A voz dos teus olhos

julho 18th, 2010 § 0 comments

nalgum lugar onde nunca estive, alegremente além de
qualquer experiência, teus olhos têm seu silêncio
em teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,
tu me abres sempre, pétala por pétala, como a primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) sua primeira rosa

ou se quiseres ver-me fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo por toda parte;

nada que possamos perceber neste mundo iguala
o poder da tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com as cores de seus continentes,
restituindo a morte e o eterno em cada respiração

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; apenas uma parte em mim compreende
que na voz dos teus olhos cabem todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, possui mãos tão delicadas

(“Somewhere I Have Never Travelled”, e.e.cummings)

 

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