbo impertinente, tenente da utopia.
Haja tristeza, haja alegria,
                            do verso não me separo.
houve sol, houve chuva e me faltou, manhê, um impossível amparo
       Valeu a pena. E paguei caro.</blockquote>

("MANHÊ", Mônica Montoro)</pre>
]]></content:encoded>
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		<title>O amor esquece de terminar</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 22:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela pergunta: &#8220;então, quando foi que descobriu?&#8221; E eu: &#8220;descobri o quê?&#8221; &#8220;Que estava apaixonado por mim&#8221;, ela completa. Ou: &#8220;quando foi que sentiu que era mesmo amor?&#8221; E eu não sei a resposta. Quero dizer, na verdade, sei sim. A resposta é única. Desde a primeira vez. Mais especificamente, desde que vi o seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela pergunta: &#8220;então, quando foi que descobriu?&#8221; E eu: &#8220;descobri o quê?&#8221; &#8220;Que estava apaixonado por mim&#8221;, ela completa. Ou: &#8220;quando foi que sentiu que era mesmo amor?&#8221; E eu não sei a resposta. Quero dizer, na verdade, sei sim. A resposta é única. Desde a primeira vez. Mais especificamente, desde que vi o seu primeiro olhar. Nunca tive um amor que não tivesse sido à primeira vista. Não sei quando começa. Começou antes. Agravo minha crença em reencarnações. Já éramos amantes, só faltava nos encontrar de novo. Não sei quando é que &#8220;atração vira paixão&#8221; ou quando &#8220;paixão vira amor&#8221;. Pra mim tudo é uma coisa só, não se transformam um no outro. Somam-se, completam-se. Apaixono-me primeiro pra saber que detalhes vão mais me encantar depois, o que vou descobrir, me aprofundar, até o que não vou gostar. Sou parceiro da surpresa, fiador fiel dos altos riscos que sei e decido correr. Não quero tudo de uma vez. Quero viver a mulher que amo a vida inteira, jamais dá-la por completa.</p>
<p>Não é um salto no escuro, porém. Sei o que vi, desde a primeira vez. Mesmo que ainda não saiba. Desconfio de tudo que ainda será, crio casas, filhos e netos. Noites de lua e vinho, dias de grama e céu. Sei das viagens que faremos. Não, não crio roteiros pré-estabelecidos. Apenas cumpro profecias. Que criamos e criaremos juntos. De improviso. Sei também, ou melhor, não sei, do que contrariará coisas que achei que seriam. E isso me estimula também. Não é prever. É viver.</p>
<p>Ela pergunta: &#8220;mas sempre tem uma coisa que pega, né?&#8221; &#8220;Como assim, por exemplo?&#8221;, meu jeito cínico e infantil de dizer que não estou entendendo, mesmo que esteja. &#8220;Sei lá&#8230; Sempre tem uma coisa numa pessoa que é o que pega, o que faz você ser apaixonado por ela. Pode ser qualquer coisa, um detalhe, enfim. Mas pega, e por isso você está ligado a ela.&#8221; – ela explica. Não sei o que pega. Ou melhor, sei sim. Tudo pega. O que pega é ela. Inteira. Tudo que sei e tudo que nunca vou saber. Tudo que vou descobrir e o que o tempo de uma vida não será suficiente para descobrir. O que pega&#8230; É que ela existe. E, por isso, eu a amo. Então, posso talvez até começar a enumerar algumas coisas&#8230; Mas não dá. Tudo pega. As covinhas no rosto quando sorri. O olhar sentido quando desapontada. Não sei, ou melhor, sei. Tudo pega. O bracelete, o jeito de usar os anéis, o toque da pele, o jeito de falar, o jeito de beijar. O jeito de gozar. O desafio de descobrir, aprender, vivê-la, dia após dia, todos os dias. Todos os humores, todos os mistérios, todos os encantos. Ela é o desafio; ela, é quem amo; ela, inteira, é o que pega. E que me pega.</p>
<p>Não sei quando o amor começa. Pra mim já existia desde sempre. Esperando apenas nosso encontro. Todas as minhas cartas de amor, desde a infância, eram para ela. Mas, se não sei quando o amor começa, tampouco sei quando ele termina, se termina. Se diz o Fabrício Carpinejar que o amor esquece de começar, o meu não esquece, já começa começado. O que eu não sei é quando termina. Não sei deixar de amar. Sei até as razões (delas ou minhas) para que não estejamos juntos. Por que não pode dar certo, por que ela não está preparada, por que ela ainda não se sente inteira, etc., etc&#8230; Concordando ou não (na verdade, quase sempre discordando, sempre acho que tudo é possível desde que se queira mesmo, e para haver um relacionamento, no caso, precisam dois querer: eu sempre quero). Enfim&#8230; O amor não termina. Não sei como terminá-lo. Como extingui-lo. Sete meses depois ainda vejo a lua e mando mensagem: &#8220;Linda, olha a lua que linda&#8230; Beijo!&#8221; Pra mim não terminou. A lua ainda existe. E, se existe, eu ainda quero compartilhar com ela. A visão, o sentimento. O momento. Os dias, as noites. A vida toda. Tudo. Se ela ainda existe e eu ainda existo, meu amor ainda existe, portanto. Tudo que me fez apaixonar, que me fez amar, ainda existe. Sim&#8230; Devagar, o tempo transforma tudo em tempo, já dizia José Luís Peixoto.  Mas, se o ódio transforma-se em tempo e o amor transforma-se em tempo, o meu tempo, juntos ou separados, transforma-se em ainda mais amor. O meu amor esquece de terminar.</p>
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		<title>Carol</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 00:39:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Cara, a imensidade rara de um olhar A vontade clara de aventura, e voltar Ruas e estradas, em duas rodas, curvas Onde a alma me levar, o pouso do meu vôo Lá onde encontro, em mim tudo a encontrar]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cara, a imensidade rara de um olhar<br />
A vontade clara de aventura, e voltar<br />
Ruas e estradas, em duas rodas, curvas<br />
Onde a alma me levar, o pouso do meu vôo<br />
Lá onde encontro, em mim tudo a encontrar</p>
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		<title>O Beijo</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 23:47:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior&#8230; Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida. Beijo extremo, meu prêmio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Foste o beijo melhor da minha vida,<br />
ou talvez o pior&#8230; Glória e tormento,<br />
contigo à luz subi do firmamento,<br />
contigo fui pela infernal descida!</p>
<p>Morreste, e o meu desejo não te olvida:<br />
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,<br />
e do teu gosto amargo me alimento,<br />
e rolo-te na boca malferida.</p>
<p>Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,<br />
batismo e extrema-unção, naquele instante<br />
por que, feliz, eu não morri contigo?</p>
<p>Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,<br />
beijo divino! e anseio delirante,<br />
na perpétua saudade de um minuto&#8230;</p></blockquote>
<p>(&#8220;Um Beijo&#8221;, Olavo Bilac)</p>
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		<title>Eu vejo você</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 02:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Muitos não sabem por que estão aqui. E isso torna as coisas um tanto difíceis em boa parte das vezes. Ou as torna muito superficiais e sem sentido. Sem sentir, enxergar ou saber no que acreditar, existem apenas. Vão levando a vida. O que não é o mesmo que viver. Trabalham, pois é preciso pagar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos não sabem por que estão aqui. E isso torna as coisas um tanto difíceis em boa parte das vezes. Ou as torna muito superficiais e sem sentido. Sem sentir, enxergar ou saber no que acreditar, existem apenas. Vão levando a vida. O que não é o mesmo que viver. Trabalham, pois é preciso pagar as contas. Então dormem para trabalhar. Alimentam-se para trabalhar. Vestem-se para trabalhar. E o único fruto do trabalho, muitas vezes árduo ou enfadonho, é o inseguro conforto ou superficial lazer que têm para esquecer do dia-a-dia e que precisam trabalhar. As poucas tréguas muitas vezes passam tão rápido, que nem conseguem percebê-las. A disputa na segunda-feira, para saber quem bebeu mais&#8230; Quem &#8220;pegou&#8221; mais&#8230; Quem se alienou mais, do que realmente é. Não sabem quem eles mesmos são.</p>
<p>Acontece que&#8230; Não é que não saibam quem são. Não é que não saibam por que estão aqui. Apenas se esqueceram disso. E guardaram tal conhecimento tão bem escondido que pode parecer que nem existe. Mas existe. E, existindo, mas não tendo acesso a essa informação, a esse tesouro&#8230; Parece injusto. Muitas pessoas procuram a felicidade em coisas tão distantes, algumas procuram o sentido no mundo lá fora, para fazer sentido dentro de si. E não conseguem. E não encontram. O mundo e toda a vida nele continua, em sua enorme diversidade, multiplicidade e grandiosidade. Não quer nos explicar nada. E isso, mais uma vez, parece injusto. Mas o mundo não quer nos explicar nada porque não é necessário. Nada nos é inacessível. Ninguém foi pego de surpresa ao nascer aqui. Viemos aqui em conseqüência da nossa poderosa e deliberada vontade de estarmos aqui. Sabíamos e nos lembrávamos do sentido de todas as coisas. Sabíamos quem nós mesmos somos. E o porquê de aqui estarmos.</p>
<p>&#8220;Conhece-te a ti mesmo&#8221; talvez seja um dos mais sábios conselhos dados pelos sábios. Conhecendo-nos a nós mesmos, cada vez mais profundamente&#8230; Chegaremos ao que jamais precisaria ter ficado oculto tampouco escondido. Ao que deveria ser (e é) a coisa mais natural e simples de ser alcançada. A nossa fonte. Quem nós realmente somos. Através dela nos lembramos de onde viemos, onde estamos e para onde queremos ir. Reencontramos o fluxo natural de beleza, alegria e magia ao qual pertencemos e fazemos parte. E o expandimos através do nosso magnífico poder de criar. Coisas belas, alegres, mágicas. Essa fonte, tão poderosa e sem limites, é o que somos. Alguns a chamam de &#8220;Deus&#8221;. Outros de &#8220;Universo&#8221;&#8230; &#8220;Eu Interior&#8221;. Seja qual o nome, estão falando todos da mesma coisa. Somos Deus, somos o Universo e somos o Eu Interior. Sem perder nossa individualidade e nossa rica personalidade, experiência e particularidades, que nos fazem únicos, somos parte de um todo, imenso, sem limites. Que está em expansão e se expande através de nós. Através de nossas vivências, nossas criações, nossas escolhas.</p>
<p>Não há nada que não possamos ser, fazer ou ter&#8230; Lembram-nos os espíritos dos sábios. A base de toda e qualquer vida é a liberdade. Plena. Nunca, em nenhum lugar ou tempo, seremos julgados pelo o que quer que seja que tenhamos escolhido ser, fazer ou ter. O objetivo da vida é a felicidade. O bem-estar. Que faz parte desse fluxo natural, poderoso e belo onde tantas vezes o vivenciamos, mas muitos escolhem esquecê-lo. O universo está repleto de beleza e magia. A natureza, os arco-íris, as cachoeiras, as florestas, as flores, as montanhas, o mar. Os animais, os seres humanos. Cada vida nele. E estamos todos conectados. Essa energia que se expande e cria mundos e universos. Somos também nós. O aprendizado, a expansão&#8230; É o resultado dessa jornada bela e diversa que jamais terminará. Jamais o aprendizado cessará. Tampouco a expansão. Não viemos aqui para terminar nada. Pois não há fim. Tampouco a morte é um fim.</p>
<p>Não viemos para salvar o mundo. Não viemos para mudar ninguém. Ninguém que não a nós mesmos. E escolher, decidir o que realmente queremos. O que nos faz bem. E então nos focar nisso. E agir somente a partir disso. Desse estado de conexão. De milagre. De magia. Trabalhamos para criar. O trabalho tem outro sentido, é claro. E o fruto do trabalho é realmente sagrado. Mas a vida é muito mais. Viemos para amar. Para respeitar a liberdade. E querer a liberdade do outro tanto quanto queremos a nossa. Criadores e deuses magníficos é o que somos. Como já disse outro espírito sábio, muitas vezes nos emocionamos diante da beleza. Da arte. Do milagre. Da vida em todo seu esplendor. Numa música, num olhar, num gesto&#8230; No alto de uma montanha vemos a natureza e nos emocionamos. A beleza sobrecarrega nossos sentidos e choramos. E esse choro de plena felicidade é porque acabamos de ser reconhecidos. Cada rocha, cada árvore e até mesmo o vento que sopra em nossas faces sabem quem somos e chamam nossos nomes. Parte de toda a Criação somos nós e acabamos de encontrar a nós mesmos. E esse momento de pleno milagre&#8230; Não precisa ser apenas um momento. É possível (e natural) que o milagre seja a nossa vida e esteja nela todo o tempo.</p>
<p>Costumo dizer que os raros se atraem. Na verdade todas as experiências e pessoas que tivemos, temos e teremos em nossas vidas&#8230; Nós as atraímos. Quando digo sobre os raros, na verdade estou dizendo das pessoas que sentem e enxergam como eu. Mas não quer dizer que as outras são menores ou maiores. São diferentes. E têm suas verdades que também são&#8230; Verdade. E é preciso respeitar e apreciar as diferenças. Aos que atraímos&#8230; Muitas vezes sinto como se fôssemos de um clã&#8230; Uma família&#8230; Não sei dizer o nome. Mas viemos do mesmo lugar e queremos coisas semelhantes. Vemos coisas semelhantes. Sentimos coisas semelhantes. E, espalhados por entre sete bilhões de pessoas, algumas vezes os olhamos e junto com o olhar algo em nós se reconhece imediata e inequivocadamente. Tendo consciência disso ou não, esses serão nossos irmãos e irmãs. Nossos filhos e filhas. Nossos amigos e amigas. Nossos pais e nossas mães. E assim nós seremos, para elas. E são e serão co-criadores de coisas belas e magníficas. Nelas e em nós encontraremos e encontramos o amor. O amor que amamos. O amor com o qual somos amados. Por isso sentimos a necessidade, o desejo e a vontade de caminharmos juntos. De compartilhar a felicidade. E o milagre. A vida.</p>
<p>É da escolha de cada um, porém, com quem deseja caminhar e compartilhar sua vida. O fato de existir essa conexão não necessariamente implica que isso acontecerá. Cada um faz suas escolhas e decide o que acredita ser melhor. E será o melhor. Não viemos aqui para decidir por ninguém. Nem escolher por ninguém. Nem para julgar ninguém. Viemos aqui, em total liberdade, cada um de nós, para sermos felizes e respeitar profundamente a liberdade de cada um, a forma que escolheu e escolhe ser feliz. Ser feliz&#8230; Essa é a nossa única missão. Se assim também escolhermos. Tudo esteve, está e sempre estará bem. Jamais perdemos ou perderemos alguém ou o que quer que seja. Isso é impossível. Estamos todos aqui. Grandiosos e belos&#8230; Para sermos tudo que podemos ser. E escolhermos ser. E fazermos parte do grande milagre. Que se expande e vive através de nós. E nós através dele.</p>
<p>Estamos apenas no início do que não tem fim.</p>
<p>(Então&#8230; Quando digo: &#8220;eu vejo você&#8221;. É mais do que ver. É saber quem eu mesmo sou. E saber quem você mesma é. Minha alma encontrou a sua. Minha fonte reconhece a sua. E vibra com isso. Vibra por isso. Vibra junto. À essa conexão&#8230; Alguns chamam de &#8220;amor&#8221;. Impossível explicar ou dar nomes. Mas talvez seja o melhor nome que encontramos. Muitos estão tão longe de suas próprias fontes que dizem que isso não existe. Ou quando o sentem, preferem esquecê-lo como algo impossível de manter. Têm medo. E é uma pena&#8230; Porque Deus nos criou ousados, livres de medos. Sabe que podemos tudo que quisermos. Os velhinhos se beijando na praça, após uma vida inteira de amor, entendem isso. E que o amor pode sim ser mantido e vivido e cultivado. E cresce tanto. Porque é a coisa mais natural de acontecer quando essa conexão existe e ambos decidem vivê-la. Quando decidem inundar de alegria a vida um do outro. Compartilhar a vida, a magia&#8230; O milagre. De toda a criação.)</p>
