Ela tinha os olhos profundos. Sei, falar isso é totalmente cliché. Mas tinha. Profundamente belos e profundamente tristes. Tão belos que parecia que aquela tristeza era a minha. Tão tristes que parecia que aquela beleza era a minha. É… Sim, foram os olhos. E, por algum tempo, alguns meses, um ano, sei lá… Ela foi o que tinha de belo, a minha alegria e a minha tristeza. (Tomo coragem, atrevido, levanto da minha mesa e já na cadeira ao lado dela passo a conversar como se a conhecesse desde sempre. Uma ousadia tão simples para mim de ser cumprida. Mais tarde ajeitaria seus anéis. Nunca seu coração — jamais o conheci.) Orquestrado por deus, pelo universo, pelo destino, ou como queira chamar, pressenti ali, naquela noite, naquele momento, mais que o encontro de dois olhares, o encontro de duas almas, profundamente vivas e profundamente belas. Ela tinha os olhos profundos. Eu, os olhos, tão vivos. Tão desavisados e ingênuos. Ali, naquela noite, não nos achamos nem nos encontramos. Já e desde sempre nos sonhamos e nos conhecemos. E, por isso mesmo, ali, naquela mesma noite, naquele primeiro olhar, tão vivos e tão profundos, nos despedimos. E nos perdemos.
Créditos
Textos por Vanderlei Martinelli, a menos que informada outra autoria.
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