Fotografia: “Ola 29″ por soruse
E vinte e nove anjos me saudaram…
março 19th, 2010 § 0 comments § permalink
Viver é melhor que sonhar
março 5th, 2010 § 0 comments § permalink
And so it is…
fevereiro 22nd, 2010 § 0 comments § permalink
Éramos vagamente sagrados
fevereiro 19th, 2010 § 0 comments § permalink
Fotografia: “Sadness…” por Masbath
Querer desaparecer e ao mesmo tempo aparecer, na porta da sua casa, sereno, tosse, tudo ao mesmo tempo. Não te ter e ter, não te pedir um abraço, não te pedir uma palavra de conforto, não te pedir uma conversa clara e definitiva, não te pedir nada, só te olhar enquanto você me olha e rir quando você ri. Ouvir o barulho da chuva na janela, de mensagem no celular, de respiração aflita na hora errada. Fingir estar tudo bem, fingir não se importar, não se incomodar. Não dizer que quase morri de ciúmes, quando eu morri. Na verdade, quando eu queria me afogar dentro de tudo que era possível, seja a garrafa de pinga, a lata de cerveja ou o inconformismo, esse sentimento que me rejeita, que você me rejeita. Não acreditar que trocamos segredos silenciosos ouvindo o barulho do trovão. Ser forte o bastante porque é preciso ser, o coração doído, a falta de vontade, procurando mais a vontade de amar do que a vontade de viver.
(“Não éramos, não seríamos”, Carolina Colicigno)
Eternos
fevereiro 5th, 2010 § 0 comments § permalink
devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo,
o amor transforma-se em tempo,
a dor transforma-se em tempo.os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.foste eterna até ao fim.
(“Explicação da Eternidade”, José Luís Peixoto)
Teu nome
fevereiro 4th, 2010 § 0 comments § permalink
Eu escrevo teu nome nessas pedras, que vou jogando por onde passo. No fundo, espero que você me siga, mas não tenho coragem de pedir. Aí, tem gente que vem, sem nem ser chamado, sem nem se importar com o fato do nome escrito ali, ser outro. As pessoas não ligam pr’essas pequenezas, sabe? Eu ligo. Ligo pra tudo. Sou mais de detalhes, que do todo. Sempre fui. O fato é que fico olhando pra trás pra ver se você tá vindo e já tropecei umas quantas vezes. Esses dias mais. Isso porque não sinto teu cheiro no ar, não ouço o teu riso passeando pelas horas. E sinto falta. E sinto um quase-medo. Embora, não tenha a menor idéia de quê. Sabe quando você pressente o monstro no escuro, mesmo sem poder vê-lo? É assim. Não sei se você entende, não sei se alguém entende e, realmente, não me importo. Não me importo mais com um monte de coisas. Dos benefícios do tempo. Hoje, parei e sentei bem aqui na beira desse rio que me atravessa. Só pra te pensar bem forte e te fazer sentir amor do lado de lá. Sim, porque você ainda não atravessou a ponte, bem sei. Mas, ando me sentindo fraca e cansada. Tenho andado demais, jogado pedras demais, esperado demais e você não me alcança. Talvez, seja melhor mergulhar e afogar os pensamentos. Espero que você consiga chegar a tempo e salvar os mais bonitos.
(Briza Mulatinho)
Ao meu Amor
fevereiro 2nd, 2010 § 0 comments § permalink
Sei e acredito que o meu amor é ilimitado. Alguém que eu amava tanto, se foi, mas não levou o bem mais precioso que eu tenho, que é a capacidade de amar.
Alguém, que eu busquei durante tanto tempo na minha vida, ainda não chegou, mas eu não perdi a esperança. O meu coração está cheio de amor para dar.Sim, eu tenho dentro de mim um coração cheio de amor e, como pela lei da mente, o semelhante atrai o semelhante, o meu amor está atraindo para mim um grande Amor.
Jesus, o maior sábio de todos os tempos, disse certa vez que tudo o que eu pedir, ao Pai, em oração, crendo, eu receberei. Tudo. Um grande Amor também.
Principalmente um grande Amor. Porque o amor é a razão de ser da vida de qualquer pessoa. Ele afirmou esta sentença porque entendia do poder da fé. Ele sabia e lembrou que tudo o que é desejável é realizável, desde que eu tenha fé decidida de que assim é e assim será.Eu acredito que meu espírito está ligado no espírito de todas as pessoas do mundo, por isso meu espírito sabe onde está a pessoa que me ama, que combina comigo, que adora estar comigo e que quer me fazer feliz.
O Espírito, que está em mim, sabe como é o meu coração, sabe dos meus sentimentos e desejos e, portanto, sabe que eu desejo amar e fazer feliz essa pessoa que anda à minha procura e que é parte de mim.Meu espírito agora é um aparelho transmissor que está emitindo uma mensagem de amor para todos os recantos da terra, onde quer que exista um ser vivente, e sei que há uma pessoa querida, maravilhosa, terna e amorosa, como a imagino, que está sintonizando minha mensagem e vem vindo na minha direção.