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		<title>Telhados de Paris</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 02:40:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Poulpe&#8221; por boitatou Eu tenho os olhos doidos, doidos, doidos&#8230; Já vi. Os meus olhos doidos, doidos, doidos&#8230; São doidos por ti. (Trecho de &#8220;Telhados de Paris&#8221;, Nei Lisboa)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/04/Poulpe__by_boitatou.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2284" title="&quot;Poulpe&quot; por boitatou" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/04/Poulpe__by_boitatou-470x301.jpg" alt="&quot;Poulpe&quot; por boitatou" width="470" height="301" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Poulpe&#8221; por <a href="http://boitatou.deviantart.com/" target="_blank">boitatou</a></p>
<blockquote><p>Eu tenho os olhos doidos, doidos, doidos&#8230; Já vi. Os meus olhos doidos, doidos, doidos&#8230; São doidos por ti.</p></blockquote>
<p>(Trecho de &#8220;Telhados de Paris&#8221;, Nei Lisboa)<br />
<!-- degradable html5 audio and video plugin --><div class="audio_wrap html5audio"><div style="display:none;"><a href="/wp-content/audio/nei_lisboa_-_telhados_de_paris.mp3" title="Click to open" id="f-html5audio-0">Audio MP3</a><script type="text/javascript">AudioPlayer.embed("f-html5audio-0", {soundFile: "/wp-content/audio/nei_lisboa_-_telhados_de_paris.mp3"});</script></div><audio controls autobuffer id="html5audio-0" class="html5audio"><source src="/wp-content/audio/nei_lisboa_-_telhados_de_paris.mp3" type="audio/mpeg" /><a href="/wp-content/audio/nei_lisboa_-_telhados_de_paris.mp3" title="Click to open" id="f-html5audio-0">Audio MP3</a><script type="text/javascript">AudioPlayer.embed("f-html5audio-0", {soundFile: "/wp-content/audio/nei_lisboa_-_telhados_de_paris.mp3"});</script></audio></div><script type="text/javascript">if (jQuery.browser.mozilla) {tempaud=document.getElementsByTagName("audio")[0]; jQuery(tempaud).remove(); jQuery("div.audio_wrap div").show()} else jQuery("div.audio_wrap div *").remove();</script></p>
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		<title>Para sempre</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 02:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quero acordar do seu lado num domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. E, depois, ir tomar café na padaria e ler o jornal com você. Quero ouvir você me contar sobre o trabalho e falar detalhadamente de pessoas que eu não conheço, e nem vou conhecer, como se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Quero acordar do seu lado num domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. E, depois, ir tomar café na padaria e ler o jornal com você. Quero ouvir você me contar sobre o trabalho e falar detalhadamente de pessoas que eu não conheço, e nem vou conhecer, como se fossem meus velhos amigos. Quero ver você me olhar entre um gole de café e outro, sem nada para dizer, e apenas sorrir antes de voltar a folhear o caderno de cultura. Quero a sua mão no meu cabelo, dentro do carro, no caminho do seu apartamento. Quero deitar no sofá e ver você cuidar das plantas, escolher a playlist no ipod e dobrar, daquele seu jeito metódico e perfeccionista, as roupas esquecidas em cima da cama. E que, sem mais nem menos, você desista da arrumação, me jogue sobre a bagunça, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra pessoa. E que pergunte se eu quero ver um DVD mais tarde. Quero tomar uma taça de vinho no fim do dia e deitar do seu lado na rede, olhando a lua e ouvindo você me contar histórias do passado. Quero escutar você falar do futuro e sonhar com minha imagem nele, mesmo sabendo que eu provavelmente não estarei lá. Quero que você ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale da casa que teremos no campo. Quero que você a descreva em detalhes, que fale do jardim que construiremos, e dos cachorros que compraremos. E que faça tudo isso enquanto passa a mão nas minhas costas e me beija o rosto. Quero que você nunca perca de vista a música da sua existência, e que me prometa ter entendido que a felicidade não é um destino, mas a viagem. E que, por isso, teremos sido felizes pelos vários domingos na cama e pelos sonhos que compartilhamos enquanto olhávamos a lua. Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida. Que você nunca mais deixe de pensar em mim quando for a Londres, escutar Dream&#8217; Bout Me ou ler Nick Hornby. E, por fim, que você continue a dançar na sala. Para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais olhando.</p></blockquote>
<p>(&#8220;O que eu quero de você&#8221;, Milly Lacombe)</p>
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		<title>Mil partidas</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 09:13:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tenho me despedido aos poucos. Tão sutilmente que talvez ninguém perceba. (Sutilezas são coisas que poucos ainda têm percepção.) Cada dia da minha vida tem sido o último. Cada texto tem sido uma carta de adeus, cada frase uma confissão de amor. &#8220;Mil partidas formaram-me desde a infância, devagar&#8221;, teria dito Rilke e eu não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho me despedido aos poucos. Tão sutilmente que talvez ninguém perceba. (Sutilezas são coisas que poucos ainda têm percepção.) Cada dia da minha vida tem sido o último. Cada texto tem sido uma carta de adeus, cada frase uma confissão de amor. &#8220;Mil partidas formaram-me desde a infância, devagar&#8221;, teria dito Rilke e eu não diria melhor. Tenho pensado nessas coisas que as pessoas sentem, mas não dizem. E às vezes me pergunto se realmente sentem. Não sei a resposta. Posso ter sido eu que vim com defeito e sinto essas coisas e não encontro quem também as sinta. Não é questão de compreender, é sentir. Ouvi algumas vezes me dizerem que sou único. E já escrevi também, plagiando inconscientemente não sei quem, que não quero ser único. Sempre tive a esperança de encontrar alguém, que não seja como eu porque dois de mim seriam insuportáveis, mas alguém&#8230; Não sei explicar. Pra essa pessoa não precisaria explicar, simplesmente seria entendido. E mais que entendido&#8230; Muito mais, mas também não sei explicar. Dizem que pra bom entendedor meia palavra basta. E eu digo que pra mau entendedor nem uma vida inteira basta. Não sei se faço parte dos bons ou maus entendedores.</p>
<p>Tenho pensado bastante na palavra &#8220;doçura&#8221;. Ouvi essa palavra algumas vezes também, ao se referirem aos meus olhos, ou a mim, ou algo relacionado a mim. Caio F. dizia que &#8220;há pessoas que são como a cana, mesmo postas da moenda, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura&#8221;. Sou uma dessas pessoas? Minha resposta não existe. Talvez não seja doce, mas agridoce. Doces enjoam, ácido corrói. Há abismos sem fundo dentro de mim. Há horizontes sem fim dentro dos meus olhos. E me lanço, nos abismos e aos horizontes. Não é pretensão, mas acho que poucas pessoas chegaram perto de me ver, outras apenas desconfiaram, outras talvez tenham visto e se atraído, em seguida fugido. É&#8230; Devo ser assustador. Poucas chegaram suficientemente perto. Se é que chegaram. Cada um por si, diriam. Ou, Caetaneando, &#8220;cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é&#8221;. E só cada um. Que não se abre verdadeiramente para que outro descubra, o descubra. Entre realmente na sua vida, dentro de si, de seu universo. Então temos sete bilhões de pessoas únicas. E sozinhas. Cada um por si&#8230; Dizem que a única certeza da vida é a morte. Eu acrescentaria mais uma, se tivesse certeza em vez de esperança do contrário, que cada um é só e nada mudará isso. Nem a ilusão, miragem ou o que chamo de &#8220;esperança&#8221;. Passei a vida inteira tendo a esperança de que alguém se deixasse descobrir e se conhecer e se compartilhar. A mesma de que alguém também quisesse fazer isso comigo. Sempre estive aberto e disposto, às duas coisas. Em busca disso criei céus, movi terras. Algumas vezes pensei ter encontrado. E então? Miragens. Nada mais ingênuo. Nada mais utópico. Nada mais ridículo. Mas acho que uma ou duas vezes realmente encontrei. Mas acho também que as pessoas não gostam mesmo de ser descobertas. Também não querem se dar ao trabalho de descobrir.</p>
<p>Tenho deixado as janelas abertas. Na verdade, sempre as deixei. Queria, antes de partir, que não sei quando será, mas poderá ser a qualquer hora, a herança a quem se com isso se importe, de dizer que o amor realmente existe. Não porque o encontrei, mas porque amei. Mas seria injustiça e ingratidão dizer que não o encontrei, ou que realmente amei. Também fui amado, acredito, algumas vezes. Também deixei de amar algumas vezes. Seja como for, há algumas perdas irreparáveis no caminho. Pessoas que me fazem tanta, mas tanta falta. Tão importantes. Muitíssimo importantes. Insubstituíveis. Únicas. E como dizia Adriana Falcão, &#8220;&#8216;único&#8217; é tudo aquilo que pela possibilidade de virar &#8216;nenhum&#8217;, pede cuidado&#8221;. Talvez seja isso&#8230; Passei minha vida tentando mostrar a elas isso. Quantas vezes disse: &#8220;é preciso tratar como precioso o que é precioso&#8221;. E me eram tão preciosas. São. Mas, mesmo que tenham entendido (?) isso, se foram. Mil partidas, como disse&#8230; Quis sempre e tanto mostrar a necessidade de urgência em viver, da importância de certas coisas. Do meu jeito torto, do jeito que fui aprendendo, aos trancos e barrancos, sei lá&#8230; Mas tentei. Acho que ninguém poderá dizer que não. Mas também acho que ninguém dirá nada, porque não acredito que vêem importância no que fiz ou deixei de fazer, no que senti ou deixei de sentir, no que acreditei ou deixei de acreditar, no que senti ou deixei de sentir, no que vivi ou deixei de viver. Será que fui importante assim alguma vez também pra alguém? E, se fui, por que foram embora? Se fui precioso, por que me jogarem fora?</p>
<p>Tenho relembrado tantas coisas&#8230; Uma vez ouvi detalhadamente uma descrição do amor que me deixou emocionado. Não só bela beleza e pela pureza nos olhos de quem descrevia, porque os olhos mostram o que a pessoa sente, no que acredita, quem ela é&#8230; Mas também por ter pensado eu: &#8220;puxa, encontrei alguém que percebe o amor da mesma forma que eu, o que eu vi dentro dos olhos dela é mesmo verdade, como eu já acreditava&#8221;. E é verdade. Bem, provavelmente seja. E depois ela me disse, &#8220;então, pra mim amor é isso&#8230; mas não é isso que eu sinto por você&#8221;. É algo como ver o paraíso e não ser deixado entrar. (Bem&#8230; Nunca fui bom com metáforas. Literalmente então: é menos pior entender que ninguém sabe o amor como eu, do que compreender que alguém sabe o amor como eu, mas não me ama.) Ou que os momentos mais felizes de uma pessoa foram certos momentos ao meu lado&#8230; Será a felicidade algo tão aterrorizante? Ou que sou tudo que sonharam num homem. Será que as pessoas ao realizarem o sonho, o descartam? Enfim&#8230; Passei a vida implorando para que dessem importância ao que é importante e que não fugissem disso, que abraçassem isso. Não adiantou muito. Já ouvi e senti declarações apaixonadas.  E acredito que eram de verdade. Mas, foram momentos. As pessoas continuam indo embora. (Continuam dizendo que querem algo e não sabem o que fazer quando conseguem? Não sei.) Sempre indo embora&#8230; E dizem: &#8220;olha, um dia você encontrará essa pessoa, ela existe&#8221;. E eu sei que existe, era justamente ela indo embora e eu já havia encontrado. Mas vão embora. Sempre vão.</p>
<p>Tenho essa loucura&#8230; Sim, loucura. Que outro nome? Ilusão&#8230;? Talvez seja bom nome também, mas parece-me mais algo de louco mesmo. Passei a vida acreditando em algo que não existe. Quero dizer, existe, mas só dentro de mim. Que também, diferença alguma faz. Nunca fui tão importante assim pra ninguém. Ninguém que tenha criado céus ou movido terras por mim. Não valho a pena. Ou ninguém está interessado nisso. Cada um por si. E eu deveria estar por mim. Mas não consigo. Nunca fui sozinho, nunca quis ser, não sei ser. Sempre quis ter alguém com quem compartilhar toda a vida, todo o sonho, toda a esperança e todo o aprendizado. Pra aprender, pra ensinar, pra viver, enfim&#8230; As pessoas falam, mas ninguém de verdade quer isso. A maioria sequer move uma palha. Ninguém que queira se aprofundar, se abrir, viver, enfim&#8230; Todos dizem querer ser amados, mas não suportam isso. Muitos dizem amar, mas pouco sabem o que isso significa. Ou sabem&#8230; Talvez saibam. E errado sou eu. É&#8230; Provavelmente é isso. Mas, tanto faz. Eu estar certo ou errado, que diferença faz? Gênio ou estúpido, nunca fez verdadeiramente diferença alguma. A minha presença ou ausência, tampouco. Não sentem de verdade minha presença. Não sentem, de forma alguma, minha ausência. Sempre quis inundar a vida de quem amo de alegria. Que percebessem, sentissem esse amor que sinto. Sempre acreditei que se sentissem como são amadas, não iriam embora. E devo confessar que sempre quis também de quem amo um amparo impossível. Alguém que me mostrasse que não sou ridículo. Alguém que achasse que isso é mesmo importante. Mas eu sou ridículo. E nada disso é importante. Porque nada que é importante é jogado fora. Parece tudo muito triste, mas quem já foi amado por mim sabe o quanto eu posso ser feliz. Quando se distraíram, e por pouco tempo se permitiram a esse amor.  O quanto eu posso&#8230; Tudo que posso, e não faz diferença. Porque sempre vão embora. Mil partidas&#8230; E, a qualquer momento, será a minha vez de partir. Não fará diferença, eu sei. Mais um pouco e será como se eu jamais tivesse existido. Ao ir embora, não existirá mais nenhuma prova que alguma vez existi. E, na verdade, jamais existi. Quem não sentiu minha chegada, minha presença, jamais sentirá minha partida. Então, é isso: passei a vida tentando existir. Existir pra mim é amar e ser amado. Viver plenamente isso, essa beleza, essa alegria, essa entrega&#8230; Sem ninguém ir embora. Sem existir fim. Então, posso partir sem preocupação&#8230; Não farei falta a ninguém. Porque nunca cheguei mesmo a existir. (Se alguém me ouvisse, eu diria adeus. Assim como é, nem é preciso.)</p>
<p>Eu existo.</p>
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		<title>Além</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 02:07:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Originais]]></category>
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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Refletions simples&#8221; por BigboyDenis Não fui criado para fazer sentido. Fui feito de sentimento, para ser sentido. Não nasci criado, nem senhor. Nasci humano: honra de homem, coração de mulher, olhos de criança. Misto de flor com beija-flor. Esperança de rio, sonho de mar. Um furor de querer ver sempre mais do que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/03/Refletions_simples__partie_I_by_BigboyDenis.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2267" title="&quot;Refletions simples&quot; por BigboyDenis" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/03/Refletions_simples__partie_I_by_BigboyDenis-470x325.jpg" alt="&quot;Refletions simples&quot; por BigboyDenis" width="470" height="325" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Refletions simples&#8221; por <a href="http://bigboydenis.deviantart.com/" target="_blank">BigboyDenis</a></p>
<p>Não fui criado para fazer sentido. Fui feito de sentimento, para ser sentido. Não nasci criado, nem senhor. Nasci humano: honra de homem, coração de mulher, olhos de criança. Misto de flor com beija-flor. Esperança de rio, sonho de mar. Um furor de querer ver sempre mais do que a vista alcança. Nem sempre bem-educado, nem sempre mal-criado. Nunca curado, de mal de amor. De bem com a vida, nem sempre bem-amado. Em certas manhãs, de bom humor. Encantado, isso sempre. Por carinhos e manhas. Enredado de maldades cândidas e de ingênuas bondades. Fiz de cada mulher minha morada e cidade. Nenhum outro interesse senão amar. Nada quis do que não dei. Acreditar é não ver, ou ver: verdadeiramente. Além. Por escolha ou acidente. Tímido ou à vontade, às vezes cantava rouco, noutras errava louco, que seja&#8230; Fui sempre mais do que consegui ser. Fui tudo. E foi tão pouco.</p>
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		<title>E vinte e nove anjos me saudaram&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 03:27:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Ola 29&#8243; por soruse]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/03/052289d8ec75901b5455e2e98440b15c.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2254" title="&quot;Ola 29&quot; por soruse" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/03/052289d8ec75901b5455e2e98440b15c-313x470.jpg" alt="&quot;Ola 29&quot; por soruse" width="313" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Ola 29&#8243; por <a href="http://soruse.deviantart.com/" target="_blank">soruse</a></p>
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		<title>Liberdade</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 04:27:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Beach Bum&#8221; por Haushinkah Perdi o medo de lhe perder quando finalmente perdi. A noção, perdida, de que na vida perder seja possível. A ninguém se prende. A ninguém se perde. Nós é que nos perdemos. Rios. Correntes. Antes. Para nos reencontrar. No mar. Depois. Amar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/03/Beach_Bum_by_Haushinkah.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2229" title="&quot;Beach Bum&quot; por Haushinkah" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/03/Beach_Bum_by_Haushinkah-352x470.jpg" alt="&quot;Beach Bum&quot; por Haushinkah" width="352" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Beach Bum&#8221; por <a href="http://haushinkah.deviantart.com/" target="_blank">Haushinkah</a></p>
<p>Perdi o medo de lhe perder quando finalmente perdi. A noção, perdida, de que na vida perder seja possível. A ninguém se prende. A ninguém se perde. Nós é que nos perdemos. Rios. Correntes. Antes. Para nos reencontrar. No mar. Depois. Amar.</p>
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		<title>Viver é melhor que sonhar</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 03:23:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Yamy&#8221; por Marius Grozea]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/03/13563.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2201" title="&quot;Yamy&quot; por Marius Grozea" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/03/13563-470x470.jpg" alt="&quot;Yamy&quot; por Marius Grozea" width="470" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Yamy&#8221; por <a href="http://photomediaworld.com/users/portfolio/marius_grozea" target="_blank">Marius Grozea</a></p>
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		<title>Na alma</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 11:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Escrevo no papel, no blog, no twitter, no chão, no céu, no mar, na pele&#8230; Não se preocupe: um dia não lhe escrevo mais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo no papel, no <em>blog</em>, no <em>twitter</em>, no chão, no céu, no mar, na pele&#8230; Não se preocupe: um dia não lhe escrevo mais.</p>
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		<title>And so it is&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 02:29:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[Músicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;The Blower&#8217;s Daughter&#8221; por BlueEyes17]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/The_Blower__s_Daughter_by_BlueEyes17.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2191" title="&quot;The Blower's Daughter&quot; por BlueEyes17" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/The_Blower__s_Daughter_by_BlueEyes17-470x313.jpg" alt="&quot;The Blower's Daughter&quot; por BlueEyes17" width="470" height="313" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;The Blower&#8217;s Daughter&#8221; por <a href="http://blueeyes17.deviantart.com/" target="_blank">BlueEyes17</a></p>
<!-- degradable html5 audio and video plugin --><div class="audio_wrap html5audio"><div style="display:none;"><a href="/wp-content/audio/damien_rice_-_the_blowers_daughter.mp3" title="Click to open" id="f-html5audio-1">Audio MP3</a><script type="text/javascript">AudioPlayer.embed("f-html5audio-1", {soundFile: "/wp-content/audio/damien_rice_-_the_blowers_daughter.mp3"});</script></div><audio controls autobuffer id="html5audio-1" class="html5audio"><source src="/wp-content/audio/damien_rice_-_the_blowers_daughter.mp3" type="audio/mpeg" /><a href="/wp-content/audio/damien_rice_-_the_blowers_daughter.mp3" title="Click to open" id="f-html5audio-1">Audio MP3</a><script type="text/javascript">AudioPlayer.embed("f-html5audio-1", {soundFile: "/wp-content/audio/damien_rice_-_the_blowers_daughter.mp3"});</script></audio></div><script type="text/javascript">if (jQuery.browser.mozilla) {tempaud=document.getElementsByTagName("audio")[0]; jQuery(tempaud).remove(); jQuery("div.audio_wrap div").show()} else jQuery("div.audio_wrap div *").remove();</script>
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		<title>Ainda</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 02:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Swinging feelings&#8221; por bittersweetvenom vontade de escrever mas ainda não sei o quê vontade de ver um filme mas ainda não sei qual vontade de ser beijado mas ainda não sei por quê vontade de entregar o coração mas ainda não sei pra quem]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/Swinging_feelings_by_bittersweetvenom.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2175" title="&quot;Swinging feelings&quot; por bittersweetvenom" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/Swinging_feelings_by_bittersweetvenom-343x470.jpg" alt="&quot;Swinging feelings&quot; por bittersweetvenom" width="343" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Swinging feelings&#8221; por <a href="http://bittersweetvenom.deviantart.com/" target="_blank">bittersweetvenom</a></p>
<p>vontade de escrever<br />
mas ainda não sei o quê<br />
vontade de ver um filme<br />
mas ainda não sei qual</p>
<p>vontade de ser beijado<br />
mas ainda não sei por quê<br />
vontade de entregar o coração<br />
mas ainda não sei pra quem</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Impostor</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 02:47:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Gender Role&#8221; por PorcelainPoet Espero que ele me represente bem. Que seja convincente no papel. Mas, não se iluda: jamais será eu. Ou, se iluda. Descubra quem não sou.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/b354374288eb4e9bee8cfb7cd6887c3b.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2168" title="&quot;Gender Role&quot; por PorcelainPoet" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/b354374288eb4e9bee8cfb7cd6887c3b-318x470.jpg" alt="&quot;Gender Role&quot; por PorcelainPoet" width="318" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Gender Role&#8221; por <a href="http://porcelainpoet.deviantart.com/" target="_blank">PorcelainPoet</a></p>
<p>Espero que ele me represente bem. Que seja convincente no papel. Mas, não se iluda: jamais será eu. Ou, se iluda. Descubra quem não sou.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Éramos vagamente sagrados</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 19:27:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografia: &#8220;Sadness&#8230;&#8221; por Masbath Querer desaparecer e ao mesmo tempo aparecer, na porta da sua casa, sereno, tosse, tudo ao mesmo tempo. Não te ter e ter, não te pedir um abraço, não te pedir uma palavra de conforto, não te pedir uma conversa clara e definitiva, não te pedir nada, só te olhar enquanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/Sadness____by_Masbath.jpg"><img class="size-large wp-image-2139  alignnone" title="&quot;Sadness...&quot; por Masbath" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/Sadness____by_Masbath-352x470.jpg" alt="&quot;Sadness...&quot; por Masbath" width="352" height="470" /></a></p>
<p class="caption">Fotografia: &#8220;Sadness&#8230;&#8221; por <a href="http://masbath.deviantart.com/" target="_blank">Masbath</a></p>
<blockquote><p>Querer desaparecer e ao mesmo tempo aparecer, na porta da sua casa, sereno, tosse, tudo ao mesmo tempo. Não te ter e ter, não te pedir um abraço, não te pedir uma palavra de conforto, não te pedir uma conversa clara e definitiva, não te pedir nada, só te olhar enquanto você me olha e rir quando você ri. Ouvir o barulho da chuva na janela, de mensagem no celular, de respiração aflita na hora errada. Fingir estar tudo bem, fingir não se importar, não se incomodar. Não dizer que quase morri de ciúmes, quando eu morri. Na verdade, quando eu queria me afogar dentro de tudo que era possível, seja a garrafa de pinga, a lata de cerveja ou o inconformismo, esse sentimento que me rejeita, que você me rejeita. Não acreditar que trocamos segredos silenciosos ouvindo o barulho do trovão. Ser forte o bastante porque é preciso ser, o coração doído, a falta de vontade, procurando mais a vontade de amar do que a vontade de viver.</p>
<p><em>(&#8220;Não éramos, não seríamos&#8221;, Carolina Colicigno)</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Demais</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 05:35:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografias: &#8220;Too much sky, not enough blue&#8221; por froststick Ah, eu vivo demais&#8230; Eu amo demais, eu quero demais, eu falo demais. Tantos &#8220;demais&#8221;&#8230; Que é possível que eu seja demais. Transbordo, portanto. É difícil encontrar quem não se afogue. Ou que não vá embora.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/Too_much_sky__not_enough_blue_by_froststick.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-2116" title="&quot;Too much sky, not enough blue&quot; por froststick" src="http://epifanias.vmblog.net/wp-content/uploads/2010/02/Too_much_sky__not_enough_blue_by_froststick-469x333.jpg" alt="&quot;Too much sky, not enough blue&quot; por froststick" width="469" height="333" /></a></p>
<p class="caption">Fotografias: &#8220;Too much sky, not enough blue&#8221; por <a href="http://froststick.deviantart.com/" target="_blank">froststick</a></p>
<p>Ah, eu vivo demais&#8230; Eu amo demais, eu quero demais, eu falo demais.</p>
<p>Tantos &#8220;demais&#8221;&#8230; Que é possível que eu seja demais. Transbordo, portanto.</p>
<p>É difícil encontrar quem não se afogue. Ou que não vá embora.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Eternos</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 11:27:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[devagar, o tempo transforma tudo em tempo. o ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo. os assuntos que julgámos mais profundos, mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, transformam-se devagar em tempo. por si só, o tempo não é nada. a idade de nada é nada. a eternidade não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>devagar, o tempo transforma tudo em tempo.<br />
o ódio transforma-se em tempo,<br />
o amor transforma-se em tempo,<br />
a dor transforma-se em tempo.</p>
<p>os assuntos que julgámos mais profundos,<br />
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,<br />
transformam-se devagar em tempo.</p>
<p>por si só, o tempo não é nada.<br />
a idade de nada é nada.<br />
a eternidade não existe.<br />
no entanto, a eternidade existe.</p>
<p>os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.<br />
os instantes do teu sorriso eram eternos.<br />
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.</p>
<p>foste eterna até ao fim.</p></blockquote>
<p><em>(&#8220;Explicação da Eternidade&#8221;, José Luís Peixoto)</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Teu nome</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 10:21:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu escrevo teu nome nessas pedras, que vou jogando por onde passo. No fundo, espero que você me siga, mas não tenho coragem de pedir. Aí, tem gente que vem, sem nem ser chamado, sem nem se importar com o fato do nome escrito ali, ser outro. As pessoas não ligam pr&#8217;essas pequenezas, sabe? Eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Eu escrevo teu nome nessas pedras, que vou jogando por onde passo. No fundo, espero que você me siga, mas não tenho coragem de pedir. Aí, tem gente que vem, sem nem ser chamado, sem nem se importar com o fato do nome escrito ali, ser outro. As pessoas não ligam pr&#8217;essas pequenezas, sabe? Eu ligo. Ligo pra tudo. Sou mais de detalhes, que do todo. Sempre fui. O fato é que fico olhando pra trás pra ver se você tá vindo e já tropecei umas quantas vezes. Esses dias mais. Isso porque não sinto teu cheiro no ar, não ouço o teu riso passeando pelas horas. E sinto falta. E sinto um quase-medo. Embora, não tenha a menor idéia de quê. Sabe quando você pressente o monstro no escuro, mesmo sem poder vê-lo? É assim. Não sei se você entende, não sei se alguém entende e, realmente, não me importo. Não me importo mais com um monte de coisas. Dos benefícios do tempo. Hoje, parei e sentei bem aqui na beira desse rio que me atravessa. Só pra te pensar bem forte e te fazer sentir amor do lado de lá. Sim, porque você ainda não atravessou a ponte, bem sei. Mas, ando me sentindo fraca e cansada. Tenho andado demais, jogado pedras demais, esperado demais e você não me alcança. Talvez, seja melhor mergulhar e afogar os pensamentos. Espero que você consiga chegar a tempo e salvar os mais bonitos.</p>
<p><em>(Briza Mulatinho)</em></p></blockquote>
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		<title>Ao meu Amor</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 03:37:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sei e acredito que o meu amor é ilimitado. Alguém que eu amava tanto, se foi, mas não levou o bem mais precioso que eu tenho, que é a capacidade de amar. Alguém, que eu busquei durante tanto tempo na minha vida, ainda não chegou, mas eu não perdi a esperança. O meu coração está [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Sei e acredito que o meu amor é ilimitado. Alguém que eu amava tanto, se foi, mas não levou o bem mais precioso que eu tenho, que é a capacidade de amar.<br />
Alguém, que eu busquei durante tanto tempo na minha vida, ainda não chegou, mas eu não perdi a esperança. O meu coração está cheio de amor para dar.</p>
<p>Sim, eu tenho dentro de mim um coração cheio de amor e, como pela lei da mente, o semelhante atrai o semelhante, o meu amor está atraindo para mim um grande Amor.<br />
Jesus, o maior sábio de todos os tempos, disse certa vez que tudo o que eu pedir, ao Pai, em oração, crendo, eu receberei. Tudo. Um grande Amor também.<br />
Principalmente um grande Amor. Porque o amor é a razão de ser da vida de qualquer pessoa. Ele afirmou esta sentença porque entendia do poder da fé. Ele sabia e lembrou que tudo o que é desejável é realizável, desde que eu tenha fé decidida de que assim é e assim será.</p>
<p>Eu acredito que meu espírito está ligado no espírito de todas as pessoas do mundo, por isso meu espírito sabe onde está a pessoa que me ama, que combina comigo, que adora estar comigo e que quer me fazer feliz.<br />
O Espírito, que está em mim, sabe como é o meu coração, sabe dos meus sentimentos e desejos e, portanto, sabe que eu desejo amar e fazer feliz essa pessoa que anda à minha procura e que é parte de mim.</p>
<p>Meu espírito agora é um aparelho transmissor que está emitindo uma mensagem de amor para todos os recantos da terra, onde quer que exista um ser vivente, e sei que há uma pessoa querida, maravilhosa, terna e amorosa, como a imagino, que está sintonizando minha mensagem e vem vindo na minha direção.</p>
<p>Muito obrigado a você, Amor, porque já está em mim e comigo. Adoro a sua beleza. Adoro a sua personalidade sadia e inteligente. Adoro seu coração cheio de afetos e de sentimentos lindos e profundos a meu respeito. Adoro a sua capacidade de compreensão e o apoio que está me dando. Adoro o seu sorriso puro e o seu entusiasmo por tudo aquilo que eu faço e por tudo que eu desejo da vida. Adoro a sua presença calma e confiante. Adoro seu espírito criativo, que sempre tem surpresas para me encantar e para avivar o nosso amor.</p>