Muito obrigado a você, Amor, porque já está em mim e comigo. Adoro a sua beleza. Adoro a sua personalidade sadia e inteligente. Adoro seu coração cheio de afetos e de sentimentos lindos e profundos a meu respeito. Adoro a sua capacidade de compreensão e o apoio que está me dando. Adoro o seu sorriso puro e o seu entusiasmo por tudo aquilo que eu faço e por tudo que eu desejo da vida. Adoro a sua presença calma e confiante. Adoro seu espírito criativo, que sempre tem surpresas para me encantar e para avivar o nosso amor.
Sabe, é admirável como você é exatamente a pessoa com a qual eu sempre sonhei. Até mesmo este espírito aberto e positivo, que sabe levar a vida com fé e otimismo, é bem como eu queria.
Eu tenho um coração cheio de ternura para dar a você.
Eu tenho um amor inesgotável para dar a você a cada momento do dia.
Eu respeito você, assim como você é, com essas qualidades, com essas ansiedades, com essas fraquezas, com essa imensa boa vontade.
Você pode contar sempre comigo, nas horas boas e nas horas amargas. Nosso amor está crescendo desde já, sempre vivo e livre, porque é na liberdade que o amor mais cresce e mais se aprofunda.
Amo os seus ideais e você ama os meus ideais.Olha, eu não quero reformar e nem escravizar você, nem você quer me escravizar e nem me reformar, nós, no entanto, nos entendemos, nos ajudamos e dialogamos calmamente até encontrarmos a Verdade, que não é minha propriedade e nem sua propriedade. É isso que nos mantém unidos e enlaçados no amor perene.
Sei que não estou sonhando e que não estou dizendo utopias. O seu espírito é uno com o meu, por isso já nos conhecemos e, tendo conhecido você dentro de mim, devo encontrar você fora, pois esta é a lei do Pedido e do Atendimento.Muito obrigado porque você recebeu e ouviu o meu chamado. Entre. A porta do meu coração está aberta para você. Entremos e brindemos o nosso amor.
Eu sei que tudo isso já está realizado na Vontade Divina e agora concluído e realizado em nós.Muito obrigado, Pai.
Muito obrigado a você, por ter vindo.
Obrigado pelo nosso amor. Obrigado do fundo do meu coração e do meu espírito.Assim é e assim será.
(“Oração do Amor”, Lauro Trevisan)
O fundo dos seus olhos
janeiro 25th, 2010 § 0 comments § permalink
Venho dos ventos, venho do fogo. Giro em torno da terra, em meio às chuvas dos muitos aléns que trago dentro do peito. Na força do sol me torno lua, na força da lua me torno sol. Darei asas ao seu passado adormecido, mas deixe que eu faça dele o sol de todas as manhãs. Venho de terras distantes, onde o branco é permitido todos os dias, assim como o vermelho, o caminhar em areias claras onde os deuses podem brincar vestidos de árvores, onde os corpos se envolvem em abraços limpos que refletem o sol e os amores são plantados nos olhos de todos.
Vá, voe e descubra o espaço que espera ouvir seu canto livre, que lhe devolverá a paz, que provará não haver mais descaminhos e que lhe irá tirar o medo do abraço. Assim será. Você encontrará tufões que irei tirando do caminho diante dos seus olhos espantados, tímidos e apressados. Você é forte. Não tanto quanto o vento. Eu lhe darei nove caminhos e nos encontraremos em solo distante para nos tornarmos uma só essência. E não se esqueça de sobreviver às horas amargas que fazem parte dos caminhos para dias mais felizes. Você não estará só, mesmo nos momentos mais difíceis, que poucos conseguirão compreender ou mesmo aceitar.
Cale-se ante as tatuagens com que queiram marcar seu corpo moldado pelos raios dourados com o pó de ouro que coroa sua cabeça. Não passarei apenas uma vez em seu caminho, que espero não seja vitrina ou modelo de ilusões. Você será bicho ou fera desamarrada quando for necessário. Há desencantos, sim, por não acreditar, mas não faz mal. Pegue sua bolsa de luas e sóis e faça de conta que nada disso existe.
Não espere que alguém bata à sua porta para quebrar uma possível solidão escondida no fundo do peito ou muito menos chamá-la de princesa dos dedos de marfim. Vá e não espere nada em troca. Seus olhos dizem tudo porque são abertos como os das águias a caminho do sol, profundos e cálidos, diretos e certeiros, calmos e agitados, alegres ou tristes como portas fechadas ou janelas escancaradas para o que der e vier. Não queira provar nada. Por muitos dias a vida lhe negou os direitos ao mais simples possível. Quando a água quiser lhe afogar, chame por mim que eu a farei evaporar-se. Nunca responda às questões do ser humano, de sua origem, do passado ou do futuro, porque ninguém sabe se o tempo existe. Os dias não param de passar. Nós é que paramos as coisas só com um olhar, no fundo dos olhos, onde existe um lugar de muros estranhos, belezas que a aurora pode não levar. Venho com a espada nas mãos e trago comigo a luz maior que farei você encontrar.
(Baby Garroux em “As bruxas que vivem dentro de nós”)
À beira do rio
janeiro 18th, 2010 § 2 comments § permalink
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimentos demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.(“Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio”, Ricardo Reis [Fernando Pessoa])
Aos filhos de Sofia
janeiro 17th, 2010 § 0 comments § permalink
Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.
Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia…
(“Olhe ao redor”, Clarice Lispector)