<p>Sabe, é admirável como você é exatamente a pessoa com a qual eu sempre sonhei. Até mesmo este espírito aberto e positivo, que sabe levar a vida com fé e otimismo, é bem como eu queria.</p>
<p>Eu tenho um coração cheio de ternura para dar a você.<br />
Eu tenho um amor inesgotável para dar a você a cada momento do dia.<br />
Eu respeito você, assim como você é, com essas qualidades, com essas ansiedades, com essas fraquezas, com essa imensa boa vontade.<br />
Você pode contar sempre comigo, nas horas boas e nas horas amargas. Nosso amor está crescendo desde já, sempre vivo e livre, porque é na liberdade que o amor mais cresce e mais se aprofunda.<br />
Amo os seus ideais e você ama os meus ideais. </p>
<p>Olha, eu não quero reformar e nem escravizar você, nem você quer me escravizar e nem me reformar, nós, no entanto, nos entendemos, nos ajudamos e dialogamos calmamente até encontrarmos a Verdade, que não é minha propriedade e nem sua propriedade. É isso que nos mantém unidos e enlaçados no amor perene.<br />
Sei que não estou sonhando e que não estou dizendo utopias. O seu espírito é uno com o meu, por isso já nos conhecemos e, tendo conhecido você dentro de mim, devo encontrar você fora, pois esta é a lei do Pedido e do Atendimento.</p>
<p>Muito obrigado porque você recebeu e ouviu o meu chamado. Entre. A porta do meu coração está aberta para você. Entremos e brindemos o nosso amor.<br />
Eu sei que tudo isso já está realizado na Vontade Divina e agora concluído e realizado em nós.</p>
<p>Muito obrigado, Pai.<br />
Muito obrigado a você, por ter vindo.<br />
Obrigado pelo nosso amor. Obrigado do fundo do meu coração e do meu espírito.</p>
<p>Assim é e assim será.</p>
<p><em>(&#8220;Oração do Amor&#8221;, Lauro Trevisan)</em></p></blockquote>
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		<title>Oviedo</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 16:37:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[Lábios de amora. Chuva e sol&#8230; Ela, em Astúrias, tantas histórias, sobre o lençol.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lábios de amora. Chuva e sol&#8230; Ela, em Astúrias, tantas histórias, sobre o lençol.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O fundo dos seus olhos</title>
		<link>http://epifanias.vmblog.net/2010/01/o-fundo-dos-seus-olhos/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 22:49:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Venho dos ventos, venho do fogo. Giro em torno da terra, em meio às chuvas dos muitos aléns que trago dentro do peito. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Venho dos ventos, venho do fogo. Giro em torno da terra, em meio às chuvas dos muitos aléns que trago dentro do peito. Na força do sol me torno lua, na força da lua me torno sol. Darei asas ao seu passado adormecido, mas deixe que eu faça dele o sol de todas as manhãs. Venho de terras distantes, onde o branco é permitido todos os dias, assim como o vermelho, o caminhar em areias claras onde os deuses podem brincar vestidos de árvores, onde os corpos se envolvem em abraços limpos que refletem o sol e os amores são plantados nos olhos de todos.</p>
<p>Vá, voe e descubra o espaço que espera ouvir seu canto livre, que lhe devolverá a paz, que provará não haver mais descaminhos e que lhe irá tirar o medo do abraço. Assim será. Você encontrará tufões que irei tirando do caminho diante dos seus olhos espantados, tímidos e apressados. Você é forte. Não tanto quanto o vento. Eu lhe darei nove caminhos e nos encontraremos em solo distante para nos tornarmos uma só essência. E não se esqueça de sobreviver às horas amargas que fazem parte dos caminhos para dias mais felizes. Você não estará só, mesmo nos momentos mais difíceis, que poucos conseguirão compreender ou mesmo aceitar.</p>
<p>Cale-se ante as tatuagens com que queiram marcar seu corpo moldado pelos raios dourados com o pó de ouro que coroa sua cabeça. Não passarei apenas uma vez em seu caminho, que espero não seja vitrina ou modelo de ilusões. Você será bicho ou fera desamarrada quando for necessário. Há desencantos, sim, por não acreditar, mas não faz mal. Pegue sua bolsa de luas e sóis e faça de conta que nada disso existe.</p>
<p>Não espere que alguém bata à sua porta para quebrar uma possível solidão escondida no fundo do peito ou muito menos chamá-la de princesa dos dedos de marfim. Vá e não espere nada em troca. Seus olhos dizem tudo porque são abertos como os das águias a caminho do sol, profundos e cálidos, diretos e certeiros, calmos e agitados, alegres ou tristes como portas fechadas ou janelas escancaradas para o que der e vier. Não queira provar nada. Por muitos dias a vida lhe negou os direitos ao mais simples possível. Quando a água quiser lhe afogar, chame por mim que eu a farei evaporar-se. Nunca responda às questões do ser humano, de sua origem, do passado ou do futuro, porque ninguém sabe se o tempo existe. Os dias não param de passar. Nós é que paramos as coisas só com um olhar, no fundo dos olhos, onde existe um lugar de muros estranhos, belezas que a aurora pode não levar. Venho com a espada nas mãos e trago comigo a luz maior que farei você encontrar.
</p></blockquote>
<p>(Baby Garroux em &#8220;As bruxas que vivem dentro de nós&#8221;)</p>
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		<title>À beira do rio</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 02:03:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.<br />
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos<br />
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.<br />
(Enlacemos as mãos.)</p>
<p>Depois pensemos, crianças adultas, que a vida<br />
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,<br />
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,<br />
Mais longe que os deuses.</p>
<p>Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.<br />
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.<br />
Mais vale saber passar silenciosamente<br />
E sem desassossegos grandes.</p>
<p>Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,<br />
Nem invejas que dão movimentos demais aos olhos,<br />
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,<br />
E sempre iria ter ao mar.</p>
<p>Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,<br />
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,<br />
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro<br />
Ouvindo correr o rio e vendo-o.</p>
<p>Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as<br />
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -<br />
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,<br />
Pagãos inocentes da decadência.</p>
<p>Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois<br />
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,<br />
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos<br />
Nem fomos mais do que crianças.</p>
<p>E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,<br />
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.<br />
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim &#8211; à beira-rio,<br />
Pagã triste e com flores no regaço.</p>
<p><em>(&#8220;Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio&#8221;, Ricardo Reis [Fernando Pessoa])</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Aos filhos de Sofia</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 17:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós. Não temos amado, acima de todas as coisas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.</p>
<p>Não temos amado, acima de todas as coisas.</p>
<p>Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.</p>
<p>Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.</p>
<p>Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.</p>
<p>Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.</p>
<p>Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.</p>
<p>Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.</p>
<p>Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.</p>
<p>Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.</p>
<p>Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.</p>
<p>Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.</p>
<p>Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.</p>
<p>Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.</p>
<p>Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.</p>
<p>Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.</p>
<p>Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer &#8220;pelo menos não fui tolo&#8221; e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.</p>
<p>Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.</p>
<p>Temos chamado de fraqueza a nossa candura.</p>
<p>Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.</p>
<p>E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia&#8230;</p>
<p><em>(&#8220;Olhe ao redor&#8221;, Clarice Lispector)</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>van gogh</title>
		<link>http://epifanias.vmblog.net/2010/01/van-gogh/</link>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 01:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[então a vi se levantando da cama. (por que falamos aquelas coisas?) pegou a blusa, e foi até a porta. abrindo-a para a noite tão pura e tão gelada lá fora. saiu. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>então a vi se levantando da cama. (por que falamos aquelas coisas?) pegou a blusa, e foi até a porta. abrindo-a para a noite tão pura e tão gelada lá fora. saiu. com a delicada roupa de dormir e apenas aquela blusa, não haveria de ir longe, pensei, mas eu mesmo não acreditei nisso. aonde ela estaria indo? como fosse, apenas sabia que não poderia deixá-la ir. coloquei uma calça, abri a mesma porta e o gelo tomou conta de mim, ao vê-la encolhida, sentada na cadeira da varanda. tão sentida, tão frágil e, ao mesmo tempo, tão decidida em sua dor. a floresta ao nosso redor. agachei-me aos seus joelhos. e lá permaneci. precisava convencê-la voltar. ou isso, ou ficaria ali olhando seus olhos cheios d’água, a noite inteira. a vida inteira, se preciso. os meus pés no chão frio, peito nu, o frio cortando-me menos ao meio que vê-la assim. como fosse, apenas queria que ela sentisse que jamais estaria sozinha. dentro ou fora. no céu ou no inferno. no calor ou no inverno.</p>
<p>então eu consegui. não me lembro o que disse. se realmente disse alguma coisa antes. mas, lembro uma frase, da minha voz ao seu olhar: “Linda, volta pra cama.” e ela deve ter ouvido mais meu coração que minha voz, pois se levantou e voltou, em silêncio, para dentro. eu após ela. deitou-se novamente na cama. cobriu-se. mas minha dor não deixou-me continuar. ela já estava acolhida, pensei, mas eu mesmo não acreditei nisso. e pelo caminho permaneci, no chão, encostado no sofá, encolhido. e lá ficaria, com olhos cheios d’água, a noite inteira. a vida inteira, se preciso.</p>
<p>então ela virou-se e disse, com uma voz carinhosa mas firme: “Van, volta pra cama.”</p>
<p>então fui tomado de uma alegria que me trocava as lágrimas. as de dor, pelas de felicidade. levantei-me, entrei embaixo das cobertas ao seu lado, a abracei e a senti profundamente. e senti-me profundamente acolhido e amparado. ela talvez jamais soube. ou soube, mesmo sem saber. que se todos os nossos momentos juntos fossem apagados e restasse apenas aquele na memória, eu saberia que fui amado. porque, eu longe, naquele estado de abandono de mim mesmo, dor e fraqueza, pela primeira vez alguém me chamou de volta. mesmo magoada e sabendo-me magoado, sentiu minha falta. que ela não me deixou sozinho. que quis-me ao seu lado. quis-me de volta, ao seu lado. foi nessa noite que aconteceu essa que foi uma das coisas mais lindas na minha vida. e senti, plenamente, que com ela jamais estaria sozinho. dentro ou fora. no céu ou no inferno. no calor ou no inverno. que estávamos e estaríamos ao lado um do outro, sempre. verdadeiramente juntos. um para o outro, um pelo outro.</p>
<p>então&#8230; amanheceu um dia lindo. e nós, em paz.</p>
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		<title>A vida secreta das palavras</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 02:47:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Se eu fosse eu, lhe daria palavras com mel. Criaria tranças em seus cabelos. Versos raros. Cumpridos. Compridos. Lisos. Absurdamente claros. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se eu fosse eu, lhe daria palavras com mel. Criaria tranças em seus cabelos. Versos raros. Cumpridos. Compridos. Lisos. Absurdamente claros. A mim tão precisos. Mas, não&#8230; Não as jogue ainda. Que faria arranjos de flores. Primaveris. De brincadeiras, infantis. Uma grinalda e colar. Esmeradas, em sua fronte. Nunca um véu. Descobriria livre seu respirar.</p>
<p>Se eu fosse meu, lhe diria palavras leves. Como asas ao céu. Enredos de horizontes, belos e abertos, que têm como fonte a mesma de onde nasce o seu olhar. E então lavaria seus pés ao mar. E seus olhos, de ressaca, brilhariam de voar despertos. Viveria a cada dia a noite de seu luar. A dançar pela praia, sua saia criança com o vento, num desatento caminhar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Penso que penso em seus olhos</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 05:50:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[Penso que penso em seus olhos, seu rosto. Já não me lembro se me lembro. Sua alegria, seu beijo; aquelas noites e dias&#8230; Existiram mesmo? Tomo um vinho tinto, seco, qualquer. Recordo que sabia que você gostava de branco, suave. Ou pensava que sabia. Qual era mesmo o sabor? Julguei-me tão importante. Fui um qualquer. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Penso que penso em seus olhos, seu rosto. Já não me lembro se me lembro. Sua alegria, seu beijo; aquelas noites e dias&#8230; Existiram mesmo?</p>
<p>Tomo um vinho tinto, seco, qualquer. Recordo que sabia que você gostava de branco, suave. Ou pensava que sabia. Qual era mesmo o sabor?</p>
<p>Julguei-me tão importante. Fui um qualquer. Tão cliché, não é?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Tudo!</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 02:35:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que seja leve. Que seja livre. Que seja lindo. O ano? Não, você! Em cada dia, de todos os anos. Viva tudo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que seja leve. Que seja livre. Que seja lindo. O ano? Não, você! Em cada dia, de todos os anos. Viva tudo!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Descoberta</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 14:07:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[...] Já sentastes num lugar tão repleto de beleza que ele simplesmente sobrecarrega os vossos sentidos e vós chorais? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Este Deus que vós tendes é um Deus pessoal. Pessoal porque vós sois partes Dele. Pessoal porque Ele sabe os vossos nomes; não os nomes do seres humanos, mas os nomes das vossas almas, o nome das vossas lições de vida, o nome dos vossos eus quânticos, o nome da luz que vós sois quando vós não estais aqui. Eu sei quem vós sois e cada pedaço da Criação sabe quem vós sois. Já observastes a Natureza em todo o seu esplendor e maravilha? Já sentastes num lugar tão repleto de beleza que ele simplesmente sobrecarrega os vossos sentidos e vós chorais? Já tivestes isso? Se já o tivestes então vós sabeis que vós acabastes de ser reconhecidos por cada rocha e cada árvore e o vento mesmo que sopra em vossas faces chama os vossos nomes. Parte da Criação sois vós e vós acabastes de encontrar a vós mesmos.</p>
<p>É por isso que os humanos choram diante da beleza, quando eles estão de pé no topo da montanha e as nuvens se esvanecem e o sol brilha e eles choram. Eles não podem evitar, porque o solo os saludam, a neve os saludam e a essência mesma da Natureza canta os seus nomes. Nós conhecemos vós. Essa é uma promessa de um Deus pessoal. Nós não somos uma estátua. Nós não somos uma doutrina. Nós não estamos distantes. Nós nem sequer estamos no céu. Nós estamos em cada batida do coração humano. É bonito. E a palavra primária é &#8220;descoberta&#8221;.</p>
<p><em>(Mensagem de Kryon através de Lee Carroll)</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>E foi Dezembro&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 01:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Músicas]]></category>

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		<description><![CDATA[E foi Dezembro&#8230; Dito em tua voz Que as minhas mãos colheram devagar E foi Dezembro&#8230; Escrito quando a sós, Tudo disseste quase sem falar Foi um palco vazio a acontecer No frio que se ergueu dentro de nós Uma distância, o mar que se estendeu A separar da minha a tua mão E foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>E foi Dezembro&#8230; Dito em tua voz<br />
Que as minhas mãos colheram devagar</p>
<p>E foi Dezembro&#8230; Escrito quando a sós,<br />
Tudo disseste quase sem falar</p>
<p>Foi um palco vazio a acontecer<br />
No frio que se ergueu dentro de nós</p>
<p>Uma distância, o mar que se estendeu<br />
A separar da minha a tua mão</p>
<p>E foi Dezembro, inteiro a anunciar<br />
A solidão dos dias por nascer</p>
<p>E foi Dezembro, à chuva a reviver<br />
As pedras e os rios e os luares</p>
<p>Os nomes que vestiam os lugares<br />
E os sonhos repartidos que não fomos</p>
<p>A coragem nascida de aceitar<br />
A verdade de ser o que hoje somos</p>
<p>E foi Dezembro&#8230; Vivo na roseira<br />
Despida no silêncio do jardim</p>
<p>E foi Dezembro, ainda na cegueira<br />
Das asas de uma ave que há em ti</p>
<p>Foi um tempo de amantes a aprender<br />
Que não deve esquecer-se o verbo amar</p>
<p>Ou um inverno apenas a perder-se<br />
Da primavera do primeiro olhar&#8230;</p>
<p><em>(&#8220;E foi Dezembro&#8221;, Soledade Martinho Costa / Luís Represas)</em></p></blockquote>
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		<title>Vazios</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 01:57:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[mas é assim&#8230; as pessoas vão se calando&#8230; vão ficando esses silêncios esses vazios irreparáveis até que um dia o tempo engana e diz que não fazem mais sentido mas ainda são tão sentidos&#8230; sempre]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>mas é assim&#8230; as pessoas vão se calando&#8230; vão ficando esses silêncios<br />
esses vazios irreparáveis<br />
até que um dia o tempo engana e diz que não fazem mais sentido<br />
mas ainda são tão sentidos&#8230; sempre</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Impasse</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 23:17:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Temos aqui um impasse. Você escolheu me tirar da sua vida; eu escolhi ter você em tudo na minha. Você, me deixar; eu, lhe beijar. Você, não responder; eu, lhe escrever. Você, me esquecer; eu, lhe amar. Você, a cegueira; eu, o seu olhar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Temos aqui um impasse. Você escolheu me tirar da sua vida; eu escolhi ter você em tudo na minha. Você, me deixar; eu, lhe beijar. Você, não responder; eu, lhe escrever. Você, me esquecer; eu, lhe amar. Você, a cegueira; eu, o seu olhar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A mesa</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 23:37:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu, depois, a minha irmã mais velha casou-se. depois, a minha irmã mais nova casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco, menos a minha irmã mais velha que está [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>na hora de pôr a mesa, éramos cinco:<br />
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu,<br />
depois, a minha irmã mais velha casou-se.<br />
depois, a minha irmã mais nova casou-se.<br />
depois, o meu pai morreu.<br />
hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco,<br />
menos a minha irmã mais velha que está na casa dela,<br />
menos a minha irmã mais nova que está na casa dela,<br />
menos o meu pai, menos a minha mãe viúva.<br />
cada um deles é um lugar vazio<br />
nesta mesa onde como sozinho.<br />
mas irão estar sempre aqui.<br />
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.<br />
enquanto um de nós estiver vivo,<br />
seremos sempre cinco.</p>
<p><em>(José Luis Peixoto)</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Esvoaçante</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 03:05:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[A moça e seu vestido esvoaçante. A passear pelo passeio, desavisada. Apenas olho. Não me apresso. Confio no vento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A moça e seu vestido esvoaçante. A passear pelo passeio, desavisada. Apenas olho. Não me apresso. Confio no vento.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sede</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 02:29:56 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Passei o dia com uma sede que não dava pra saciar. Água, suco, chá, vinho, Cointreau&#8230; Nada adiantou. A sede era outra. Da sua boca. Do seu beijo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passei o dia com uma sede que não dava pra saciar. Água, suco, chá, vinho, Cointreau&#8230; Nada adiantou. A sede era outra. Da sua boca. Do seu beijo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 00:27:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Então me conte, o que há de novo?&#8221; Não sei&#8230; Posso contar o que há de velho. Você não me conhece. Portanto, tudo lhe será novo. &#8220;O que você mais gosta de fazer?&#8221; Amor! Depois, em segundo, saltar de paraquedas&#8230; Depois, em terceiro, deitar na grama e olhar o céu. &#8220;Está apaixonado por alguém?&#8221; Sim&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Então me conte, o que há de novo?&#8221; Não sei&#8230; Posso contar o que há de velho. Você não me conhece. Portanto, tudo lhe será novo.</p>
<p>&#8220;O que você mais gosta de fazer?&#8221; Amor! Depois, em segundo, saltar de paraquedas&#8230; Depois, em terceiro, deitar na grama e olhar o céu.</p>
<p>&#8220;Está apaixonado por alguém?&#8221; Sim&#8230; Sempre estou. Mesmo que seja pela Lua.</p>
<p>&#8220;Mora sozinho?&#8221; Sim&#8230; Eu e meus fantasmas.</p>
<p>&#8220;Tem preguiça de cuidar da casa?&#8221; Toda a preguiça do mundo. O chato de morar sozinho é que é sempre sua vez de lavar a louça.</p>
<p>&#8220;Faz comida em casa?&#8221; Não&#8230; Faço a dieta dos números. Número da pizza, número da comida chinesa, e por aí vai.</p>
<p>Sei fritar ovo e temperar salada, serve? Quero dizer, ovos mexidos. Porque nunca saem inteiros.</p>
<p>Ah&#8230; E abrir vinho!</p>
<p>&#8220;E curte ficar de boa em casa, sem fazer nada?&#8221; Bem, estou aprendendo a viver comigo mesmo. Como diz Elisa Lucinda, quase já não brigamos.</p>
<p>Mas, quem disse que eu fico em casa sem fazer nada?</p>
<p>Embora fazer nada não deixe de ser fazer alguma coisa.</p>
<p>Mas&#8230; Gosto de sair. É quando aquilo que chamamos de &#8220;coincidências&#8221; ocorrem. A vida está aqui dentro. Pra se praticar lá fora.</p>
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		<title>do abandono</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 16:53:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não precisa ficar com medo. Quando a sua mãe não abrir a porta e você passar o dia todo para o lado de fora, eu vou brincar com você e te abraçar tão forte que este sentimento de abandono irá se transformar em mil e quinhentas borboletas, rodopiando em seu cabelo, fazendo cócegas em sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Não precisa ficar com medo. Quando a sua mãe não abrir a porta e você passar o dia todo para o lado de fora, eu vou brincar com você e te abraçar tão forte que este sentimento de abandono irá se transformar em mil e quinhentas borboletas, rodopiando em seu cabelo, fazendo cócegas em sua barriguinha. Então, você irá entender que a sua mãe não pode abrir a porta porque dentro do quarto onde ela chora, faz tanto frio e tanto medo que o jeito mais bonito que ela encontrou de te amar foi te deixar para o lado de fora.</p>
<p><em>(&#8220;do abandono&#8221;, Rita Apoena)</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Alecrim</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 12:05:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[O último beijo tinha gosto de mar. Salgado das águas vindas de teus olhos doces. A correr em teu rosto amargo de dor. Picante aflição. Mas, do coração, ainda algo de frescor e esperança. Talvez hortelã? E alecrim em teu perfume, tempero e saudade. Tantos sabores&#8230; E a tua forma única e surpreendente de os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O último beijo tinha gosto de mar. Salgado das águas vindas de teus olhos doces. A correr em teu rosto amargo de dor.</p>
<p>Picante aflição. Mas, do coração, ainda algo de frescor e esperança. Talvez hortelã? E alecrim em teu perfume, tempero e saudade.</p>
<p>Tantos sabores&#8230; E a tua forma única e surpreendente de os misturar. Rara e deliciosa. Vê que isto também era amor?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Seja feliz!</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 14:35:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Normalmente a gente ouve um &#8220;seja feliz&#8221; nos piores momentos, né? A pessoa está indo embora da sua vida e diz: &#8220;seja feliz&#8221;. É uma crueldade. Parece piada de mau gosto e é mesmo. Ninguém diz: &#8220;estou entrando na sua vida agora, seja feliz!&#8221;. A introdução acima é pra dizer que o que vou dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Normalmente a gente ouve um &#8220;seja feliz&#8221; nos piores momentos, né? A pessoa está indo embora da sua vida e diz: &#8220;seja feliz&#8221;. É uma crueldade. Parece piada de mau gosto e é mesmo. Ninguém diz: &#8220;estou entrando na sua vida agora, seja feliz!&#8221;.</p>
<p>A introdução acima é pra dizer que o que vou dizer é um &#8220;seja feliz&#8221; de verdade. Adorei ver o &#8220;namorando&#8221;. Que bom é namorar, né? Dizem que tudo fica mais lindo quando a gente se apaixona. É mentira. Tudo já era lindo. É que a gente só passa a prestar atenção quando está apaixonado.</p>
<p>Que seus dias sejam lindos. Que você seja muito feliz! E jamais aceite menos que isso. Viva tudo!</p>
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		<title>Pelos dias</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 11:45:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[não vão se perder pelos dias nem tua pedra azul, teu carinho cor de infinito, nem o que foi dito, ou mesmo o não dito &#8211; teu charme maldito, teu olhar de desdém &#8211; tudo tem um pouco de impossível, esse teu verbo terrível, esta mania de ser uma ousadia, tua coragem eloqüente, tua finesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>não vão se perder pelos dias nem tua pedra azul, teu carinho cor de infinito, nem o que foi dito, ou mesmo o não dito &#8211; teu charme maldito, teu olhar de desdém &#8211; tudo tem um pouco de impossível, esse teu verbo terrível, esta mania de ser uma ousadia, tua coragem eloqüente, tua finesse doente, tua bronca, teus gritos, tua boca. me tirou dos trilhos o brilho do teu olhar, teu carinho e jeito de me chamar. não vão se perder pelos dias, eu juro, teu mistério, teu choro mudo e sério, teu peito terno, teu desejo etéreo de calma, tua alma anarquista, teu olhar futurista, teu jeito absoluto, teus humores putos, tua fé resoluta, tua conduta. me desculpa as filosofias, mas elas também, não vão se perder pelos dias.</p>
<p><em>(&#8220;Pelos dias&#8221;, Mônica Montoro)</em></p></blockquote>
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		<title>Norwegian wood</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 03:15:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[I once had a girl, or should I say, she once had me...

(Lennon / McCartney)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>I once had a girl, or should I say, she once had me&#8230;</p>
<p><em>(Lennon / McCartney)</em></p></blockquote>
<!-- degradable html5 audio and video plugin --><div class="audio_wrap html5audio"><div style="display:none;"><a href="/wp-content/audio/milton_nascimento_-_norwegian_wood.mp3" title="Click to open" id="f-html5audio-3">Audio MP3</a><script type="text/javascript">AudioPlayer.embed("f-html5audio-3", {soundFile: "/wp-content/audio/milton_nascimento_-_norwegian_wood.mp3"});</script></div><audio controls autobuffer id="html5audio-3" class="html5audio"><source src="/wp-content/audio/milton_nascimento_-_norwegian_wood.mp3" type="audio/mpeg" /><a href="/wp-content/audio/milton_nascimento_-_norwegian_wood.mp3" title="Click to open" id="f-html5audio-3">Audio MP3</a><script type="text/javascript">AudioPlayer.embed("f-html5audio-3", {soundFile: "/wp-content/audio/milton_nascimento_-_norwegian_wood.mp3"});</script></audio></div><script type="text/javascript">if (jQuery.browser.mozilla) {tempaud=document.getElementsByTagName("audio")[0]; jQuery(tempaud).remove(); jQuery("div.audio_wrap div").show()} else jQuery("div.audio_wrap div *").remove();</script>
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		<title>Águia Viva</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 22:09:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Águia Garra Urgência Arte Voracidade Imensidão Vida Amor]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Águia<br />
Garra<br />
Urgência<br />
Arte</p>
<p>Voracidade<br />
Imensidão<br />
Vida<br />
Amor</p>
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		<title>Absurda</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 22:07:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Absurda Densa Rara Intensa Arredia Nua Amada]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Absurda<br />
Densa<br />
Rara<br />
Intensa<br />
Arredia<br />
Nua<br />
Amada</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Palavras Vivas</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 18:50:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Há palavras em mim, que é preciso que encoste teus lábios nos meus para ouvi-las. Há palavras espalhadas pelo meu corpo&#8230; Escritas como em braile. É preciso me tocar para desvendá-las. Há palavras que saem vivas, ensurdecedoras ou feitas de profundo silêncio, de dentro da minha alma. E que passam a contar, a quem se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há palavras em mim, que é preciso que encoste teus lábios nos meus para ouvi-las.</p>
<p>Há palavras espalhadas pelo meu corpo&#8230; Escritas como em braile. É preciso me tocar para desvendá-las.</p>
<p>Há palavras que saem vivas, ensurdecedoras ou feitas de profundo silêncio, de dentro da minha alma.</p>
<p>E que passam a contar, a quem se entrega ao amor e a viver, quem eu fui, quem eu sou, quem ainda vou ser.</p>
<p>Momentos de alegria, outros de tristeza&#8230; E sei lá mais o quê.</p>
<p>_______________<br />
<em>Com citações a Lya Luft.</em><br />
<em>E outras citações&#8230;<br />
Sim, este foi um momento de muita alegria.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>As canecas</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 17:27:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[(As canecas precisam ser levadas.) (Preciso lhe ensinar a tocar violão.) (Você precisa me ensinar a pintar.) (Precisamos aprender a dançar.) (Você precisa me ensinar a viver.) (Eu preciso lhe ensinar a respirar.) (Precisamos aprender a amar.) (Enquanto as canecas podem ser levadas.)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(As canecas precisam ser levadas.)</p>
<p>(Preciso lhe ensinar a tocar violão.)</p>
<p>(Você precisa me ensinar a pintar.)</p>
<p>(Precisamos aprender a dançar.)</p>
<p>(Você precisa me ensinar a viver.)</p>
<p>(Eu preciso lhe ensinar a respirar.)</p>
<p>(Precisamos aprender a amar.)</p>
<p>(Enquanto as canecas podem ser levadas.)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sabor</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 12:19:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frases]]></category>
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		<description><![CDATA[Seja um café, um suco ou um vinho&#8230; Só sentimos o sabor quando respiramos. Com a vida também é assim.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seja um café, um suco ou um vinho&#8230; Só sentimos o sabor quando respiramos. Com a vida também é assim.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Primavera</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 03:55:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Da longa noite fui chamado. Acordei de um sono triste. Rosto molhado, das dores que chorei. Foi-me então apresentada a alegria. Não acreditava mais sua existência. Mas, por toda a minha vida a pressentia. A amava e a queria. Mesmo antes de a conhecer. Eram cegos antes os meus olhos. De súbito passei a ver, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da longa noite fui chamado. Acordei de um sono triste. Rosto molhado, das dores que chorei. Foi-me então apresentada a alegria. Não acreditava mais sua existência. Mas, por toda a minha vida a pressentia. A amava e a queria. Mesmo antes de a conhecer.</p>
<p>Eram cegos antes os meus olhos. De súbito passei a ver, a enxergá-la. Lá dançava uma menina. Diante de mim. Em minha frente a parte que ao destino cabe se cumpria. Nos passos desconhecidos daquela dança , pedia companhia. Minha decisão de a viver.</p>
<p>Desenhou-me os lábios, recriando assim a minha boca. Esculpiu novamente meus dedos e minhas mãos. Deu-lhes novos sentidos. Passei a entender essa inusitada possibilidade: tocar a alma através da pele. Encheu-me de esperança o coração. E ele voltou a bater.</p>
<p>Meus dias recobraram vida. Dela se preenchem e transbordam. Meus caminhos, de cores novas e belas; as flores, de instigante primavera. Meus olhos reconheceram o brilho nos seus. Nossas mãos dadas, agora a criar juntas. Alegres sonhos. Vivas aquarelas. Realidades já a brotar e florescer.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>À primeira vista</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 03:07:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há quem acredite em amor à primeira vista. Há quem diga que amor louco dura pouco. Há quem diga. E com razão. Há quem viva. E com emoção. Numa viagem clandestina, num rompante&#8230; Fugi para o Rio. Aos onze anos. Foi quando eu conheci o mar. A areia, as ondas. A imensidão. A água e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem acredite em amor à primeira vista. Há quem diga que amor louco dura pouco. Há quem diga. E com razão. Há quem viva. E com emoção.</p>
<p>Numa viagem clandestina, num rompante&#8230; Fugi para o Rio. Aos onze anos. Foi quando eu conheci o mar. A areia, as ondas. A imensidão. A água e o céu. O sal e o sabor. O sol. A brisa em meu rosto. E minha alma se inflou de vida. Desabrochou o meu coração.</p>
<p>Era a primeira vez que o via. O mar. E sabia que o amaria para sempre.</p>
<p>Sem explicação, sem hesitação. Sem questionamentos ou racionalização. Simplesmente sentia. Sabia. O mistério, a magia. E a verdade. De um amor tão profundo já em seu tenro início. Sem paradoxos. Mas um milagre. Imediata identificação. O reconhecimento de mim mesmo num vasto e voraz fora de mim. Eu o começo, ele sem fim. Infinita completude.</p>
<p>Isto há tantos anos, e continuo amando&#8230; Vivo, voraz e encantado como na primeira vez.</p>
<p>E assim é agora. O mar em seus olhos. A imensidão em sua alma.</p>
<p>E desde o seu olhar intuo o caminho. Em seu mais suave toque, o carinho. E certeza. De onde crio o caminhar. Os pés descalços na areia. O sol no rosto. A brisa na pele. A vida no coração. As mãos dadas pela vida. E então&#8230; Eis meu derradeiro destino.</p>
<p>Sem desatino e em paz. Nos braços da tão amada (desde a primeira vista), ainda hei de belamente morrer. De tanto viver. De tanto a amar. Tal qual o mar.</p>
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		<title>Água Viva</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2009 22:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Aquela moça, ali em meio a tanta gente&#8230; A vejo, me vê: é diferente. Desde seus olhos, duas vertentes. Então sonho cachoeiras, rios. Suas nascentes. Rara, sei. Mas eu, estabanado: que o carinho é brando, mas o desejo urgente. Intuo assim o destino. Nem certo ou errado. Crio o caminho. Seu carinho: adivinho. Ainda tudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aquela moça, ali em meio a tanta gente&#8230; A vejo, me vê: é diferente.<br />
Desde seus olhos, duas vertentes. Então sonho cachoeiras, rios. Suas nascentes.<br />
Rara, sei. Mas eu, estabanado: que o carinho é brando, mas o desejo urgente.<br />
Intuo assim o destino. Nem certo ou errado. Crio o caminho. Seu carinho: adivinho.<br />
Ainda tudo por aprender. Rosas ou espinhos. Mas sinto, pressinto. Corajoso e impreciso.<br />
Nos seus contornos, contorno indeciso o rosto, a boca. Seu riso. E o misterioso olhar.<br />
A insinuar aventuras e canduras. Tão vasto mar. Que me chama a viver. Navegar. Amar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Vento</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 01:37:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Para aqueles que não me conhecem Ao prazer, do lixo ao luxo, à arte os remeto Trato o mundo com as mãos, sem julgamentos Recrio o olhar dos que não vêem, e adormecem Ilhas de solidão, olhos perdidos, sem movimento Caindo num vão, vidas menores que um momento, Indo e vindo num mundo cão. Mas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para aqueles que não me conhecem<br />
Ao prazer, do lixo ao luxo, à arte os remeto<br />
Trato o mundo com as mãos, sem julgamentos<br />
Recrio o olhar dos que não vêem, e adormecem<br />
Ilhas de solidão, olhos perdidos, sem movimento<br />
Caindo num vão, vidas menores que um momento,<br />
Indo e vindo num mundo cão. Mas, insanos e belos são&#8230;<br />
Aqui, de coração leve, os acalento: livre e viva como o vento</p>
<p>_______________<br />
<em>Para Patricia Miziara.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Janelas e portas além</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jul 2009 00:57:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Janelas e portas além, encontrei-lhe: entre frestas e pontes; ruas e avenidas. Um alvoroço: percorrer o seu pescoço. (Dera você somente nua e tão atrevida.) Lumiar então seus olhos, o olhar. (Guia-me até onde nascem seus olhares.) Indecente e puro, é o que quero. Amor vermelho. Vestir-lhe não de colares. É o que espero: nada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Janelas e portas além, encontrei-lhe: entre frestas e pontes; ruas e avenidas.<br />
Um alvoroço: percorrer o seu pescoço. (Dera você somente nua e tão atrevida.)<br />
Lumiar então seus olhos, o olhar. (Guia-me até onde nascem seus olhares.)<br />
Indecente e puro, é o que quero. Amor vermelho. Vestir-lhe não de colares.<br />
É o que espero: nada de espelho. Você, fascinante e diferente; um outro mundo.<br />
Ladrilhando caminhos, inventando destinos. E muito mais. Intensos. Profundos.<br />
Leves carinhos&#8230; E sim: desatinos. Açoites! A calma de dia, a voracidade das noites.<br />
Ir aonde a vista não alcança. Sem se cansar. Não só euforia: verdadeiramente, amar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A dor</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 02:07:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Originais]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Mas, onde é que dói?&#8221; – minha mãe perguntava. Eu agravava a cara de dor, os olhos de choro&#8230; E permanecia em silêncio. Como se mudo fosse de nascença. As palavras eram como leais cúmplices sob tortura. Jamais me entregariam. Além do mais não saberiam mesmo explicar. E eu era criança. Como dizer: &#8220;Olha, mãe: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>&#8220;Mas, onde é que dói?&#8221; – minha mãe perguntava. Eu agravava a cara de dor, os olhos de choro&#8230; E permanecia em silêncio. Como se mudo fosse de nascença. As palavras eram como leais cúmplices sob tortura. Jamais me entregariam. Além do mais não saberiam mesmo explicar. E eu era criança. Como dizer: &#8220;Olha, mãe: eu não sei onde dói. Só sei que dói.&#8221;? Eu apenas me encolhia todo e ainda mais. Mas minha mãe ouvia. Não a minha voz. A minha alma. &#8220;Hum&#8230; Eu vou ao mercado comprar milho. Será que se você comer curau, melhora?&#8221; E eu apenas esboçava um forçoso sorriso. Não o sorriso de quem já está bom, senão não faria sentido nem seria verdade. E era sentido. E era verdade. Eu não estava mesmo bom. Então concordava com um abano de cabeça. Como quem quisesse sorrir, mas sem sorrir. Um sim que ainda não foi dito. Mas já foi.</p>
<p>Nunca acreditei nos milagrosos poderes curadores do curau, côco, canja ou qualquer outra coisa pensada e inventada por ela na hora. Só sei que ficava bom&#8230; No decorrer do dia, é claro. E não era porque eu queria aquelas coisas. Sério. Eu não queria o fim, queria o meio. Queria o ato. Ela ir lá ao mercado e comprar seja lá o que fosse, mas antes: me olhar com aquele olhar doce. De abrigo, de proteção, de compreensão. De amparo. E cuidar e me paparicar o dia inteiro. O amor, o carinho, a preocupação. Sem querer explicação. Ela já sabia. Sabia que onde doía não dava pra explicar. E nem achava que era mentira. Pois não era. Doía. De verdade. Em algum lugar que eu não sabia, nem sei, identificar.</p>
<p>Hoje que aprendi a ler, poderia citar Carpinejar: &#8220;Dói onde não fui beijado&#8221;. Ou, me surpreendendo com minha idade (como se ela tivesse aparecido de uma hora pra outra), dizer como Luiza Voll: &#8220;Tudo que não vivi dói&#8221;. Ou hoje, que aprendi a escrever e não me contentar com os calendários passados, citar a mim mesmo, complicando e dizendo: &#8220;Tudo que eu sei que poderia ser vivido e não foi, não porque eu não quis, não porque eu não tentei (ou achei que tentei), não porque&#8230; Enfim&#8230; Dói.&#8221; Mas continuo não sabendo dizer onde é que dói ou porquê. Só sei que dói. Não quero o curau, o côco ou a canja. Tampouco outra mãe. Eu quero o ato. Ser amado só porque eu existo. Sem condições, desconfianças ou explicações. E, justamente por isso, ser assim curado de toda esta dor&#8230; Profunda, importante e verdadeira. Insuportável e indizível. Invisível e sem explicação. Como continuo a ser. Para quem não me vê.</p>
</div>
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		<title>Um pouco de céu</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 21:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Aos incensos queimados. Aos espinhos sangrados. Aos namoros inacabados. Aos retratos virados. Aos olhos desconfiados. Aos dias reinventados. Às pétalas e rastros no chão. Aos pedaços emendados de coração. Aos breves e belos, amores eternos. Às novas rimas em velhos cadernos. Às idas e vindas do inferno. Ao início do Inverno.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Aos incensos queimados. Aos espinhos sangrados.</p>
<p>Aos namoros inacabados. Aos retratos virados.</p>
<p>Aos olhos desconfiados. Aos dias reinventados.</p>
<p>Às pétalas e rastros no chão. Aos pedaços emendados de coração.</p>
<p>Aos breves e belos, amores eternos. Às novas rimas em velhos cadernos.</p>
<p>Às idas e vindas do inferno. Ao início do Inverno.</p>
</div>
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		<title>Devolução</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 00:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[O rio escorre as águas dos meus olhos. A foto: menina, moleca. Meu nariz de palhaço. Eu fiz. Agora o que é que eu faço? Vermelhos: caneca, balde. Vinho, chocolate e um buquê de flores. Chorar, eu posso? Ou me arrancaram também o direito? Falo a língua dos gatos. Lá do alto. Lembra? Cobertura de [...]]]></description>
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<p>O rio escorre as águas dos meus olhos. A foto: menina, moleca. Meu nariz de palhaço. Eu fiz. Agora o que é que eu faço? Vermelhos: caneca, balde. Vinho, chocolate e um buquê de flores. Chorar, eu posso? Ou me arrancaram também o direito? Falo a língua dos gatos. Lá do alto. Lembra? Cobertura de hotel. Nem existia sorvete de gengibre. Só quentão e quem sabe mel? E lábios pra lamber. Pressintia tantos pudores. A se derreter. Mas quais as dores que ainda iríamos ter? Não peço desculpas, porque não errei. Que raio de pecado é esse? Se sigo sem perdão. Ir ao seu encontro eu iria. Desde sempre. Sempre fui. Mas agora é em vão. É sua vez. E você não vem. Sei que não. Por que sempre fui eu a ceder? Você também não sabe. Pra quem eu pergunto? Minha dor é menor porque saiu da minha boca decisão? Ter razão não me resolve. Porque sou feito de emoção. Apenas saiba. De mim, não houve presentes. Apenas dei o que já era seu. Desde sempre. Nada de volta não. Mas agora, último favor. Só devolve. O chão. Meu coração.</p>
<p>(Ou então me envolve. O céu. A paixão. Pra revirarmos. O mar. Uma canção.)</p>
</div>
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		<title>Ironia</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 23:03:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Originais]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Estranhos os carinhos do vento&#8230; Reaprendo a escrever. O cigarro não esquentaria. (Devia ter trazido mais blusas. Tão perto do início. Quem diria?) Estranhos os caminhos que invento. Reaprendo a viver. O sol não aquece. Sem você, que me esqueceria. Nem cais ou Cazuza. Vinicius. Vícios ou rebeldia. Era coragem, medo ou covardia? Quem é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Estranhos os carinhos do vento&#8230;<br />
Reaprendo a escrever. O cigarro não esquentaria.<br />
(Devia ter trazido mais blusas. Tão perto do início. Quem diria?)</p>
<p>Estranhos os caminhos que invento.<br />
Reaprendo a viver. O sol não aquece. Sem você,<br />
que me esqueceria. Nem cais ou Cazuza. Vinicius. Vícios ou rebeldia.</p>
<p>Era coragem, medo ou covardia?<br />
Quem é que me via? Perdeu-se entre tanta teimosia?<br />
Quem é você? Diz. Quem que eu tanto queria?</p>
<p>Era miragem, cedo ou travessia?<br />
Quem não me via? Pra quê querer-me como guia?<br />
Fui aonde você quis. Você, menos pra onde eu iria.</p>
</div>
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		<title>Insistência</title>
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		<pubDate>Sat, 30 May 2009 03:37:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
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		<description><![CDATA[Se ela me reconquistasse&#8230; Ou, ao menos tentasse. Eu saberia que a conquistei, ao menos uma vez. Mas, que bobagem! Ninguém conquista a ninguém. Países desconhecidos e impossíveis, tesouros submersos e insondáveis. O amor&#8230;? Tudo é orgulho e vaidade. Bilhões de umbigos. A verdade é que&#8230; O amor não existe. As manhãs vivem. A gente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se ela me reconquistasse&#8230; Ou, ao menos tentasse. Eu saberia que a conquistei, ao menos uma vez. Mas, que bobagem! Ninguém conquista a ninguém. Países desconhecidos e impossíveis, tesouros submersos e insondáveis. O amor&#8230;? Tudo é orgulho e vaidade. Bilhões de umbigos. A verdade é que&#8230; O amor não existe. As manhãs vivem. A gente apenas insiste.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Literal</title>
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		<pubDate>Fri, 29 May 2009 00:11:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Noutro dia almoçava junto ao pessoal do trabalho quando um deles olhou para um champignon em meu prato, apontou e, sei lá por que cargas d&#8217;água, disse: &#8220;Eu quero comer esse.&#8221; Não vi que havia já um amontoado de champignons na borda de seu prato, intocados&#8230; Aliás, não vi nada. Não pensei em nada. Simplesmente [...]]]></description>
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<p>Noutro dia almoçava junto ao pessoal do trabalho quando um deles olhou para um champignon em meu prato, apontou e, sei lá por que cargas d&#8217;água, disse: &#8220;Eu quero comer esse.&#8221; Não vi que havia já um amontoado de champignons na borda de seu prato, intocados&#8230; Aliás, não vi nada. Não pensei em nada. Simplesmente coloquei meu champignon (adoro champignon) no prato dele. E continuei almoçando. A coisa mais natural do mundo. Com o demorar do silêncio percebi que algo havia acontecido. Não achei que era comigo. Finalmente olhei pra ele e vi que estava surpreso. Talvez perplexo. O outro em sua frente, também. E eu: &#8220;Que foi?&#8221; Ele: &#8220;Por que você fez isso?&#8221; Eu: &#8220;Porque você queria, uai!&#8221; Ele: &#8220;Mas eu não gosto de champignon, não lembra outro dia que falei isso?&#8221; Ué, podia não gostar naquele dia, mas gostar agora. Mas foi então que olhei pro prato dele e entendi tudo. Quero dizer, entendi que ele não gostava mesmo de champignon, não o porquê dele dizer que queria o meu se não gostava. A perplexidade talvez tenha sido pelo nojo da comida alheia em seu próprio prato&#8230; Talvez pela intimidade inesperada, da distância não calculada. Mas, muito mais provavelmente pela naturalidade do meu ato. Como o pai que obedece prontamente ao filho, sem dar tempo do pensamento se esboçar. &#8220;Eu quero a sua sobremesa!&#8221; Pronto, aí está. O chiclete da minha boca. A roupa do meu corpo. Não importa. Eu faço primeiro pra pensar depois. Se podia, se era lógico, se era adequado&#8230; Não sei. Não quero saber. Confio na boca de quem fala como se fosse o coração a pronunciar as palavras. Sou metafórico com a caneta pra ser literal na vida.</p>
<p>Num relacionamento, pra mim, tudo também é literal. Ela disse que sou bonito? Viro galã. Inteligente? Einstein. Que tem tesão? Sou Don Juan. Que se apaixonou? Encomendo alianças. Que me ama? Já estou casado. A menstruação não veio? Já enxergo o sorriso dos netos. Eu a brincar com eles sob o sol, sobre a grama. Uma linda manhã.</p>
<p>Que gosta de mim do jeito que sou? Fartarei a ambos de tanto ser eu mesmo. Transbordarei as fronteiras do suportável. Se me deu as mãos, não entendo recuos. Se está apaixonada, não aceito nada menos que devoção. Sem exigir ou querer explicação. Quer saltar? Já estou lá em cima, num avião. Tenho a certeza absoluta da companhia. Olhar e ver a outra pessoa no chão: muita decepção.</p>
<p>Não me contento apenas com sonhos e possibilidades. Quero ações. Realizações. Realidades.</p>
<p>Lembro que um dia conversávamos ela e eu sobre fantasias. Aí me deparei com um conceito estranho. Pra ela havia o desejo de fazer algo, e a fantasia em fazer algo. Pra mim eram a mesma coisa. Mas ela disse que não. O desejo de fazer, explicou, se referia a alguma coisa que a pessoa queria mesmo fazer. Que faria assim que tivesse oportunidade. A fantasia, não. A fantasia, algo que poderia ficar de forma infindável apenas na imaginação, sem jamais se concretizar, porque a pessoa, no fundo, não faria mesmo aquilo. Eu entendi, mas não achei a mim aplicável. Jamais revelei uma fantasia, por mais absurda, que não quisesse mesmo realizar. Tornar real. Viver. Não tenho fantasias que não faria quando da oportunidade. Pra mim é apenas o tempo da oportunidade existir. Ou melhor, se não existir, criá-la. Quando me dôo, todas as minhas palavras não formam frases, tornam-se confissões. Só escondo, omito ou calo quando constrangido. Quando ser eu passa a ser feio para a outra pessoa. Antes eu me abandonava. Hoje tenho aprendido a ir embora.</p>
<p>Não entendo de metáforas, ironias, sarcasmos, alegorias, eufemismos, disfarces, enfeites&#8230; Se falei é porque quero. Se não falei, também posso querer. Se ouvi, pra mim é verdade. Se não ouvi, imagino. Deliro. Quando confio, não me importa pra onde. Se eu convidar e ouvir &#8220;sim&#8221;, já estamos juntos no mesmo barco, e caminho. Se me convidou, já somos nós a viagem, e destino.</p>
<p>Não ignoro a magia do mistério, é claro. Tampouco confio em qualquer um. Em qualquer uma. Para ser considerado adulto, também a aprendi a mentir. Mas, aberto, sou cândido, vulnerável, inocente. Criança. Simplesmente acredito. Verdade não carece tradução.</p>
<p>A brisa não pergunta. Deus existe. As nuvens são mesmo de algodão.</p>
</div>
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		<title>O escafandro e a borboleta</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 03:23:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Falar o que direi pode parecer presunção aos 20, aos 30&#8230; Mas agora, passados alguns anos a mais, talvez não. Ou talvez sim. Eu posso sempre estar errado. E quando digo que posso, não estou apenas mencionando a possibilidade real de estar mesmo errado e nem me dar conta, mas também que posso sim estar [...]]]></description>
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<p>Falar o que direi pode parecer presunção aos 20, aos 30&#8230; Mas agora, passados alguns anos a mais, talvez não. Ou talvez sim. Eu posso sempre estar errado. E quando digo que posso, não estou apenas mencionando a possibilidade real de estar mesmo errado e nem me dar conta, mas também que posso sim estar errado, no sentido que tenho o direito de estar. O fato de eu ter nascido imperfeito é Deus dizendo-me que já vim para a vida pré-perdoado. De tudo. Então com ele pode deixar que eu me entendo. Está tudo em casa. Complicado é entender-se com todos os outros e, principalmente, comigo mesmo.</p>
<p>Mas não é sobre isso que eu ia falar. Ia falar de um dom que acredito que tenho. Que é o de enxergar numa pessoa seu potencial. Seus potenciais. Como ela seria se não fosse imperfeita. Se não tivesse limitações. Isso pode, em princípio, parecer uma bênção. Mas, sozinho, este dom pode ser muito prejudicial. Muito mesmo. Quantas vezes quis sair mudando todo mundo? Querendo que as pessoas enxergassem em si o que eu já enxergava tão antes e elas ainda não? Ou já enxergavam, mas sabiam que ainda não eram capazes de chegar até lá? Ou sabiam-se capazes, mas não queriam chegar até lá? Ninguém é obrigado a ser do jeito que eu vejo. Querer isso é um enorme desrespeito. Ah, e existe a também enorme possibilidade de eu estar enxergando o que não existe e estar completamente enganado. Mas aí&#8230; Eu sempre posso estar errado. O que não me dá o direito ao desrespeito, porém.</p>
<p>Tenho entendido que o melhor então é procurar casar esse dom com o aprendizado de também enxergar e respeitar as limitações de cada um. E o direito, inalienável, da pessoa ser quem escolheu e escolhe ser. Quando escolher ser. Isso se quiser escolher. &#8220;Ah, eu tenho um talento inigualável pra pintura? Que bom saber, mas eu não quero ser pintor.&#8221; Então tá&#8230; Tá tudo bem. Não ficar então insistindo ou presenteando essa pessoa com cavaletes, telas e tintas. Ou&#8230; &#8220;Que bom que tenho talento pra pintura. Gostaria de ser pintor, mas não acho que consiga.&#8221; Então tá bem também. Um dia quem sabe? Está aí minha dica. Se você escolher ser pintor, será um dos melhores. Gostaria apenas que lembrasse que a qualquer momento você pode escolher ser o que quiser.</p>
<p>Fácil falar, né? Estou tentando aplicar isso&#8230; Mas, principalmente, respeitar minhas próprias limitações. Pois também consigo enxergar (um tanto vagamente, admito) como eu seria não fossem elas. Não fosse eu tão imperfeito. E tenho descoberto por vivência o que é óbvio em qualquer frase feita ou livro de auto-ajuda. Que a única pessoa que podemos mudar somos nós mesmos. E ir vencendo essas limitações próprias. Empurrando os limites para mais longe, enquanto não consigo ultrapassá-los. O que também não é nada fácil. Mudar a mim mesmo? Sim e sempre. Mas também descobrir o que não quero mudar. Mesmo que para os outros seja errado ou não seja útil, bonito ou admirável. Coisas que gosto de ser e gostaria de continuar sendo. Coisas que sei que um dia não serei mais, mas por enquanto quero ou preciso que seja. E não me iludir achando que posso viver sem elas. Que posso ignorar minha própria natureza em nome de&#8230; Seja o que ou quem for. Por mais importante. Eu também sou importante. Quem me ama que também me respeite.</p>
<p>Um dia acordei ao seu lado com uma intuição&#8230; Uma impressão esquisita após um sonho. Eu simplesmente sabia que alguém muito próximo morreria em 2010. A sensação quando acordei me contava que era eu mesmo. Fiquei pensando naquilo&#8230; Eu que já achei que ia morrer nunca. Eu que já quis a morte algumas vezes. Encontrei-me sem medo dela. Mas também sem a ânsia de encontrá-la. Nem o adiamento nem a pressa. Quando acontecer será naturalmente. No ano que vem ou em 2067. Cazuza disse que morrer não dói. Pressinto que não deve doer mesmo. A dor é deixar, no meio, uma festa que continuará sem nós. Que não aproveitamos ou não dançamos as músicas que queríamos porque nos achávamos incapazes ou nos achariam (ou nos acharíamos) ridículos.</p>
<p>Dói é ver a pessoa partindo sem saber quando a encontraremos novamente. Que aprenderemos a viver sem ela e ela sem nós. Esse pressentimento da saudade, que é apenas a ponta ainda da dor que se tornará. Até, depois do tempo, evaporar e ficar apenas a essência do que é bom na saudade. De tudo que nos parecia trivial, mas que é essencial e já não temos. A gente tem isso de achar que o fim existe. Sendo que tudo é eterno. A gente tem isso de achar que tudo é eterno&#8230; Quando sabemos que tudo é efêmero. Que sempre haverá tempo pra dizer ou demonstrar aquilo que tivemos preguiça ou falta de coragem em dizer. Ou que fomos pequenos mesmo e nos negamos dizer. Ou demonstrar. Ou fazer. O amor é o ridículo da vida, também dizia Cazuza. Entendo o que ele quis dizer, mas acredito que o amor não é o ridículo da vida. É a própria vida. Ridículos somos nós que o sentimos, mas não temos a menor nem a mais vaga idéia de como lidar com ele.</p>
<p>Essa pureza impossível. Esse ideal de perfeição. Perfeição que, se não há em um, haverá em outro. E ainda não entendemos que não há em ninguém. A beleza do ser humano está em sua imperfeição. Em como descobre maneiras de vencê-la dia após dia e ir além. Para descobri-la ainda tão maior, a imperfeição. E a si mesmo também. Tão enorme. Como nem ousava imaginar ser. Tão belamente imperfeito.</p>
<p>Deus, admirador da beleza, fez assim por bem nos criar imperfeitos. Para poder contemplar como somos belos quando humanos. Se quisesse outros iguais a si teria criado espelhos. Mas somos sim, de alguma forma, seus espelhos. Porque Deus também não é perfeito. (Embora ele, diferentemente de nós, não cultive a ilusão de um dia vir a ser.)</p>
<p>As borboletas são perfeitas. Mas existem e vivem apenas por 24 horas.</p>
</div>
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		<title>Reticências</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 16:19:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu quero dizer que a dor de dente passou. A dor de dentro, mais forte e intensa, não. Que as curvas e os vãos da cidade ainda formam seu rosto, mas que, aos poucos, também ganham a minha fisionomia. Que não roubei de você a cidade, você a tinha abandonado antes. Que longe estávamos mais [...]]]></description>
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<p>Eu quero dizer que a dor de dente passou. A dor de dentro, mais forte e intensa, não. Que as curvas e os vãos da cidade ainda formam seu rosto, mas que, aos poucos, também ganham a minha fisionomia. Que não roubei de você a cidade, você a tinha abandonado antes. Que longe estávamos mais perto. Que a pé, era mais fácil chegar. Que nem por isso eu iria parar. Que ainda não tive coragem de debruçar o retrato. Que retirar as fotos dos álbuns não excluirá os momentos que as criaram de sua memória. Que o fim aviva a memória do começo, e ofusca a própria. E que, desde o começo, tudo deu certo e foi mágico e verdadeiramente lindo. Que errado é poeta passar a viver sem poesia. O palhaço sem folia. (Sem mar eu procuro o rio.) Que não houve nem há outra. Que seria fácil pra mim se houvesse, mas muito mais fácil para você, que então não precisaria cogitar os verdadeiros porquês. Que ainda não comprei a geladeira, mas que agora já dá pra fazer café. Que voltei a fumar. Que continua fazendo mal, que o cheiro é ruim, mas que o sabor permanece bom. Que não sei como ou se vou devolver a cadeira e os livros. Que nossos amigos de repente, querendo eu ou não, se auto-devolverão a você (entendo, já eram seus de antes). Que os poucos meus sempre quiseram ser nossos. Que amor não é tudo, mas um dos pilares. E que quando os outros enfraquecem, a queda pode ser gradual e lenta, mas inevitável. Que não aprendemos a viajar juntos. Que não aprendemos a planejar juntos. Que não aprendemos a sonhar juntos. Que os ventos levam até certo ponto, depois são precisos remos, força e vontade. Que sem planos não se sai do lugar. Que os sonhos são a matéria-prima da realidade. Que minha gratidão existe, mesmo que você não a queira. Que aprendemos e crescemos tanto juntos. E que foi para isso que nos encontramos. E nos saímos muito, muito bem. Que não houve fim. Houve completude. Que o final, quando assim, deveria ser tão feliz quanto o começo. (Que se tivesse havido um &#8220;sim&#8221;, eu saberia que as trilhas eram outras, talvez as que eu queria, mas não as necessárias. Confesso que demorei pra lhe alcançar. E que quando isso aconteceu, eu já estava longe. Entendo que o desencontro foi tão necessário quanto o encontro. E que agora, para continuarmos crescendo e aprendendo, nossos caminhos precisam mesmo ser diferentes.) Que não perdemos nada porque tudo continuará em nós. Que a tristeza existe, eu sei. E também é bela. Que enxergar é sempre bom, mas que às vezes a claridade dói. Que a decisão não era só minha (há muito mais do que não vemos mas sentimos). Que apenas a compreendi e resolvi assumir sozinho a responsabilidade de dizê-la. Que nossos momentos mais simples eram os mais importantes. Que nossas brincadeiras mais singelas eram as mais preciosas. (Talvez sejam essas as faltas que tanto doem e doerão mais até se apaziguarem no alicerce do que somos.) Que sua alegria sempre me deu forças para mudar o mundo. E que continuará dando. Que não preciso ser seu namorado para dizer que te amo. E que continuarei amando.</p>
</div>
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		<title>Vermelha</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Mar 2009 02:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Embora a Revolução Francesa tenha acontecido há mais de 200 anos, seus ideais continuam sendo apenas ideais, sem ainda terem se realizado em nosso mundo. Com este artigo termino a trilogia onde pretendi discorrer, respectivamente, sobre a liberdade, a igualdade e a fraternidade (também fazendo alusão às três cores da bandeira francesa). Este ano é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Embora a Revolução Francesa tenha acontecido há mais de 200 anos, seus ideais continuam sendo apenas ideais, sem ainda terem se realizado em nosso mundo. Com este artigo termino a trilogia onde pretendi discorrer, respectivamente, sobre a liberdade, a igualdade e a fraternidade (também fazendo alusão às três cores da bandeira francesa). Este ano é o “Ano da França no Brasil” e achei por bem relembrar esses ideais, ainda tão distantes do nosso dia-a-dia.</p>
<p>Quando vejo o atual Papa dizer que combater o ‘homossexualismo’ (<em>sic</em>, o correto é “homossexualidade”) é mais importante que combater a degradação da natureza no planeta, quando vejo essa mesma Igreja punir uma criança por não querer dar à luz um filho que foi fruto de abuso sexual, quando vejo essa “crise” toda que os gananciosos homens de negócio criaram e agora não sabem como sair, quando vejo que um continente tão grande como a África continua simplesmente ignorado como se não fizesse parte do mundo ou do mapa, e tantas outras coisas absurdas acontecendo todos os dias (inclusive em Catanduva) e as pessoas achando que isso é normal&#8230; Parece que estamos mergulhados numa nova Idade Média, de escuridão e trevas. Toda a parafernália tecnológica atual não muda em nada o fato do ser humano continuar sendo tão atrasado e tão ignorante, perpetuando conceitos e preconceitos obsoletos e idiotas. Então é mais do que hora de procurar iluminar mais as coisas. De novo. Evoluir de verdade.</p>
<p>Imagine uma comunidade de pessoas onde cada nova criança nascida é filha de todos. Onde sua educação e seu bem-estar são da responsabilidade de todos, parentes ou não. Onde a ousadia do jovem é incentivada e há espaço para ele se desenvolver. Onde a sabedoria dos velhos é realmente ouvida, respeitada e levada em conta. Onde não há o menos ou o mais importante. Onde o conhecimento, o conforto e a riqueza são livremente compartilhados. Onde valores como sensibilidade, respeito, honestidade, honra e dignidade são praticados por todos, naturalmente, em todos os momentos, em todos os dias. Uma sociedade onde a coisa mais preciosa e mais abundante é o amor. O aprendizado e a prática desse amor. Onde cada um tem a consciência que a natureza não é uma entidade separada de nós. Que fazemos parte dela. Somos também ela. Que Deus é e está em todos. E todos são e estão em Deus. Se conseguir imaginar isso, então estamos falando da mesma coisa: fraternidade.</p>
<p>Penso na fraternidade como sendo caminho natural na evolução humana. Quando o ser humano se desvia dela, apenas atrasa seu próprio e inevitável destino. Mas penso também que para alcançá-la é preciso muito, muitíssimo trabalho. Temos todo esse trabalho imenso pela frente. Precisamos mudar o mundo. Devemos mudá-lo.  É nossa responsabilidade mudá-lo. Para melhor. É preciso, porém, admitir que ainda não temos essa capacidade nem conhecimento. Não conseguimos nem mudar a nós mesmos ainda. Se soubéssemos ao menos quem somos, mas não sabemos. Não nos permitimos e nem nos interessamos em saber. Conhecer a si próprio é o princípio, o começo do começo, para depois tentar mudar para melhor quem somos. É um processo contínuo, árduo e, na maior parte das vezes, desagradável. Mexeremos com vícios que gostamos muito de ter. Saltarão diante de nós defeitos que teimamos em fingir que não temos. Saberemos o tamanho extremo de nossa ignorância. Por fim, encararemos a nós mesmos, do jeito que somos realmente e não do jeito que queremos que acreditem (e até nós mesmos acreditamos) que somos.</p>
<p>Quando pessoas como Jesus, Gandhi e Madre Tereza deixarem de ser lembrados como exceção à regra, porque a maior parte dos seres humanos será como eles, aí então é que se dará o começo. Ainda não começamos. Mal temos vontade ou força de erguer o pé para dar o primeiro passo. Quando isso acontecer os próximos passos virão, mesmo que ainda árduos, mais facilmente. Então o processo de mudança global poderá realmente acontecer. Porque o mundo externo será também mudado, não por grandes acontecimentos, mas pelos pequenos. Em conseqüência natural da mudança de cada de um. A liberdade, a igualdade, a fraternidade e o amor não serão mais ideais. Serão parte de nós. Tão vivos, reais e imprescindíveis como a água, o ar, a terra e o fogo.</p>
<p>_______________<br />
<em>Publicado em 21/03/2009 pelo jornal &#8220;O Regional&#8221; de Catanduva &#8211; SP.</em></p>
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		<title>Sexo forte</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 03:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tantas mulheres me formaram desde a infância. A que me abandonou. A que me descobriu. A que me rejeitou. A que me acolheu. Cresci aprendendo a ver pelos olhos da mulher. A sentir pelo seu toque. A desbravar a vida inspirado pela sua coragem. A ser forte imitando sua força. A ser terno embebido em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tantas mulheres me formaram desde a infância.</p>
<p>A que me abandonou. A que me descobriu. A que me rejeitou. A que me acolheu.</p>
<p>Cresci aprendendo a ver pelos olhos da mulher. A sentir pelo seu toque. A desbravar a vida inspirado pela sua coragem. A ser forte imitando sua força. A ser terno embebido em sua ternura. A arriscar confiando na sua intuição. A criar surpreso com sua imprevisibilidade. A querer o que é belo contemplando sua beleza. A amar desvendando o seu coração.</p>
<p>Uma mulher consegue viver sem um homem. Trabalhar em casa, na empresa&#8230; Criar filhos. Ainda assim fazer-se atraente. Sair-se dos malabarismos do orçamento doméstico. Lidar com hemorragias mensais. Gerar por meses uma nova vida. Abrir muitas vezes mão da sua própria felicidade para ver feliz a quem ama. Educar. Compreender. Perdoar. Aconchegar. Apoiar. Incentivar. Amar até o fim e incondicionalmente as pessoas que ama. Verdadeiramente.</p>
<p>Uma mulher é feita de graça, de força, de intuição, de garra, de manha. De sutilezas, de rompantes. De todas as forças da natureza. De vida. De beleza. Não foi feita de uma costela de homem. Não foi feita para viver à margem ou à sombra de um homem. Não é feita pela mão dos homens. Que nada são sem as mulheres.</p>
<p>Nasci de uma mulher que não me quis. Mas deu-me a vida, talvez não pudesse dar mais. E tornei-me homem pelas mãos de uma mulher que me ensinou a vida. Que me escolheu pra filho e me amou até o fim. Então aprendi, como continuo a aprender, também com outras mulheres. Próximas e distantes. Amigas e inimigas. Amantes. Amadas. Doces ou arredias. Que me ensinaram também pela dor. Mas que me ensinaram muito mais com seu amor. A ser. Mais que homem, humano. De verdade.</p>
<p>Tantas mulheres me formaram. E me formam. Desde a infância.</p>
<p>Levo-as comigo. Em mim. Assim como a honra de ter conhecido cada uma delas. Gratidão e honra. Força e delicadeza. A paixão e a serenidade. A retidão e a ousadia. A dor e a alegria. O tempero do sal, a doçura do mel. Aprendizados de amor e vida. Para entregar após minha volta, de volta, a Deus. Que sei, há de ser também uma amorosa e linda mulher.</p>
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		<title>Branca</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 02:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há muito se luta na humanidade por igualdade. Mas há pouco é que o empenho nessa luta e o esforço de tantos que lutaram começaram a render alguns frutos. Durante muito e muito tempo nem lutar era possível. E o que querem? Serem iguais? De que forma? As mulheres lutam por igualdade. Os negros lutam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muito se luta na humanidade por igualdade. Mas há pouco é que o empenho nessa luta e o esforço de tantos que lutaram começaram a render alguns frutos. Durante muito e muito tempo nem lutar era possível. E o que querem? Serem iguais? De que forma? As mulheres lutam por igualdade. Os negros lutam por igualdade. Os pobres lutam por igualdade. Igualdade com o quê? Com quem? As mulheres iguais aos homens? Os negros iguais aos brancos? Os pobres iguais aos ricos? Bem&#8230; O caminho da igualdade não tem a mesma distância em ambas as direções? Por que não se cogita os homens serem iguais às mulheres? Os brancos serem iguais aos negros? Os ricos iguais aos pobres? Afinal de contas, o que é essa tal igualdade pela qual tanto lutam? Pela qual tantos lutam? E mais: quem elegeu o padrão de igualdade pelo qual se deve lutar? Seriam os homens melhores que as mulheres? Os brancos melhores que os negros? Os ricos melhores que os pobres? Quais entre eles estão convencidos disso? Quem convenceu quem? Quem se convenceu primeiro? Quem é mais convencido?</p>
<p>Muito além das mulheres, dos negros e dos pobres&#8230; Tantos outros lutam por igualdade. Mas são tão diferentes. Por que tanta ânsia em serem iguais? Então vamos desmistificar isso de uma vez por todas: jamais seremos iguais. E isso é muito bom porque somos mesmo diversos e múltiplos. Muitos confundem a luta por igualdade com a luta por ser igual. E dentre esses há os que querem mesmo ser iguais. Eu citei as mulheres. É uma pena ver que parte delas está mesmo se tornando “homens de saia”. Com todo o machismo, arrogância e frieza inerente a vários dos homens. A igualdade não era essa. A mulher é linda como é. Só que aí vem outra distorção. Muitos confundem como é que uma mulher “deve” ser, achando-a menor ou menos importante que o homem. A mulher tem o mesmo tamanho e a mesma importância que o homem, não importa em que época, contexto ou situação.</p>
<p>Não é justo uma mulher, ocupando o mesmo cargo que um homem numa empresa, receber menos por ser mulher. Não é justo a mulher ser desrespeitada ou mal tratada só porque muitas vezes tem uma característica física mais frágil ou uma personalidade mais emocional. Assim como no homem, a força existe na mulher. E nem precisa ser física. O valor é igual, embora as diferenças entre homens e mulheres sejam muitas. E cada uma delas deve ser respeitada. A igualdade em respeito e consideração. Não há melhor ou pior. Maior ou menor. O sexo, o gênero, a cor da pele ou a condição social de uma pessoa jamais deveriam levar ao preconceito ou à discriminação, seja de que tipo for. Somos todos seres humanos com direitos iguais. Então é esta a igualdade pela qual a luta é válida.</p>
<p>Quanto aos outros tratamentos desiguais&#8230; Quantos maus exemplos! Imagine a situação em que um adoentado chega ao hospital precisando de tratamento urgente. Se ele pagar de forma particular, o atendimento será um. Se tiver convênio com algum plano de saúde, dependendo do plano e qual modalidade paga, será outro tipo de atenção. Se não tiver plano algum e chegar ao hospital apresentando sua fichinha do “SUS”, todos sabemos que passará por uma série de constrangimentos e absurdos ultrajantes até conseguir ser (muito mal) atendido. Isso é igualdade? Igualdade seria uma pessoa chegar ao hospital, ser muito, mas muito bem tratada mesmo. Ter atendimento de primeira do início ao fim. Não importa quem seja. Daí então, no final, na saída, poder-se-ia perguntar se quem pagaria o tratamento seria ela mesma, se seria algum plano de saúde ao qual é conveniada ou se quem arcaria com o custo seria o governo. Não importa quem pagará no final. O tratamento deveria ser igualitário desde o início.</p>
<p>Quer mais exemplos? O acesso à educação&#8230; Todos deveriam ter o mesmo (e alto) nível de educação, não importa sua origem, aparência ou renda. Oportunidades iguais de emprego, de moradia, de cultura, de lazer&#8230; Não que cada um vá ser igual por ter tido oportunidades iguais. Temos características, personalidades e gostos diferentes. Essa multiplicidade é linda. Assim como as flores têm tantas cores e formatos tão diferentes. E todas são flores. Todas são belas. Nenhuma é menos flor que a outra. Assim se dá com os seres humanos. Tão diferentes e tão igualmente humanos.</p>
<p>_______________<br />
<em>Publicado em 07/03/2009 pelo jornal &#8220;O Regional&#8221; de Catanduva &#8211; SP.</em></p>
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		<title>Azul</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 02:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanderlei Martinelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Qual é a coisa mais importante para um ser humano? Complicado responder, não? Porque cada um de nós tem seus próprios valores e prioridades na vida. O que determinada pessoa acha importante pode ser completamente sem importância pra outra. A saúde? O amor? A prosperidade? Independentemente da ordem de prioridade, acho que todos nós queremos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qual é a coisa mais importante para um ser humano? Complicado responder, não? Porque cada um de nós tem seus próprios valores e prioridades na vida. O que determinada pessoa acha importante pode ser completamente sem importância pra outra. A saúde? O amor? A prosperidade? Independentemente da ordem de prioridade, acho que todos nós queremos isso. Mas a pergunta inicial persiste. Vamos tentar descobrir então. Primeiro vamos pensar&#8230; Quando um indivíduo comete um ato definido como crime pela sociedade onde vive, qual é a forma de punição mais usada? A prisão? Sim&#8230; E estar preso não é o contrário de estar livre? Uma das coisas comuns em uma punição, seja qual for, é tirar da pessoa aquilo que tem mais valor pra ela. Privar ela dessa coisa. Nesse caso, da prisão, a primeira coisa retirada da pessoa é a liberdade. Então pode-se dizer que a liberdade é a coisa mais importante na vida de uma pessoa? Provavelmente.</p>
<p>Citei no parágrafo anterior a saúde. Sem saúde não somos realmente livres. A falta dela priva-nos da liberdade. E, como já citei num outro artigo, não estar doente não é o mesmo que ter saúde. É triste ver que uma considerável parte da humanidade hoje em dia vive sem saúde. Não necessariamente doentes, mas sem saúde. Sem vitalidade. Sem liberdade, portanto. Além de exigir das entidades responsáveis em nos propiciar um sistema de saúde adequado, digno e justo (e sem precisarmos pagar duplamente por um serviço que já é muito bem pago através de nossos impostos), precisamos também cuidar da nossa própria saúde. Dedicar-nos a isso. E quando digo saúde me refiro à física, mental, emocional e espiritual.</p>
<p>Citei o amor. Sem amor também não somos realmente livres. Precisamos amar e sermos amados. Demonstrar nossos sentimentos, perceber e viver os sentimentos de quem nos rodeia. O amor nos leva à ação, nos leva ao bem-estar, ao prazer e à felicidade. A falta dele nos leva à tristeza, à desesperança e à letargia&#8230; E assim também não é possível a liberdade. Viemos aqui neste mundo para sermos tudo que podemos ser. Sem amor não somos. É preciso cultivar nossas amizades, nossos amores. Como é preciso agir e se dedicar às pessoas que amamos. Fazer coisas por elas é, ao mesmo tempo, fazer por nós. Quem ama vive melhor. Também preciso é amarmos a nós mesmos. Princípio imprescindível para darmos amor verdadeiro e sermos mesmo livres. Quanto mais nos doamos mais nos temos. Amor é o princípio de toda e qualquer criação.</p>
<p>Também citada foi a prosperidade. Há um desequilíbrio enorme na humanidade a respeito dela. Uns acham que ricos vão pro inferno. Outros acham que qualquer coisa é justificável para alcançar a riqueza. Mas ambição e ganância são coisas diferentes. Temos direito a uma vida confortável financeiramente que nos leva a ter uma vida confortável com o que o dinheiro pode nos propiciar também. Ninguém precisa ser milionário pra isso. Tampouco é preciso ser pobre para ser “puro”. A pobreza priva a pessoa de muitas coisas. Escraviza&#8230; E quem é escravo está preso. E quem está preso não tem liberdade. Há no mundo mais que suficiente para todos. Viemos a esse mundo também para sermos prósperos. Com honestidade e equilíbrio. A recompensa pelo valioso esforço que fazemos diariamente. Um fruto justo do nosso trabalho. Assim como o outro: o prazer de trabalhar, produzir e criar.</p>
<p>Além disso, é preciso dizer que merecemos e temos direito à dignidade e ao respeito. À alegria, ao lazer e ao ócio. À educação, à cultura e ao aprendizado. Aprendizado de tudo. Principalmente de nós mesmos. Sem alguma dessas coisas também não somos livres. Viemos ao mundo para explorar, para aprender, para crescer. Como já disse, para sermos tudo que podemos ser. Não aceite menos. Menos que isso não é ser livre. Porque fomos criados livres. Não sendo, já não somos nós. Lute pela sua liberdade e pela liberdade daqueles que nem têm como lutar. E lute com afinco, com vontade, com verdade. Aliás, já foi dito há muito tempo: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”. Sim, a verdade. Tanto a nossa quanto a alheia. Tanto a bonita quanto a feia. Viva de verdade. Viva a liberdade. A sua e a do próximo. Querendo e respeitando a liberdade do próximo como se fosse a sua. A sua como se fosse a do próximo.</p>
<p>_______________<br />
<em>Publicado em 28/02/2009 pelo jornal &#8220;O Regional&#8221; de Catanduva &#8211; SP.</em></p>
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